SESSÕES DOUTRINÁRIAS

Home / Artigos

SESSÕES DOUTRINÁRIAS

LIVRO: O ESPIRITO E O TEMPO – HERCULANO PIRES

CAPÍTULO I – PESQUISA CIENTÍFICA DA MEDIUNIDADE

A prática espírita não dispensa a constante orientação doutrinária dos que desejam realizá-la com eficácia e proveito. As sessões de estudo e debates são obrigatórias em todas as instituições. Aparentemente elas não são mediúnicas, mas na realidade o são, pois é fácil constatar-se que em todas elas os Espíritos orientadores estão presentes, auxiliando na orientação dos trabalhos, e às vezes até mesmo se manifestam para algum esclarecimento ou advertência. O estudo e os debates devem cingir-se às obras da Codificação. Substituir as obras fundamentais por outras, psicografadas ou não, é um inconveniente que se deve evitar. Seria o mesmo que, num curso de especialização em Pedagogia, passar-se a ler e discutir assuntos de Mecânica, a pretexto de variar os temas. 

O aprendizado doutrinário requer unidade e sequência, para que se possa alcançar uma visão global da Doutrina. Todas as obras de Kardec devem constar desses trabalhos, desde os livros iniciáticos, passando pela Codificação propriamente dita, até aos volumes da REVISTA ESPÍRITA

Precisamos nos convencer desta realidade que nem todos alcançam: Espiritismo é Kardec.

Porque foi ele o estruturador da Doutrina, permanentemente assistido pelo Espírito da Verdade. Todos os demais livros espíritas, mediúnicos ou não, são subsidiários. Estudar, por exemplo, uma obra de Emmanuel ou André Luiz sem relacioná-la com as obras de Kardec, a pretexto de que esses autores espirituais superaram o Mestre (cujas obras ainda não conhecemos suficientemente) é demonstrar falta de compreensão do sentido e da natureza da Doutrina. 

Esses e outros autores respeitáveis dão sua contribuição para a nossa maior compreensão de Kardec. Não podem substituí-lo. É bom lembrar a regra do consenso universal, segundo a qual nenhum Espírito ou criatura humana dispõem, sozinhos, por si mesmos, de recursos e conhecimentos para nos fazerem revelações pessoais. Esse tipo de revelações individuais pertence ao passado, aos tempos anteriores ao advento da Doutrina. Um novo ensinamento, a revelação de uma verdade nova depende das exigências doutrinárias de: 

(a) Concordância universal de manifestações a respeito; 

(b) Concordância da questão com os princípios básicos da Doutrina; 

(c) Concordância com os princípios culturais do estágio de conhecimento atingido pelo nosso mundo;

(d) Concordância com os princípios racionais e logísticos do nosso tempo.

Fora desse quadro de concordâncias necessárias, que constituem o consenso universal, nada pode ser aceito como válido.

Opiniões pessoais, sejam de sábios terrenos ou do mundo espiritual, nada valem para a Doutrina.

O mesmo ocorre nas Ciências e em todos os ramos do Conhecimento na Terra. Porque o Conhecimento é uma estrutura orgânica, derivada da estrutura exterior da realidade e nunca sujeita a caprichos individuais. Por isso é temeridade aceitar-se e propagar-se princípios deste espírito ou daquele homem como se fossem elementos doutrinários. Quem se arrisca a isso revela falta de senso e falta absoluta de critério lógico, além de falta de convicção doutrinária. 

O Espiritismo não é uma doutrina fechada ou estática, mas aberta ao futuro. Não obstante, essa abertura está necessariamente condicionada às regras de equilíbrio e de ordem que sustentam a validade e a eficácia da sua estrutura doutrinária. 

Como a Química, a Física, a Biologia e as demais Ciências, o Espiritismo não é imutável, está sujeito às mudanças que devem ocorrer com o avanço do conhecimento espírita. Mas como em todas as Ciências, esse avanço está naturalmente subordinado às exigências do critério racional, da comprovação objetiva por métodos científicos e do respeito ao que podemos chamar de natureza da doutrina. Introduzir na doutrina práticas provenientes de correntes espiritualistas anteriores a ela seria o mesmo que introduzir na Química as superadas práticas da Alquimia.

As Ciências são organismos conceptuais da cultura humana, caracterizados pela sua estrutura própria e pelas leis naturais do seu crescimento, como ocorre com os organismos biológicos. Todos nós ainda trazemos a herança empírica do passado, anterior ao desenvolvimento da cultura científica, e somos às vezes tentados a realizar façanhas científicas para as quais não estamos aptos. E como todos somos naturalmente vaidosos, facilmente nos entusiasmamos com a suposta possibilidade de nos tornarmos renovadores doutrinários. Nascem daí as mistificações como a de Roustaing, tristemente ridículas, a que muitas pessoas se apegam emocionalmente, o que as torna fanáticas e incapazes de perceber os enormes absurdos nelas contidos. Até mesmo pessoas cultas, respeitáveis, deixam-se levar por essas mistificações, por falta de humildade intelectual e de critério científico. Espíritos opiniáticos ou sectários de religiões obscurantistas aproveitam-se disso para introduzir essas mistificações em organizações doutrinárias prestigiosas, com a finalidade de ridicularizar o Espiritismo e afastar dele as pessoas sensatas que sabem subordinar a emoção à razão e que muito poderiam contribuir para o verdadeiro desenvolvimento da doutrina.

Por tudo isso, as manifestações mediúnicas em sessões doutrinárias devem ser recebidas sempre com espírito crítico. Aceitá-las como verdades reveladas é abrir as portas à mistificação, à destruição da própria finalidade dessas sessões. Também por isso, o dirigente dessas sessões deve ser uma pessoa de espírito arejado, racional, objetivo, capaz de conduzir os trabalhos com segurança. Kardec é sempre a pedra de toque para a verificação das supostas revelações que ocorrerem.
O pensamento espírita é sempre racional, avesso ao misticismo. 

Os espíritos comunicantes, em geral, são de nível cultural mais ou menos semelhante ao das pessoas presentes. Não devem ser encarados como seres sobrenaturais, pois não passam de criaturas humanas desencarnadas, na maioria apegadas aos seus preconceitos terrenos.
A morte não promove ninguém a sábio, nem confere aos espíritos autoridade alguma em matéria de doutrina.

Por outro lado, os Espíritos realmente superiores só se manifestam dentro das condições culturais do grupo, não tendo nenhum interesse em destacar-se como geniais antecipadores de descobertas científicas que cabe aos encarnados e não a eles fazerem.

A ideia do sobrenatural, nas relações mediúnicas, é a fonte principal das mistificações. Homens e Espíritos vaidosos se conjugam nas tentativas pretensiosas de superação doutrinária. Se não temos ainda, no mundo inteiro, instituições espíritas à altura da doutrina, isso se deve principalmente à vaidade e à invigilância dos homens e espíritos que se julgam mais do que são. Nesta hora de muitas novidades, é bom verificarmos que as maiores delas já foram antecipadas pelo Espiritismo. Ele, o Espiritismo, a maior novidade dos novos tempos.

Se tomarmos consciência disso, evitaremos os absurdos que hoje infestam o meio doutrinário e facilitaremos o desenvolvimento real da doutrina em bases racionais.

