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GEEHP (Caxias do Sul) SOMOS ESPÍRITAS À ESQUERDA


Carta aos Espíritas à esquerda

Nesse momento, nossa querida Ana Claudia Laurindo está lendo uma carta que mandei ao evento de Salvador – Espíritas à esquerda!

Carta aos Espíritas à esquerda

Queridas e queridos presentes aqui, ou conectados pela mente e pelo coração, como eu, que escrevo de Bragança Paulista, pelo menos para me fazer presente com palavras e ideias, já que não pude comparecer em carne e osso.
Não é preciso dizer que estamos atravessando um momento histórico complexo e que muitas vezes nos deixa atônitos e angustiados. O capitalismo, encarnado agora como neoliberalismo, sustenta-se nas raízes milenares do patriarcado, da escravização dos povos, da opressão violenta dos corpos e das almas. Mais miséria, mais exploração, mais repressão se delineiam no horizonte, já que a ideia do Estado mínimo é o Estado com nenhum benefício social e com o máximo de repressão militar – como estamos assistindo agora mesmo no Chile – país que foi o laboratório dessa agenda neoliberal predatória.
Ainda nesse cenário, apresenta-se o nosso planeta, em graves convulsões climáticas, também provocadas pelo poder do capital, inconsequente, que devasta, queima, explora e mata.
E nós, espíritas, que nos achávamos possuidores de todas as respostas, de todas as soluções, como nos supúnhamos no ápice da evolução espiritual, estamos divididos entre aqueles que aderem a essa agenda, seja por má fé ou ignorância, e aqueles que, como nós aqui dessa ala, nos vemos perplexos e às vezes desanimados.
Considero, entretanto, alvissareira a notícia de que estamos nos unindo, pelo menos uma parte do movimento espírita – e a meu ver este grupo está crescendo – para tratarmos pautas urgentes de mudança do mundo e de ativismo consciente.
O espiritismo é uma filosofia progressista – vem do iluminismo e atualmente deve ser relida como tal, dentro dos parâmetros progressistas do século XXI. As pautas que nos interessam hoje, a nós, espíritas à esquerda são inúmeras: a igualdade e a justiça social, a superação do patriarcado; o combate a toda espécie de preconceito e discriminação; o cuidado com a Mãe terra, tão extenuada, que grita por socorro… Como são pautas que interessam a outros grupos progressistas como nós, fora da redoma espírita, devemos fazer pontes de diálogos com eles – porque mais do que nunca precisamos unir forças em torno de objetivos comuns.
Há tanto a fazer, há tanto por que lutar… por isso não nos cabe o desânimo, não nos cabe a apatia, não nos cabe a deserção e nem uma suposta neutralidade, que possa significar conivência com o ódio, com a violência e com a exploração.
Como espíritas, cabe-nos a luta, sem violência; a resistência firme, sem ódio; o trabalho pela melhoria da sociedade e do planeta, mesmo com sacrifício de nossos interesses pessoais.
Como espíritas, cuidemo-nos uns dos outros, para aguentarmos os tempos sombrios que ainda demorarão um tanto a passar; conectemo-nos também com os Espíritos que já lutaram em suas épocas em todas as plagas, para melhorar um tanto esse mundo. Lembro aqui o próprio Jesus, que entendemos não como um mito a ser adorado, mas como um exemplo de amor e fraternidade a ser seguido; lembro Francisco de Assis, Gandhi, Martin Luther King. Entre os educadores, lembro Comenius, Pestalozzi, Kardec. Entre os brasileiros, lembro Eurípedes Barsanulfo, Anália Franco, Herculano Pires, Chico Mendes, Betinho, Darcy Ribeiro, Paulo Freire e tantos outros. Lembro também Léon Denis, operário, autodidata, que promoveu um diálogo entre socialismo e espiritismo. Entre esses citados, há católicos, protestantes, espíritas, hindu e ateus… a todos esses e outros que possamos lembrar, evocamos para nos inspirar e nos fortalecer nessa luta. Porque agora é a nossa vez! Agora é a nossa oportunidade de dar a nossa contribuição. E que essa contribuição não seja apenas de palavras, mas de gestos concretos, de vivências reais.
Um grande abraço a todos os presentes e envio meus votos de que esse evento seja o início de um grande e fecundo movimento de espíritas à esquerda… Que esse e outros encontros possam gerar propostas de ação palpáveis, coletivos atuantes e engajar a todos nós, mais ainda, no propósito de resistir ao avanço das sombras, clareando os caminhos para um novo tempo!

Dora Incontri

Associação Brasileira de Pedagogia Espírita Bragança Paulista, 25 de outubro de 2019

 

Nesse momento, nossa querida Ana Claudia Laurindo está lendo uma carta que mandei ao evento de Salvador – Espíritas à…

Posted by Dora Incontri on Saturday, October 26, 2019

 

 

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