As sessões mediúnicas propriamente ditas são as que se destinam à relação normal dos homens com os Espíritos para fins de esclarecimento e orientação.

A expressão paranormal, adotada e divulgada pela Parapsicologia, não se aplica ao campo espírita. Foi criada para substituir as expressões sobrenatural e patológica, das religiões e ciências do passado.
No Espiritismo sabemos que as manifestações mediúnicas são ocorrências normais, que se verificaram desde todos os tempos, e mais, que essas ocorrências são de vários graus, desde a simples percepção extra-sensorial até as aparições, às materializações ou fenômenos de ectoplasmia (segundo a definição metapsíquica) e aos fenômenos de agêneres, bem definidos por Kardec.

Nossas relações com os Espíritos são constantes e naturais, tanto se passam no plano puramente mental, quanto no psíquico em geral e no plano sensorial. A comunicação mediúnica oral, escrita, tiptológica (através de pancadas ou raps) voz direta (ou psicofonia subjetiva ou objetiva) como esclareceu Kardec, ocorre normalmente. A mente do desencarnado, como verificou em nosso tempo o cientista Wathely Carington, da Universidade de Cambridge, Inglaterra, é a mesma do homem, do Espírito encarnado. Como os Espíritos são, segundo Kardec, “uma das forças da Natureza”, e convivem conosco, como os micróbios, os vírus, suas relações conosco são evidentemente normais, fazem parte do complexo de fenômenos da existência humana natural. O critério do normal e do anormal não decorre de normas estabelecidas pelos homens, mas da naturalidade dos fatos no equilíbrio das leis naturais. A loucura é anormal porque é um desequilíbrio. Nos fenômenos mediúnicos as leis naturais foram definidas por Kardec e posteriormente confirmadas pelas pesquisas científicas em todo o mundo.

Os que pretenderam teorizar sobre a chamada loucura espírita só conseguiram revelar sua ignorância do assunto ou sua má fé a serviço de interesses mesquinhos de sectarismos bastardos. Desde a selva até a civilização, os fenômenos mediúnicos se verificam em todos os tempos, como um processo normal de comunicações entre homens e espíritos. Como esse processo se passa entre mundos de dimensões materiais diferentes, Rhine concordou em chamá-los de extra físicos, o que na verdade não está certo, pois o plano espiritual também possui densidade física e a própria Física foi obrigada a reconhecer essa realidade em nossos dias. Ê graças a essa identidade física que o Espírito desencarnado, mas ainda revestido do corpo espiritual da tradição cristã (classificado na pesquisa soviética como corpo bioplásmico, formado de plasma físico) consegue relacionar-se energeticamente com o corpo denso do médium e comunicar-se com os homens.
O que se chama de mediunidade não é mais do que a possibilidade menor ou maior desse relacionamento, na verdade existente em todos os indivíduos humanos. O ato mediúnico é, portanto, um ato de relacionamento humano, em que o sobrenatural só pode figurar como antiga superstição reavivada por pessoas cientificamente incapazes ou pelo menos desatualizadas. A expressão médium (intermediário) adotada por Kardec, é a mais apropriada, estando por isso mesmo generalizada em nossos dias, sendo empregada até mesmo nas ciências soviéticas. Expressões como sensitivos, psicorrágigos metérgicos e outras servem apenas para denunciar posições contrárias ao Espiritismo. Mas o médium não é apenas o intermediário dos Espíritos de pessoas mortas, como se vê em Kardec, Senis, Bozzano, Aksakof no passado, e em Rhine, Soal, Caringthcn, Van Lenep e outros no presente. O médium é também o intermediário de si mesmo, dos extratos profundos de sua personalidade anímica, da consciência subliminar da teoria de Frederic Myers. As manifestações anímicas dos médiuns não são mistificações, mas catarses necessárias para aliviá-lo de tensões conflitivas de sua memória profunda que perturbam o seu comportamento atual. Os fenômenos de vidência, visão à distância, precognição e outros são também mediúnicos, pois constituem manifestações de entidades subsistentes no psiquismo ancestral do médium ou o desencadear de percepções contidas nas hipóstases reencarnatórias da sua consciência subliminar.

As criaturas que vivem à cata de erros de Kardec contestam a legitimidade dessa classificação, revelando simplesmente a sua ignorância dos problemas complexos da mediunidade. Por outro lado, é necessário lembrar que essas manifestações geralmente ocorrem através da ação de Espíritos que são os controladores dos fenômenos, segundo a expressão de Gustave Geley.
Alguns estudiosos ainda discutem se a mediunidade é uma faculdade orgânica ou espiritual. 

Outros, mais afoitos e menos cuidadosos, chegam a afirmar que é uma faculdade do corpo. Basta a descrição de Kardec sobre o ato mediúnico para mostrar que a faculdade é espiritual. As pesquisas científicas modernas não deixam nenhuma possibilidade de dúvida a respeito. O Espírito comunicante não se liga ao corpo material do médium, mas ao seu períspirito (o corpo espiritual) ou de maneira direta à sua mente, que, segundo Rhine e outros “não é física”.
Temos que considerar o fato importante do desprendimento mediúnico ou desdobramento, que nos mostra o médium abandonando o seu corpo material para projetar-se à distância (projeção do eu) fato recentemente ocorrido com o cientista norte-americano Andrew Puhariche e por ele estudado e relatado em seu livro OS ELEMENTOS ALUCINÓGENOS DO COGUMELO DOURADO.

Nesse fenômeno, hoje positivado nas experiências psíquicas e parapsicológicas, tanto em suas manifestações espontâneas como nas provocadas, evidencia-se a natureza espiritual da mediunidade. Podemos reduzir a explicação da mediunidade numa frase: “Mediunidade é a capacidade do Espírito desprender-se parcial ou totalmente do corpo, sem dele se desligar”. Desprendesse o Espírito para estabelecer relações com outros Espíritos ou projetar-se à distância, mas não se desliga, pois o desligamento só ocorre no fenômeno da morte. 

Na própria ausência psíquica de curta duração, em meio a uma conversa, quando se diz: “Não ouvi o que você falou, pois meu espírito estava longe”, temos um fato mediúnico. Graças a essa possibilidade, inerente à condição humana, os Espíritos de pessoas vivas podem também comunicar-se.
Leia-se o livro de Ernesto Bozzano: COMUNICAÇÕES MEDIÚNICAS ENTRE VIVOS, ou consulte-­se Soal ou Amadou (este ferozmente anti­espírita) o episódio experimental de Soal e Caringthon, na Universidade de Cambridge, em que um Espírito de vivo comunicou-­se por voz ­direta (falando diretamente no espaço, através de uma corneta acústica. 

O Espírito comunicante era antigo colega de Soal e este levou cinco anos para constatar que ele não havia morrido, mas relatara fatos e situações de sua vida particular, com minúcias, que só mais tarde ocorreriam.
Os cientistas ficaram aturdidos. Soal reconheceu o amigo pelo timbre da voz, logo às primeiras palavras. Depois dessas generalidades necessárias, tentemos classificar os tipos de sessões mediúnicas mais em voga em nosso tempo:

a) SESSÕES DE DOUTRINAÇÃO — Precedidas sempre de uma prece, realizam-­se à meia luz, para facilitar a concentração mental dos participantes. Essas características levam os adversários do Espiritismo a classificá-las como reuniões de magia ou de misticismo inferior.
Na verdade são as mais úteis e necessárias, controladas por Espíritos caridosos que promovem a comunicação de entidades sofredoras e perturbadoras. Sua finalidade é esclarecer essas entidades e libertar as suas vítimas das perturbações que lhes causam. Não se evocam Espíritos.
As comunicações ficam a cargo do mundo espiritual. Há dois tipos fundamentais: o das sessões livres ou abertas, em que muitos espíritos se comunicam ao mesmo tempo e são doutrinados por vários doutrinadores. O ambiente parece tumultuado e muitas pessoas sistemáticas condenam esse sistema. Ë o mais eficiente e produtivo, o mais conveniente numa fase de transição como a nossa, em que os problemas de obsessão se multiplicam. São consideradas como de Pronto Socorro Espiritual, em que dezenas de doentes são socorridos ao mesmo tempo. O dirigente controla a ação dos médiuns e os Espíritos agem de duas maneiras, controlando o acesso dos Espíritos necessitados e ajudando muitas vezes na doutrinação dos casos mais difíceis. Há barulho, muita gente falando ao mesmo tempo, mas não há desordem.
Os Espíritos mais rebeldes são controlados pelos médiuns devidamente instruídos e pela assistência espiritual. Não se submetem os médiuns a cursos complicados e longos, mas a instruções práticas e objetivas, que são de grande eficiência. O volume de pessoas atendidas e de Espíritos beneficiados é grande, mas vai diminuindo na proporção em que o tempo do trabalho se esgota. São encerradas com uma prece de agradecimento, às vezes precedidas de breves explicações sobre os casos mais difíceis, já então num ambiente de absoluta tranquilidade.
O outro tipo, de sessões fechadas ou autoritárias, é dirigido pelo presidente dos trabalhos, que submete as comunicações ao seu controle absoluto. As comunicações são reduzidas ao mínimo.  Os médiuns não se deixam envolver pelas entidades sem que o presidente os autorize. Se ocorre uma comunicação demorada, vários médiuns permanecem inativos, à espera da sua vez. Não têm o sentido dinâmico de atendimento simultâneo num Pronto Socorro. Parecem-se mais a consultórios médicos em que os clientes têm hora marcada. Não obstante, produzem os seus resultados. Muitas entidades são doutrinadas indiretamente’ assistindo à doutrinação de outras. Quando não se dispõe de médiuns e doutrinadores em número suficiente, esse sistema de controle fechado dá mais segurança ao presidente. Mas há a grande desvantagem de se colocar o presidente numa posição que lhe excita a vaidade e o autoritarismo. Os adeptos desse sistema apoiam-­se nas instruções do Apóstolo Paulo em sua I Epístola aos Coríntios. Paulo, de formação judaica, aconselha o uso controlado dos dons espirituais, cada médium falando por sua vez. Acontece que são bem diferentes as condições do tempo apostólico e as de hoje.

As sessões livres ou abertas atendem melhor às necessidades atuais. Kardec, num país em que o analfabetismo não contava, dedicou maior interesse às sessões de psicografia. Mesmo porque essas sessões correspondiam às exigências de documentação de suas experiências. Em todo o mundo a psicografia ainda se mantém como uma forma mais eficiente de comunicação, pois permite a permanência dos textos para exames e comparações posteriores.
Mesmo entre nós a psicografia tem um papel importante no desenvolvimento da doutrina, como se vê pelas contribuições de vários médiuns e particularmente da obra imensa e altamente significativa de Francisco Cândido Xavier.
Mas nos centros e grupos espíritas populares, onde o analfabetismo está presente nos dois lados, com a manifestação de espíritos inferiores na maioria analfabetos, a psicografia se torna quase sempre impraticável. Essa a razão pela qual a preferência pelas sessões de comunicação oral se impôs. Por outro lado, nas sessões de doutrinação e desobsessão a comunicação oral é mais valiosa, permitindo expressão mais completa do estado emocional e até mesmo patológico do espírito comunicante.

Também a identificação do espírito se torna mais fácil, em geral com a evidência da voz, da mímica, dos modismos característicos da criatura que deixou o plano físico e no entanto retorna com todas as modalidades, tiques e trejeitos do seu corpo carnal desaparecido, o que comprova a identidade teórica do corpo somático com o corpo espiritual. Essa identidade não é constante, pois o espírito evolui no plano espiritual, mas a flexibilidade extrema da estrutura do períspirito permite a este voltar às condições anteriores numa comunicação com pessoas íntimas, seja pela vontade do espírito comunicante ou involuntariamente, pelas simples emoções desencadeadas no ato de aproximação do médium ou no ato de transmissão da comunicação.
As pessoas que não conhecem a doutrina e não dispõem de experiência na prática mediúnica sentem-se intrigadas com esses problemas. Como aconselhava Kardec, é conveniente não participarem de sessões sem terem lido obras esclarecedoras ou pelo menos recebido explicações de pessoa competente.

Mas exigir que pessoas obsedadas ou médiuns em franco desenvolvimento tenham de frequentar cursos de vários anos para poderem frequentar as sessões de que necessitam, como fazem algumas instituições, é simplesmente um absurdo que raia pela falta de caridade;

b) SESSÕES DE DESOBSESSÃO — Kardec classificou as obsessões em três tipos, segundo o grau de atuação do Espírito e submissão da vítima: obsessão simples, fascinação e subjugação. A obsessão simples pode ser tratada em sessões de doutrinação, sem maiores complicações. O obsedado é geralmente um médium em desenvolvimento, mas não sempre.
Em muitos casos, uma vez esclarecido o espírito e o paciente se dedicando ao estudo e prática da doutrina, liberta-­se e converte o obsessor em seu amigo e colaborador, o que Jesus ensinava: “Acerta­-te com o teu adversário enquanto estás a caminho com ele”. O obsedado não se transforma em médium, mas em doutrinador ou dedicado auxiliar em campos diversos da atividade doutrinária.
Mas a fascinação e a subjugação exigem tratamento mais intenso e restrito a pequeno grupo de trabalho, integrado por médiuns conscientes da responsabilidade e das dificuldades do serviço e dirigido por pessoas competentes e estudiosas.
A cura pode ser obtida em poucos dias ou levar meses e até anos, com fases intermitentes de melhora e recaída. Só a insistência no trabalho desobsessivo e a vontade ativa do paciente no sentido de libertar­-se podem apressar os resultados. A dificuldade maior está sempre na falta de vontade do paciente, acostumado à ligação obsessiva, numa situação ambivalente, em que ao mesmo tempo quer libertar­se mas continua apegado ao obsessor, sentindo sua falta quando ele se afasta e invocando-o inconscientemente.
Há obsessores que se consideram, com razão, obsedados pela sua vítima. Ideias, hábitos, tendências alimentadas pelo obsedado constituem elementos de atração para o obsessor. Nesses casos, o trabalho maior da desobsessão é com a própria vítima. Os dirigentes do trabalho precisam estar atentos, vigilantes quanto ao comportamento do obsedado, ajudando-­o constantemente a reagir contra as influências do Espírito e contra as suas próprias tendências e hábitos mentais. A mente do obsedado, nesses casos, é o pivô do processo. Ensinar-lhe a controlar e dominar sua mente pela vontade, com apoio no esclarecimento doutrinário, é o que mais importa. Do domínio da mente decorre naturalmente o domínio das emoções e dos sentimentos, que são por assim dizer os elementos de atração do espírito obsessor. 

Nenhuma atitude exorcista, na tentativa de afastar o obsessor pela força ou através de ameaças dá resultados. A doutrinação é um trabalho paciente de amor. Deve­-se compreender que estamos diante de casos de reconciliação de antigos desafetos, carregados de ódio e de cumplicidade mútua em atividades negativas. Todo e qualquer elemento material que se queira empregar – passes complicados, preces insistentes e demoradas, uso de objetos ou coisas semelhantes – tudo isso só servirá para prolongar o processo obsessivo.
O importante é a persuasão amorosa, o esclarecimento constante de obsedado e obsessor. O doutrinador é sempre auxiliado pela ação dos Espíritos sobre obsessor e obsedado.

Todas as prescrições de medidas prévias a serem tomadas pelos membros da equipe de médiuns, como abstenção de carne, repouso antes do trabalho, abstenção de fumo e álcool, comportamento angélico durante o dia e assim por diante, não passam de prescrições secundárias. Os médiuns têm naturalmente o seu comportamento normal regidos por princípios morais e espirituais. Se não o tiverem, de nada valerão essas improvisações de santidade. Se o tiverem, não necessitam desses artifícios.
Como Kardec explica, a única autoridade que se pode ter sobre os espíritos é a de ordem moral, e o que vale no socorro espiritual não são medidas de última hora, mas a intenção pura de médiuns e doutrinadores, pois que: “O Espiritismo é uma questão de fundo e não de forma”. As medidas que se devem tomar, quando médiuns e doutrinadores não forem suficientemente esclarecidos, são apenas as precauções que o bom senso indica: não exceder­-se na alimentação, na bebida, nos falatórios impróprios e maldosos no dia do trabalho.

É necessário afastar os artifícios do religiosismo místico e as pretensões de importância pessoal no ato de doutrinar. Médiuns e doutrinadores são apenas instrumentos – conscientes, é claro – mas instrumentos dos Espíritos benevolentes que deles se servem na hora do trabalho. O mérito individual de cada um está apenas na boa intenção e no amor que realmente os anime no serviço fraterno.
É natural a tendência mística na prática mediúnica, proveniente do sentimento religioso do homem e dos resíduos do fanatismo religioso do passado, em que fomos cevados no medo ao sobrenatural e no anseio de salvação pessoal através de sacramentos e atitudes piegas.
Mas temos de combater e eliminar de nós esses resíduos farisaicos e egoístas, tomando uma atitude racional e consciente nas relações com os espíritos, que ainda ontem eram nossos companheiros na existência terrena e que a morte não transformou em santos ou anjos. O meio espírita está cheio de pregadores de voz untuosa e expressões místicas, tanto encarnados como desencarnados, mas a doutrina não nos indica o caminho do artifício e do fingimento e sim o das atitudes e posições naturais, sinceras e positivas, que não nos levem a cobrir com peles de ovelha nosso pelo grosso de lobos.
O povo se deixa atrair facilmente pelo maravilhoso, pelos milagres e milagreiros, mas os espíritos, que nos veem por dentro, não se iludem com as farsas dos santarrões. A criatura humana é o que é e traz em si mesma os germes do seu aperfeiçoamento, não segundo as convenções formais da sociedade ou das instituições de santificação, mas segundo as suas disposições internas.
Uma criatura espontânea, natural, aberta, choca-­se com os artifícios, as manhas e os dengos de pessoas modeladas pelos figurinos da falsidade.
Os Espíritos, mais do que nós, sentem logo o cheiro de perfume barato e ardido desses anjinhos de procissão, cujas asas se derretem com os pingos da chuva.
O Espiritismo não veio para nos dar novas escolas de farisaísmo, mas para nos despertar o gosto da autenticidade humana. Sabemos muito bem que nada valem as maneiras suaves, a voz macia e empostadas, os gestos de ternura dramática, senão formos por dentro o que mostramos por fora.

E é uma ilusão estúpida pensarmos que essa disciplina exterior atinge o nosso íntimo. Nosso esquema interior de evolução não cede aos modismos e às afetações do fingimento.
A moral não é produto do meio social, mas da consciência.

Seus princípios fundamentais estão em nosso íntimo e não fora de nós. A moral exógena (exterior) vem dos costumes, mas a moral endógena (interior) nasce das exigências da nossa consciência. A ideia de Deus no homem é a fonte dessa moral interna que supera o moralismo superficial da sociedade.
Nas sessões de desobsessão o que vale não é o falso moralismo dos homens, mas a moral legítima do homem. Essa busca do natural, do legítimo, do humano, é a constante fundamental do Espiritismo.

c) SESSÕES DE CURA
As sessões de cura distinguem-se das sessões de desobsessão por não tratarem apenas de problemas mentais e psíquicos, mas de todos os problemas da saúde. Os Espíritos exercem atividades curativas de todos os tipos e até mesmo realizam intervenções cirúrgicas em casos especiais. Isso não parece estranho quando nos lembramos de que os Espíritos são simplesmente homens desencarnados que vivem numa dimensão física da realidade terrena, onde, como aqui, a mente opera sobre a matéria.
Os planos espirituais mais próximos da crosta terrena são bastante semelhantes ao nosso. As sessões de cura material seguem as normas da sessão de desobsessão, mas acrescidas de medidas de controle dos fenômenos, como os das sessões de ectoplasmia ou materializações.
O ectoplasma é utilizado na recuperação de tecidos, na cicatrização muitas vezes imediata de incisões operatórias e no reequilíbrio de órgãos e funções.
Antecipando um século as práticas da medicina psicossomática, a terapêutica espírita mostrou que as doenças somáticas se originam no psiquismo. A descoberta do corpo­ bioplásmico em nossos dias comprovou essa tese espírita.
A Parapsicologia vem contribuindo bastante para o esclarecimento desse problema e hoje é grande o número de médicos que aceitam a contribuição espírita nesse campo. Mas justamente por isso as sessões de cura não podem ser realizadas sem a participação de médicos ­espíritas.
A exigência da condição espírita dos médicos decorre da necessidade de conhecimentos da problemática espírita. Os médicos não ­espíritas não dispõem de recursos para compreender o que então se passa, mas podem também participar dessas sessões, desde que acompanhados de colegas espíritas. Os casos de mediunidades curadoras são mais frequentes do que se pensa e esses médiuns, deixados a si mesmos, geralmente acabam se perdendo.
É uma temeridade a aceitação do trabalho mediúnico de cura sem assistência médica ao médium.
Não se trata de milagres, mas de ação terapêutica e até mesmo cirúrgica. (Ver nosso livro sobre o Caso Arigó, com depoimentos de numerosos médicos de renome, brasileiros e estrangeiros, e o relato de numerosas intervenções cirúrgicas.)
Trata-­se de um estudo do médium e de toda a sua problemática mediúnica, psicológica, social e terapêutica. Não é simples relato de fatos. Por isso o indicamos, como único trabalho dessa natureza publicado sobre o caso e traduzido por instituições científicas norte-americanas.
Desejamos vê­l-o superado por uma obra mais completa, que infelizmente ainda não apareceu.
As campanhas apaixonadas contra o Espiritismo criaram barreiras quase intransponíveis entre Espiritismo e Medicina, que só agora estão sendo derrubadas. Dentro em breve, Kardec, que foi médico em Paris, não será mais encarado como adversário dos médicos, mas como uma espécie de Pasteur tardiamente reconhecido em seus méritos.

Já existem, hoje, Sociedades de Medicina no Brasil e no Mundo. Essas instituições científicas se multiplicarão e ampliarão as suas atividades nos próximos anos. Os espíritas precisam colaborar para isso, evitando as práticas terapêuticas sem controle médico, que são arriscadas num ambiente de misticismo ingênuo como o nosso. Só assim ajudaremos a quebrar os tabus criados por mais de um século de calúnias assacadas contra os espíritas e o Espiritismo, em prejuízo evidente do progresso científico e do sofrimento humano.

As sessões de cura não passam de tentativas de auxílio, pois a cura espiritual não depende apenas dos fatores físicos da moléstia. Há fatores espirituais da doença que são quase sempre irremovíveis. São consequências de encarnações anteriores a que o espírito se submete de vontade própria a fim de libertar-­se de pesadas angústias do passado.
Mas há sempre algum benefício, mesmo nos casos incuráveis. E muitos casos que são incuráveis para a medicina terrena facilmente se curam com a intervenção das entidades espirituais através da mediunidade.

Os Espíritos não são concorrentes dos médicos. Os próprios médicos desencarnados são os que mais se interessam em prestar a sua ajuda aos colegas terrenos, sem outro interesse que o de contribuir para o alívio possível do sofrimento humano.
Pessoas que não conhecem a doutrina costumam perguntar por que motivo os Espíritos não socorrem todos os enfermos e não curam todas as doenças, desde que dispõem de recursos superiores aos da medicina humana.
É claro que tudo, no Universo, está sujeito a condições e leis. Um doente condicionado pela sua consciência profunda à necessidade de aliviá­-la através das formas de sofrimentos que impôs a outras criaturas em vida anterior, tem nos sofrimentos atuais o seu próprio remédio e não uma doença. Passa por um doloroso processo de reajuste moral e espiritual, que reconhece necessário à sua tranquilidade futura. As leis morais da consciência o obrigam, em seu próprio benefício, a essas purgações dolorosas, mas benéficas. Não se trata de uma hipótese, mas de uma realidade comprovada nas pesquisas científicas sobre a memória profunda, em busca de provas sobre a reencarnação, hoje grandemente acumuladas. No Espiritismo predominam a razão e a prova. Como observou Richet.

Kardec nunca aceitou um princípio que não fosse lógico e comprovado pela pesquisa. Graças a isso, a doutrina se mantém intacta em face de toda a espantosa evolução científica do nosso tempo. Os maiores avanços da Ciência nada mais fizeram, até agora, do que comprovar os princípios fundamentais do Espiritismo. Os Espíritos curadores ou terapeutas não fazem milagres, não têm o poder de violar as leis naturais. Mas conhecem melhor essas leis do que os homens e dispõem de recursos que ainda desconhecemos. Por isso Jesus advertiu que os que seguissem o seu ensino poderiam fazer os supostos milagres que ele fazia e até mais do que ele o problema não é de mística, mas de razão e sobretudo de conhecimento.
Todo conhecimento é facultado ao homem, dentro das possibilidades progressivas do seu desenvolvimento espiritual. Conhece mais o que mais avançou no desenvolvimento das suas potencialidades ônticas, ou, como afirmou Kant, na realização de sua perfectibilidade possível.
No sentido espiritual essa atualização das potencialidades de perfeição está ao alcance de todos, pois é inerente à natureza humana. Mas no sentido existencial terreno essa atualização está condicionada ao grau de evolução atingido pelos esforços de cada indivíduo.
Os Espíritos Terapeutas, como os médicos terrenos, não dispõem de saber absoluto, mas relativo ao seu grau de evolução.
Trabalham geralmente em equipe, auxiliando-­se mutuamente. O mais sábio e experiente dirige a equipe, exatamente como entre os homens. Qualquer interpretação sobrenatural da atividade natural dessas criaturas humanas leva-­nos aos delírios, do mito, impedindo-­nos de compreender a realidade dos fatos.

d) SESSÕES DE CONSULTA
As sessões de consulta são as mais antigas da prática espírita, muito anteriores à elaboração da doutrina. Marcaram profundamente os tempos mitológicos, prolongando­-se nos tempos bíblicos na fase medieval, como vimos nas partes anteriores deste livro. A trípode mágica dos oráculos e das pitonisas, a mesinha de três pés, que ressurgiria na era moderna com a dança das mesas, é a antecessora remota da gueridon francesa, da mesinha de três pés dos salões parisienses do século XVIII, que provocaram a atenção de Kardec.

Utilizadas em toda a Antiguidade para consultas sérias aos espíritos, como vemos no caso da pitonisa de Endor (na Bíblia) tornaram-­se na leviana sociedade oitocentista europeia em objetos de diversão e passatempo.
Ainda hoje são empregadas na prática espírita para consultas levianas ou sérias. Dela surgiram algumas diversificações, como a cestinha túpia de que o próprio Kardec se serviu, a tiptologia por meio de raps, empregada no caso das irmãs Fox, nos Estados Unidos e as sessões alfabéticas de copinho a que o escritor Monteiro Lobato se dedicou seriamente entre nós, deixando-­nos um relate minucioso de suas experiências interessantíssimas, publicado no livro de sua secretária, D. Maria José Sette Ribas,
As Sessões Espíritas de Monteiro Lobato. O famoso escritor conseguiu comunicações de seus filhos mortos por esse processo e chegou a doutrinar Espíritos perturbadores.

Considera-­se, em geral, que essas sessões são condenadas pelo Espiritismo. O que se condena não é a modalidade, pois todas as formas de comunicação são válidas, quando levadas a sério, mas a leviandade com que tais pessoas se entregam a essa experiência, com objetivos de simples curiosidade, o que facilita o acesso de espíritos inferiores, brincalhões ou maldosos, que põem os médiuns em perigo. O nome de sessões de copinho provém do fato de usar­-se um cálice ou um pequeno copo emborcado sobre uma folha de cartolina ou sobre a mesa de superfície lisa. Na cartolina ou em torno da mesa dispõe um alfabeto em forma circular, com o copinho no centro do círculo. Uma ou mais pessoas colocam levemente um dedo sobre o copinho e este se movimenta indicando as letras que formam palavras. Lobato dispunha da mediunidade de sua esposa, D. Purezinha, vendando os seus olhos. Uma pessoa é incumbida de anotar as letras indicadas. O movimento do copinho atinge geralmente grande velocidade. Como se vê, trata­-se de um fenômeno de automatismo psicológico, de que os Espíritos se servem como na escrita automática. As consultas são feitas oralmente pelas pessoas presentes. Não há nada de mal nessa prática em si. Num ambiente sério as respostas são também sérias. A interferência de Espíritos brincalhões ou perturbadores pode ser convertida em auxílio para os mesmos, como fazia Lobato. O mal está nas consultas, que sendo quase sempre levianas ou absurdas, que, quando insistentes, acabam por ser respondidas por Espíritos levianos. Os Espíritos sérios se afastam, como é natural, deixando que os interrogantes façam a experiência de que necessitam. Não é raro algumas pessoas sensíveis saírem perturbadas da experiência. Esse o motivo por que, em geral, os espíritas não aconselham essa prática. Levada a sério, entretanto, ela pode servir para boas comunicações e para provar ao médium que as comunicações não provém dele mesmo, desconfiança comum a que se entregam os médiuns de comunicações orais ainda não suficientemente experimentados e pouco conhecedores da doutrina.

O mesmo se dá com a psicografia mecânica ou automática. As pesquisas de Pierre Janet sobre essa forma de comunicação manual revelaram que ela pode provir do inconsciente do médium. Mas muito antes de Janet realizar suas pesquisas, já Kardec havia pesquisado o problema demonstrando que a comunicação anímica (da própria alma do médium) não invalidava, antes comprovava as comunicações espirituais. Os Espíritos se servem precisamente do automatismo psicológico dos médiuns para transmitir as suas mensagens. Usam o automatismo como o telegrafista usa o telégrafo, tanto para conversar com seus colegas à distância, quanto para transmitir as mensagens telegráficas de várias pessoas. Atualmente, nas experiências parapsicológicas, a tese de Kardec foi amplamente comprovada. Os trabalhos científicos de Erenwald sobre esse processo levaram-­no a propor a fusão dos métodos quantitativos da pesquisa parapsicológica aos métodos significativos da Psicologia para melhor aproveitamento desse meio de comunicação mediúnica.
Já é tempo de se compreender, como advertiu recentemente Remy de Chauvin, que a alergia ao futuro deve ser afastada dos nossos meios culturais e científicos, onde já causou grandes e lamentáveis prejuízos.

A idiossincrasia ao sobrenatural não deve impedir a Ciência de cumprir a sua missão, que é justamente a de esclarecer os antigos mistérios em termos racionais. As Ciências atuais já foram batidas em seus redutos materialistas pelas suas próprias incursões no plano do extrafísico, segundo a expressão de Rhine.

Teimar em confundir escrita automática com psicografia, seja por meio de copinhos ou das mãos do médium, é simplesmente fechar os olhos ante uma realidade de milênios, hoje integrada no campo científico. A tese da onisciência do inconsciente é uma contradição em si mesma.

—————————–

CAPÍTULO II – AS LEIS DA MEDIUNIDADE

1. AS CONDIÇÕES DA CIÊNCIA

O Espiritismo foi acusado, desde o seu aparecimento, de não ter condições científicas. O objeto de suas pesquisas era ilusório. Os métodos que adotava eram ineficientes. A repetição necessária dos fenômenos era impossível. Kardec não se interessava pelas leis dos fenômenos, que na verdade não eram fenômenos e não estavam sujeitos a leis de espécie alguma, Os espíritos, como os deuses mitológicos, eram figurações evanescentes, sem nenhuma consistência possível. Avesso à realidade física, o Espiritismo nada tinha a acrescentar ao mundo sensorial, não revelava nem estudava nenhum aspecto novo da matéria. Tratava-se apenas de uma ressurreição das velhas superstições da Antigüidade, que a Ciência tinha por dever destruir para sempre. Atravessando os limites do real, invadia as regiões do inefável pitagórico, onde a razão nem sequer podia discernir coisa alguma. Kardec trapaceava para criar uma religião de aparência científica. Seu objetivo só podia ser a criação de uma nova igreja, da qual certamente se tornaria o Papa. A presença de Deus na sua estrutura pretensamente científica não podia iludir a ninguém. Deus era objeto da Teologia, cuja área sagrada Kardec invadia atrevidamente. Só restava ao mundo moderno repelir de maneira definitiva a intromissão desse corpo estranho e nebuloso no campo racional da Ciência.
Não obstante, Kardec insistia. E explicava reiteradamente que o objeto da Ciência Espírita era a própria essência do homem, que se podia atingir através da sua manifestação (o fenômeno), que estes, pela sua própria natureza, eram acessíveis à pesquisa científica e que a sua repetição, como a de todos os fenômenos, dependia apenas da conjugação dos elementos necessários, como se faz numa reação química. Lembrava que esses fenômenos eram naturais, existiam desde todos os tempos, repetindo-se indefinidamente através dos milênios. Como fenômenos naturais, tinham as suas leis, que o Espiritismo descobria através da experiência e da pesquisa, provocando-os e analisando-os. Enquadrava o Espiritismo no campo da Psicologia. E dava início à Psicologia Experimental, sem o engano de servir-se de métodos físicos ou biológicos, pois afirmava que o método devia ser adequado ao objeto. Por isso, criava o seu próprio método. Na REVISTA ESPÍRITA, seu órgão de difusão e debates, inscrevia sob o título: “Revista de estudos psicológicos”. Quanto às superstições, lembrava que a função da Ciência era precisamente de esclarecê-las, substituindo as fábulas por explicações racionais e positivas das causas dos fenômenos que as originaram. Tudo em vão. As Ciências eram deidades impassíveis, defendidas pelas vestais da Deusa Razão. Kardec e o Espiritismo foram marginalizados na cultura do século XVIII Aos dogmas invioláveis da sabedoria eclesiástica os cientistas opunham os dogmas inabaláveis da frágil razão humana. Premido entre os fogos cruzados da Ciência e da Religião, só restava a Kardec entrincheirar-se nas ruínas da Filosofia, que acabava de libertar-se da servidão medieval e conservava em suas entranhas uns restos de calor humano. Entrincheirou-se, mas não abriu mãos da pesquisa científica. Felizmente os cientistas que foram lançados ao seu encontro não haviam perdido o bom senso. Resolveram provar cientificamente que os fenômenos não existiam e deram com o nariz na realidade inadmissível. A Sociedade Dialética de Londres esfacelou-se contra o rochedo dos fatos, William Crookes tocou os fenômenos com os dedos, como Tomé, e teve a coragem de sustentar a sua realidade. Frederic Zollner, na Alemanha, fez o mesmo. Já não se podia mais negar a realidade dos fenômenos. Passou-se então aos sofismas da mistificação, classificando Crookes de caduco e Zollner de estúpido. Mais tarde surgiu Richet, o fisiologista do século, sustentando a existência do ectoplasma, e o classificaram de imbecil, enganado por um espertalhão. Quando Richet faleceu, em 1935, já em pleno século XX, os defensores da razão clamaram por toda parte que com ele morrera também a ilusão espírita. Não sabiam que, cinco anos antes, os Profs. Rhine e Mc Douglas haviam fundado na Duke University (EUA) a Parapsicologia moderna, preparando o Psychic Bom, a explosão psíquica da atualidade.
Hoje estamos em face de uma comprovação total da Ciência Espírita, não apenas pela Parapsicologia, mas também pela Física Nuclear, pela Biologia avançada, pela Astronáutica, por todos os ramos do conhecimento que não podiam e não podem parar no rush espantoso do conhecimento rumo à antimatéria, ao corpo bioplásmico, às provas da reencarnação, aos fenômenos théta que provam as várias formas de comunicação mediúnica. É este o mais espantoso episódio da História das Ciências, que os historiadores do ramo fazem questão de ignorar. As leis dos fenômenos mediúnicos, descobertas por Kardec, são agora redescobertas nos laboratórios modernos e os seus descobridores não sabem que estão descobrindo a pólvora. Se o Espiritismo não tem condições científicas, por que estranhos meios, não-científicos, Kardec antecipou essas descobertas da atualidade, A Ciência Espírita provou a sua validade nos maiores centros de pesquisa universitária do mundo, pelas mãos dos seus adversários. Ninguém teria percebido isso?

2. AS LEIS DOS FENÔMENOS — As leis dos fenômenos mediúnicos (ou paranormais) foram descobertas e descritas por Kardec no Livro dos Médiuns há mais de um século. Através de pesquisas psicológicas definiu com precisão. Partia do princípio de que os fenômenos falam. Interrogou os espíritos comunicantes e controlou o que eles diziam com experiências realizadas com pessoas vivas. O confronto dessas manifestações em dois planos da realidade e a constante repetição de experiências lhe davam uma margem de certeza possível. Insistiu doze anos consecutivos nesse trabalho, na Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas (uma sociedade científica, segundo ele a classificava). Utilizou-se também do controle da vidência. Suas pesquisas principais foram publicadas na “REVISTA ESPÍRITA” COM REGULARIDADE ABSOLUTA. Hoje, as confirmações científicas mostram que ele estava certo. Atingiu por métodos psicológicos o que as ciências atuais conseguiriam com aparelhagens especiais. Chegou à certeza absoluta, que os cientistas rejeitaram porque não combinavam com as exigências dos métodos incipientes da época. Realizou assim a maior façanha científica de todos os tempos. Tudo quanto afirmou. . . declarou Richet, que em muitos pontos não concordava com ele — foi o resultado de pesquisas sérias. Nunca se importou com as críticas levianas ou sectárias, mas às críticas sérias respondeu sempre com uma lógica e uma lucidez admiráveis. Isto pode ser verificado na simples leitura da REVISTA, em doze volumes de mais ou menos quatrocentas ‘páginas cada um. É inacreditável que todo esse valioso acervo da cultura francesa tenha sido negligenciado até agora. Tentaremos ordenar, a seguir, a seqüência de suas descobertas:
a) O homem é um ser espiritual revestido de corpo carnal. O ser espiritual possui um corpo a que chamou de perispírito, por analogia com o perisperma das sementes. Esse corpo se constitui de energias espirituais e energia materiais. É o elo que liga o espírito ao corpo. Todas as funções mentais e psíquicas do corpo são produzidas, mantidas e dirigidas pelo perispírito, que é a fonte da vida. No fenômeno da morte o perispírito se desliga progressivamente do corpo material e este se transforma em cadáver. O espírito liberto passa a viver no plano espiritual, que se constitui de matéria em estado rarefeito. Esse mundo semi-material tem várias hipóstases, sendo que a mais inferior só existe com o plano material, interpenetrado com ele. Por isso os espíritos convivem conosco no mesmo espaço cósmico ocupado pelo planeta. Assim, os espíritos influem sobre nós e nós sobre eles. Não podemos percebê-los pelos sentidos físicos, mas podemos vê-los e ouvi-los pelo espírito, embora tenhamos a impressão de percebê-los pelos sentidos. Não estamos fundidos no corpo material, mas ligados a ele por energias vitais, que nos permitem afastar do corpo material com mais freqüência do que supomos. Nesses momentos de desprendimento podemos ver os espíritos e comunicar-nos com eles. A mente é um centro espiritual de controle e comunicação, que se manifesta através do cérebro. Vivemos em constante permuta de idéias e sentimentos com as pessoas de nosso convívio e com os espíritos que se afinam conosco. Além do ser espiritual que somos, existe em nós o ser do corpo, que rege a nossa vida vegetativa e conserva os instintos da espécie enquanto vivo. Nossa ligação com os espíritos é portanto natural e normal.
Hoje, depois da descoberta da antimatéria e das hipóteses tacteantes sobre os universos paralelos, os físicos descobriram que o mundo material e o antimaterial são inter-penetrados. A descoberta, pelos físicos e biólogos soviéticos, do corpo-bioplásmico e suas funções Controladoras de todo o processo orgânico comprovam a descoberta de Kardec. As pesquisas parapsicológicas comprovaram as relações mentais no plano humano e entre esse plano e o espiritual. “A mente não é física”, afirma Rhine. “A mente é uma estrutura psicônica, formada de átomos mentais, e depois da morte do corpo pode comunicar-se com as mentes encarnadas”, sustentou Wathely Caringthon. “Existe Shi”, sustenta Soal, “que sobrevive à morte corporal e pode comunicar-se com as nossas mentes”. As pesquisas parapsicológicas provaram que o pensamento não é físico e que as comunicações dos espíritos são fatos reais. Pratt investiga e prova, no exame dos fenômenos théta, a realidade dessas comunicações. Louise Rhine publica um livro de pesquisa de campo sobre essas comunicações, comprovando-as.
b) A reencarnação — As provas de Kardec sobre a reencarnação decorrem de lembranças espontâneas e manifestações anímicas a respeito, bem como de investigações pelo processo hipnótico de regressão da memória. Albert De Rochas publicou suas pesquisas a respeito, muitas delas confirmadas pela pesquisa histórica possível. Hoje, lan Stevenson divulga suas pesquisas de casos de lembranças, Barnejee faz o mesmo e Wladimir Raikov, na Universidade de Moscou, não obstante os impedimentos ideológicos, insiste nessas pesquisas. A lei da reencarnação não pode ser provada pelos métodos atuais das Ciências, mas é evidente que a natureza do problema requer modificações no sistema metodológico. Raikov se atém ao problema das lembranças e sua influência no comportamento individual. Encara o fenômeno como patológico e possivelmente sugestivo. Segue praticamente o método hipnótico de De Rochas. Mas sua contribuição tem sido significativa, segundo informa Barnejee. Stevenson chega a declarar que suas pesquisas chegaram à evidência do fenômeno. A revolução metodológica atual nas Ciências, com o avanço das pesquisas em todas as direções, pode levar à descoberta de um processo específico para a comprovação de fatos que escapam ao confronto de elementos puramente materiais. Os cientistas enfrentam neste momento as mesmas dificuldades que Kardec enfrentou há mais de cem anos. Mas Kardec não se embaraçou nessas dificuldades. Lembrou que a reencarnação é uma constante da Natureza, onde tudo se renova através de metamorfoses evolutivas, desde o reino mineral até o hominal. Hoje se alega o mesmo e, evoca-se a palingenesia, que é a lei geral das transformações, em que a reencarnação se inclui, e vários cientistas consideram que as provas possíveis já foram feitas, sendo descabidas novas exigências. A atitude de Kardec é endossada pelos cientistas de hoje. Os limites demasiado estreitas da comprovação científica oficial não podem predominar numa era em que a realidade, mesmo a sensorial, ampliou-se ao infinito.
c) RELAÇÕES MEDIÚNICAS — Como se processam as relações mediúnicas entre o
espírito e o médium? As pesquisas de Kardec levaram a uma conclusão definitiva: há um processo de indução entre o espírito e o médium. As vibrações psíquicas do espírito, irradiadas do seu corpo energético, atingem o corpo energético (o perispírito) do médium, estabelecendo-se a empatia entre ambos. A indução é tão forte que os pensamentos e as emoções do espírito refletem-se no comportamento mediúnico. A personalidade do espírito domina a do médium, assenhoreando-se dos centros nervosos dirigentes. A metamorfose passageira, se, o médium é bastante sensível e flexível, modifica até mesmo as suas ex-pressões faciais e corporais, a voz, o olhar, permitindo uma comunicação total do pathus individual do espírito. Há casos de transfiguração em que ate mesmo. defeitos do morto apa-recem no médium. Nos casos de espíritos doentes os sintomas da doença são transferidos para o médium durante a comunicação. Não se trata de simples sugestão hipnótica, mas de ação fluídica (vibratória) intensiva, que empolga os comandos do organismo mediúnico. Carington se refere a interferências mentais do espírito nas zonas corticais do médium, provocando focos de disritmia cerebral durante o transe, o que foi comprovado pelo eletroencefalograma. Soal e Price, de Londres e Oxford, admitem a ação mental do espírito sobre a mente do médium. Jung entende que o processo é mais complexo, implicando uma relação simpática entre o espírito e o médium, segundo os termos da sua teoria das coincidências significativas. Como se vê, os cientistas atuais confirmam, com as naturais variantes individuais, a proposição de Kardec. Tudo se passa no plano das emissões energéticas, das conotações par afinidade psicológica, das relações naturais, entre dois dínamo-psiquismos (segundo a expressão de Gustave Geley) aptos a um processo indutivo no campo energético. Os soviéticos não penetram nessa questão perigosa, mas estudam e investigam os processos telepáticos, admitindo a existência de correntes eletromagnéticas entre os cérebros humanos e até mesmo entre os animais para a transmissão de pensamentos e estímulos energéticos a pequena ou grande distância. A descoberta do cor-po-bioplásmico, que provocou reações políticas na URSS, em virtude da ameaça que essa novidade representa para a ideologia estatal, resolveu o problema da fonte dos fenômenos mediúnicos. E essa fonte coincide perfeitamente, na estrutura e nas funções, bem como em sua constituição física, com o perispírito de Kardec. Diante dessa situação do problema nas Ciências atuais, como negar a validade da Ciência Espírita e sua atualidade flagrante?
d) O ECTOPLASMA — As leis que regem os fenômenos de movimentas de objetos à distância, sem contato e a formação de membros ou figuras humanas foram explicadas por Kardec como emissões do fluido ou energia vital dos médiuns, em conjugação com energias espirituais produzindo o que Crookes chamou de força psíquica. Com Richet, fisiologista, vingou a expressão ectoplasma. Geley pesquisou a ação do ectoplasma nesse mesmo sentido. Grawford realizou experiências sobre a mecânica do ectoplasma e Schrenk-Notzing chegou a colher porções do mesmo e submetê-las a análises histológicas em laboratórios de Berlim e Viena. Ochorowicz obteve a formação de fantasma humano (como Crookes), comprovando a realidade das materializações. Estas foram sempre consideradas como inaceitáveis pelos cientistas contrários ao Espiritismo. A Parapsicologia atual manteve-se cautelosa no tocante a experiências desse tipo. Não obstante, Soai e Caringthon obtiveram fenômenos de ectoplasmia numa sessão em Cambridge, a que já nos referimos. O médico Luis Parigot de Sousa, no círculo experimental de Odilon Negrão, produziu (como médium) alavancas de ectoplasma que foram fotografadas, elevando e movimentando objetos. O médico José Ribeiro de Carvalho, também em São Paulo, obteve formações ectoplásmicas com vários médiuns, em seu laboratório especial, que foram fotografadas e filmadas, sendo algumas fotos divulgadas por jornais e revistas. Com os médiuns Dr. Urbano de Assis Xavier e Ciro Milton de Abreu, em Marília e Cerqueira César (SP) obtivemos impressionantes fenômenos de ectoplasmia. A realidade desses fenômenos e a explicação de Kardec a
respeito não sofreram até agora nenhum desmentido válido. Pelo contrário, a experiência de Soal e Caringthon, seguida das experiências soviéticas na Universidade de Alma-Ata e em outros centros universitários da URSS, confirmaram o acerto de Kardec na colocação desse problema. A Ciência Espírita, tanto no plano teórico, quanto no prático, não sofreu nenhuma contestação das Ciências atuais no tocante ao problema do ectoplasma.
Os resultados das análises do ectoplasma, que Schrenk-Notzing mandou fazer em Berlim e Viena, acusaram matéria orgânica e células epiteliais nas amostras. Isso provava apenas que o ectoplasma provinha realmente do organismo mediúnico. Mas o essencial, que eram as energias em ação, já não estavam mais no material examinado. Caberia aos russos, em nossos dias, verificar as energias através de câmaras Kirilian, adaptadas a poderosos microscópios eletrônicos, segundo as informações obtidas na URSS pelas pesquisadoras da Universidade de Prentice Hall (EUA), que visitaram a URSS e entrevistaram os pesquisadores. (Ver o livro Experiências Psíquicas por trás da Cortina de Ferro, de Sheila Ostrander e Lynn Schroeder, Editora Cultrix, SP. 0 ectoplasma revelou-se como um fluxo de plasma físico de partículas atômicas, elétrons, prótons ionizados e outras partículas ainda não identificadas. A teoria kardeciana do perispírito confirma-se até nas minúcias: o corpo espiritual é um organismo unificado, como dizem os cientistas soviéticos, e apresenta-se resplandecente como um céu extremamente estrelado. A luminosidade constatada pelos videntes tem agora a sua comprovação tecnológica.
As campanhas fanáticas e difamatórias contra o Espiritismo afastaram numerosos cientistas da nova Ciência e impediram o desenvolvimento natural da doutrina no mundo. Perseguições religiosas, condenações acadêmicas, escândalos na imprensa, calúnias como as lançadas sobre Crookes e Richet produziram os resultados que as forças obscurantistas objetivavam. O Espiritismo, como a Filosofia Grega no tempo de Diógenes, que se refugiou num tonel, teve de refugiar-se no coração humilde mas sincero do povo, na cripta dos sentimentos religiosos. A Ciência Admirável de Descartes apagou as próprias luzes e enfurnou-se nos tonéis da beatice. Mas o avanço irresistível das Ciências ressuscitou das cinzas essa Fênix de asas consteladas, para que o seu esplendor possa iluminar o futuro do mundo. A consciência dos espíritas, essa Bela Adormecida d.o bosque do comodismo, terá de despertar ante a fulguração dos novos tempos

O ESPÍRITO E O TEMPO – J. Herculano Pires

Um comentário

  1. Estudo aprofundado do tradutor e homem múltiplo, serissimo, referência absoluta na vivência dos assuntos em pauta. Fico impressíonado com a capacidade de conhecimento e crítica. Isto sim é Espiritismo na sua expressão máxima.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *