{"id":2746,"date":"2019-11-18T23:12:05","date_gmt":"2019-11-19T02:12:05","guid":{"rendered":"https:\/\/www.estudosherculanopires.com.br\/site\/?p=2746"},"modified":"2021-10-21T01:16:44","modified_gmt":"2021-10-21T04:16:44","slug":"quadro-da-vida-espirita-revista-espirita-1859","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estudosherculanopires.com.br\/site\/2019\/11\/quadro-da-vida-espirita-revista-espirita-1859\/","title":{"rendered":"QUADRO DA VIDA ESP\u00cdRITA REVISTA ESP\u00cdRITA 1859"},"content":{"rendered":"\n\n\n\n\n<p><br><\/p>\n\n\n<h1 style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-208 size-full\" src=\"https:\/\/www.estudosherculanopires.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/logmaskHerculano-2.png\" alt=\"\" width=\"652\" height=\"317\" srcset=\"https:\/\/estudosherculanopires.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/logmaskHerculano-2.png 652w, https:\/\/estudosherculanopires.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/logmaskHerculano-2-300x146.png 300w\" sizes=\"(max-width: 652px) 100vw, 652px\" \/><\/span><\/h1>\n<div class=\"td-post-header\" style=\"text-align: justify;\"><header class=\"td-post-title\">\n<div id=\"js_4\" class=\"_5pbx userContent _3576\" data-testid=\"post_message\" data-ft=\"{&quot;tn&quot;:&quot;K&quot;}\">\n<p><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-size: 21px;\"><strong>Quadro da vida Esp\u00edrita &#8211; Revista Esp\u00edrita, <span style=\"font-size: 12px;\">abril\u00a0<\/span> 1859<\/strong><\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\">EDICEL- SP (1964)<br \/><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\">Traduzida rigorosamente conforme o original por: JULIO DE ABREU FILHO<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Todos n\u00f3s, sem exce\u00e7\u00e3o, atingimos, mais cedo ou mais tarde, o t\u00earmo fatal da vida; o que \u00e9 certo \u00e9 que nenhum poder subtrair-nos-ia a essa necessidade. Muitas vezes as preocupa\u00e7\u00f5es do mundo nos desviam do pensamento daquilo que se passa al\u00e9m-t\u00famulo; mas, ao chegar o momento supremo, n\u00e3o s\u00e3o poucos os que perguntam em que se v\u00e3o transformar, de vez que a ideia de deixar a exist\u00eancia sem uma possibilidade de retorno tem algo de pungente. <\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Com efeito, quem poderia encarar com indiferen\u00e7a a ideia de uma separa\u00e7\u00e3o absoluta e eterna de tudo quanto foi amado? Quem poderia ver sem assombro abrir-se \u00e0 sua frente o imenso abismo do nada, onde viriam desaparecer para sempre todas as nossas faculdades e todas as nossas esperan\u00e7as? &#8220;Oh! depois de mim, o nada; nada mais que o vazio; tudo acabado irremediavelmente; mais alguns dias e a minha lembran\u00e7a apagar-se-\u00e1 na mem\u00f3ria dos que me sobreviverem; em breve n\u00e3o restar\u00e1 nenhum tra\u00e7o de minha passagem pela terra; o pr\u00f3prio bem que eu tiver feito ser\u00e1 esquecido pelos ingratos a quem tiver beneficiado; e nada compensar\u00e1 tudo isto: nenhuma outra perspectiva al\u00e9m de meu corpo a ser ro\u00eddo pelos vermes!&#8221; <\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Este quadro do fim de um materialista, tra\u00e7ado por um Esp\u00edrito que tinha vivido esses pensamentos, n\u00e3o tem algo de horr\u00edvel e de glacial? Ensina-nos a religi\u00e3o que n\u00e3o pode ser assim, e a raz\u00e3o o confirma. Mas esta exist\u00eancia futura, vaga e indefinida, nada tem que satisfa\u00e7a o nosso amor ao que \u00e9 positivo. \u00c9 isto que gera a d\u00favida em muitos. V\u00e1 l\u00e1 que tenhamos uma alma. Mas o que \u00e9 a nossa alma? Ela tem forma e apar\u00eancia? \u00c9 um ser limitado ou indefinido? Dizem uns que \u00e9 um sopro de Deus; outros, que uma centelha; outros, uma parte do grande todo, o princ\u00edpio da vida e da intelig\u00eancia. Mas que \u00e9 o que tiramos de tudo isto? <\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Diz-se, ainda, seremos felizes ou infelizes, conforme o bem ou o mal que houvermos feito. Mas qual \u00e9 essa felicidade que nos espera no seio de Deus? As chamas do inferno s\u00e3o uma realidade ou uma fic\u00e7\u00e3o? A pr\u00f3pria Igreja o entende nesta \u00faltima acep\u00e7\u00e3o; mas quais s\u00e3o os sofrimentos? onde o lugar do supl\u00edcio? Numa palavra, que \u00e9 o que se faz ou se v\u00ea nesse mundo que nos espera a todos? <\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Costuma dizer-se que ningu\u00e9m voltou para nos dar informa\u00e7\u00f5es. \u00c9 um erro e a miss\u00e3o do Espiritismo \u00e9 precisamente esclarecer-nos sobre esse futuro, fazendo-nos, por assim dizer, toc\u00e1-lo e v\u00ea-lo, n\u00e3o pelo racioc\u00ednio, mas pelos fatos. <\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Gra\u00e7as \u00e0s comunica\u00e7\u00f5es espiritas, ela j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 uma presun\u00e7\u00e3o ou uma probabilidade, sobre a qual cada um borda \u00e0 vontade e que os poetas embelezam com as suas fic\u00e7\u00f5es ou semeiam de imagens aleg\u00f3ricas, que nos enganam: \u00e9 a pr\u00f3pria realidade que nos aparece, pois s\u00e3o os pr\u00f3prios seres de al\u00e9m-t\u00famulo que nos v\u00eam descrever a sua situa\u00e7\u00e3o, dizer-nos o que fazem, permitindo-nos, por assim dizer, assistir a todas as perip\u00e9cias de sua vida nova e, por tal meio, nos mostram a sorte inevit\u00e1vel que nos aguarda, conforme os nossos m\u00e9ritos e os nossos desm\u00e9ritos. <\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Que haver\u00e1 nisso de anti-religioso? Muito ao contr\u00e1rio, pois os incr\u00e9dulos ai encontram a f\u00e9 e os mornos uma renova\u00e7\u00e3o do fervor e da confian\u00e7a. \u00c9 pois, o Espiritismo o mais poderoso auxiliar da religi\u00e3o. Por isso que assim \u00e9, Deus o permite, para reanimar nossas esperan\u00e7as vacilantes e nos reconduzir ao caminho do bem, pela perspectiva do futuro que nos aguarda. As palestras familiares de al\u00e9m-t\u00famulo, que publicamos, a descri\u00e7\u00e3o que elas encerram da situa\u00e7\u00e3o dos Esp\u00edritos que nos falam, iniciam-nos \u00e0s suas penas, \u00e0s suas alegrias, \u00e0s suas ocupa\u00e7\u00f5es. S\u00e3o um quadro animado da vida espirita e, na mesma variedade dos assuntos, podemos encontrar as analogias que nos tocam. <\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Vamos tentar resumir o seu conjunto. Inicialmente consideremos a alma \u00e0 sa\u00edda deste mundo e vejamos o que se passa nessa transmigra\u00e7\u00e3o. Extinguindo-se as for\u00e7as vitais, o Esp\u00edrito se desprende do corpo no momento em que cessa a vida org\u00e2nica. Mas a separa\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 brusca ou instant\u00e2nea. Por vezes come\u00e7a antes da cessa\u00e7\u00e3o completa da vida; nem sempre \u00e9 completa no instante da morte. Sabemos que entre o Esp\u00edrito e o corpo existe um la\u00e7o semi-material, que constitui o primeiro envolt\u00f3rio. Este la\u00e7o n\u00e3o se quebra subitamente; e, enquanto subsiste, fica o Esp\u00edrito num estado de perturba\u00e7\u00e3o compar\u00e1vel ao que acompanha o despertar.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"> Muitas vezes duvida de sua morte; sente que existe, v\u00ea-se e n\u00e3o compreende possa viver sem seu corpo, do qual se sente separado; os la\u00e7os que ainda o prendem \u00e0 mat\u00e9ria o tornam acess\u00edvel a certas sensa\u00e7\u00f5es, que toma como sensa\u00e7\u00f5es f\u00edsicas. O Espirito s\u00f3 se reconhece quando completamente livre. At\u00e9 ent\u00e3o n\u00e3o se d\u00e1 conta de sua situa\u00e7\u00e3o. A dura\u00e7\u00e3o desse estado de perturba\u00e7\u00e3o, como j\u00e1 o dissemos em outras ocasi\u00f5es, \u00e9 muito vari\u00e1vel: pode ser de algumas horas, como de v\u00e1rios meses. Mas \u00e9 raro que ao cabo de alguns dias o Espirito n\u00e3o se reconhe\u00e7a mais ou menos bem. <\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Entretanto, como tudo lhe \u00e9 estranho e desconhecido, \u00e9-lhe necess\u00e1rio um certo tempo para familiarizar-se com a sua nova maneira de perceber as coisas. Solene \u00e9 o instante em que um deles ve cessar a sua escraviza\u00e7\u00e3o, pela rutura dos la\u00e7os que o prendem ao corpo. Ao entrar no mundo dos Esp\u00edritos, \u00e9 acolhido pelos amigos que o v\u00eam receber, como se voltasse de penosa viagens. Se a travessia foi feliz, isto \u00e9, se o tempo de ex\u00edlio foi empregado de maneira proveitosa para si e o elevou na hierarquia do mundo dos Esp\u00edritos, eles o felicitam. <\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Ai encontra os conhecidos, mistura-se aos que o amam e com ele simpatizam e, ent\u00e3o, para ele come\u00e7a verdadeiramente sua nova exist\u00eancia.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"> O envolt\u00f3rio semi-material do Esp\u00edrito constitui uma esp\u00e9cie de corpo de uma forma definida, limitada e an\u00e1loga \u00e0 nossa. Mas esse corpo n\u00e3o tem os nossos \u00f3rg\u00e3os e n\u00e3o pode sentir todas as nossas impress\u00f5es. Entretanto percebe tudo quanto percebemos: a luz, os sons, os odores, etc. <\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">E estas sensa\u00e7\u00f5es n\u00e3o s\u00e3o menos reais, posto nada tenham de material; t\u00eam, at\u00e9, algo de mais claro, de mais preciso, de mais sutil, porque lhe chegam sem intermedi\u00e1rio, sem passar pela fieira dos \u00d3rg\u00e3os que as embotam. <\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">A faculdade de perceber \u00e9 inerente ao Esp\u00edrito; \u00e9 um atributo de todo o seu ser; as sensa\u00e7\u00f5es lhe chegam por toda a parte e n\u00e3o por canais circunscritos. Falando da vis\u00e3o, dizia-nos um Esp\u00edrito: &#8220;\u00c9 uma faculdade do Esp\u00edrito e n\u00e3o do corpo; vedes pelos olhos, mas n\u00e3o \u00e9 o olho que v\u00ea: \u00e9 o Esp\u00edrito.&#8221;<\/span><br \/><span style=\"color: #000000;\">Pela conforma\u00e7\u00e3o de nossos \u00f3rg\u00e3os necessitamos de certos ve\u00edculos para as nossas sensa\u00e7\u00f5es. \u00c9 assim que nos \u00e9 preciso a luz, a fim de refletir os objetos, o ar para nos transmitir os sons. Tais ve\u00edculos tornam-se in\u00fateis, desde que n\u00e3o tenhamos mais os intermedi\u00e1rios que os tornam necess\u00e1rios. Assim, pois, o Esp\u00edrito v\u00ea sem auxilio de nossa luz, ouve sem necessidade das vibra\u00e7\u00f5es do ar. Eis por que para ele n\u00e3o h\u00e1 obscuridade. <\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Mas as sensa\u00e7\u00f5es permanentes e indefinidas, por mais agrad\u00e1veis que sejam, com o tempo tornarse-iam fatigantes, se n\u00e3o fosse poss\u00edvel a elas subtrair-se. Por isso tem o Esp\u00edrito a faculd ade de as suspender: \u00e0 vontade ele pode deixar de ver, de ouvir, de sentir tais ou quais coisas e, consequentemente, n\u00e3o ver, n\u00e3o ouvir, n\u00e3o sentir sen\u00e3o aquilo que queira.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"> Tal faculdade est\u00e1 na raz\u00e3o de sua superioridade: porque coisas h\u00e1 que os Esp\u00edritos inferiores n\u00e3o podem evitar, pelo que sua situa\u00e7\u00e3o se torna penosa. A princ\u00edpio o Esp\u00edrito n\u00e3o compreende essa nova maneira de sentir, da qual s\u00f3 aos poucos se d\u00e1 conta. Aqueles cuja intelig\u00eancia \u00e9 ainda muito atrasada n\u00e3o o compreendem absolutamente e sentiriam muita dificuldade em exprimi-lo: exatamente como entre n\u00f3s os ignorantes veem e se movem, sem saber como nem porqu\u00ea. <\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Esta possibilidade de compreender o que se acha acima de seu alcance, aliada \u00e0 fanfarronada, de ordin\u00e1rio acompanha a ignor\u00e2ncia e \u00e9 a fonte de teorias absurdas, dadas por certos Esp\u00edritos, os quais induzir-nos-iam em erro, se as aceit\u00e1ssemos sem controle e se, pelos meios fornecidos pela experi\u00eancia e pelo h\u00e1bito de com eles conversar, n\u00e3o nos tiv\u00e9ssemos assegurado do grau de confian\u00e7a que eles merecem. <\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Sensa\u00e7\u00f5es h\u00e1 cuja fonte se acha no pr\u00f3prio estado dos \u00f3rg\u00e3os. Ora, as necessidades inerentes ao nosso corpo n\u00e3o se podem verificar desde que n\u00e3o exista mais corpo. Assim, pois, o Espirito n\u00e3o experimenta nenhuma fadiga, como nenhuma necessidade de repouso ou de alimentos, desde que n\u00e3o tem que reparar nenhum desperd\u00edcio. N\u00e3o \u00e9 afligido por nenhuma das nossas enfermidades. As necessidades do corpo determinam necessidades sociais, que para eles n\u00e3o mais existem. Assim, para ele n\u00e3o mais existem as preocupa\u00e7\u00f5es dos neg\u00f3cios, as disc\u00f3rdias, as mil e umas tribula\u00e7\u00f5es do mundo e os tormentos que nos causamos para nos proporcionarmos as necessidades ou as superfluidades da vida. <\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><strong>Eles t\u00eam pena do esfor\u00e7o que fazemos por causa de futilidades<\/strong>. Entretanto, quanto mais felizes s\u00e3o os Esp\u00edritos elevados, tanto mais sofrem os inferiores. Mas esses sofrimentos s\u00e3o ang\u00fastias; e, posto nada tenham de f\u00edsico, nem por isso s\u00e3o menos pungentes: eles t\u00eam todas as paix\u00f5es e todos os desejos que tinham em vida (referimo-nos aos Esp\u00edritos inferiores) e seu castigo \u00e9 o de n\u00e3o poder satisfaz\u00ea-los. Isto lhes \u00e9 uma tortura, que julgam eterna, por isso que sua mesma inferioridade n\u00e3o permite que lhes vejam o t\u00e9rmino, o que lhes vem a ser um castigo. <\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">A palavra articulada \u00e9 uma necessidade de nossa organiza\u00e7\u00e3o. Como os Esp\u00edritos n\u00e3o necessitam de sons vibrados para lhes ferir o ouvido, compreendem-se pela simples transmiss\u00e3o do pensamento, assim como por vezes acontece que nos entendamos por um simples olhar. Entretanto os Esp\u00edritos fazem barulho. Sabemos que podem agir sobre a mat\u00e9ria e esta transmite-nos o sons. \u00c9 assim que se d\u00e3o a entender, quer por meio dos golpes vibrados, quer por meio de gritos no vago. Mas ent\u00e3o fazem-no por n\u00f3s e n\u00e3o por si. Voltaremos ao assunto em artigo especial, no qual trataremos da faculdade dos m\u00e9diuns auditivos. <\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Enquanto arrastamos penosamente pela terra o nosso corpo pesado e material, como o calceta as suas correntes, o dos Esp\u00edritos, vaporoso e et\u00e9reo, transporta-se sem fadiga de um lugar para outro, rasga o espa\u00e7o com a velocidade do pensamento e tudo penetra, sem encontrar qualquer obst\u00e1culo na mat\u00e9ria. O Esp\u00edrito v\u00ea tudo aquilo que vemos, e mais claramente do que n\u00f3s. Al\u00e9m disso v\u00ea aquilo que n\u00e3o nos permitem os nossos sentidos limitados; chega a penetrar na mat\u00e9ria e ver aquilo que ela oculta aos nossos olhos. <\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">N\u00e3o s\u00e3o, pois, os Esp\u00edritos seres vagos e indefinidos, conforme as abstratas defini\u00e7\u00f5es da alma, a que nos referimos pouco antes; s\u00e3o seres reais, determinados, circunscritos, que gozam de todas as nossas faculdades e de outras que nos s\u00e3o desconhecidas por isto que s\u00e3o inerentes \u00e0 sua natureza: eles t\u00eam as qualidades da mat\u00e9ria que lhes \u00e9 peculiar e constituem o mundo invis\u00edvel que povoa o espa\u00e7o, envolvendo-nos e se acotovelando incessantemente conosco. Suponhamos por um instante desfeito o v\u00e9u material, que os oculta aos nossos olhos: ver-nos-\u00edamos envolvidos por uma multid\u00e3o de seres que v\u00e3o e v\u00eam, agitando-se em torno de n\u00f3s e nos observando, do mesmo modo que far\u00edamos se nos encontr\u00e1ssemos em uma assembleia de cegos. Para os Esp\u00edritos n\u00f3s somos os cegos e eles s\u00e3o os videntes. <\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Dissemos que ao entrar em sua nova vida, o Esp\u00edrito requer algum tempo para se reconhecer; que tudo lhe \u00e9 estranho e desconhecido. Perguntar\u00e3o como pode ser assim se j\u00e1 teve outras exist\u00eancias corp\u00f3reas; essas exist\u00eancias foram separadas por intervalos, durante os quais ele habitou o mundo dos Esp\u00edritos. Ent\u00e3o esse mundo n\u00e3o lhe deve ser desconhecido, desde que n\u00e3o o v\u00ea pela primeira vez. <\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">V\u00e1rias causas contribuem para que essas percep\u00e7\u00f5es, posto j\u00e1 experimentadas, lhe pare\u00e7am novas. Como dissemos, a morte \u00e9 sempre seguida por um instante de perturba\u00e7\u00e3o, o qual pode ser de curta dura\u00e7\u00e3o. Nesse estado suas ideias s\u00e3o sempre vagas e confusas; a vida corp\u00f3rea confunde-se, at\u00e9 certo ponto, com a vida espirita e ele ainda n\u00e3o as pode separar em seu pensamento. Dissipada a primeira impress\u00e3o, as ideias pouco a pouco se aclaram, com o que volta, mas gradativamente, a lembran\u00e7a do passado; esta, entretanto, nunca irrompe bruscamente. Somente quando ele se encontra inteiramente desmaterializado \u00e9 que o passado se desdobra \u00e0 sua frente como uma perspectiva, ao sair de um nevoeiro. S\u00f3 ent\u00e3o ele se recorda de todos as atos de sua \u00faltima exist\u00eancia, depois das exist\u00eancias anteriores e de suas v\u00e1rias passagens pelo mundo dos Esp\u00edritos. Compreende, assim, que, durante um certo tempo, este mundo lhe pare\u00e7a novo, at\u00e9 que ele ai se reconhe\u00e7a completamente e at\u00e9 que tenha recuperado de maneira precisa a lembran\u00e7a das sensa\u00e7\u00f5es aqui experimentadas. <\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">A esta causa, entretanto, deve juntar-se outra, n\u00e3o menos preponderante. O estado do Esp\u00edrito, como Esp\u00edrito, varia extraordin\u00e1riamente, na raz\u00e3o de sua eleva\u00e7\u00e3o e de seu grau de pureza.\u00a0 A medida que se eleva e se depura, suas percep\u00e7\u00f5es e suas sensa\u00e7\u00f5es menos grosseiras se tornam; adquirem mais acuidade, mais sutileza, mais delicadeza; v\u00ea, sente e compreende coisas que n\u00e3o poderia ver, sentir ou compreender numa condi\u00e7\u00e3o inferior. Ora, sendo-lhe cada exist\u00eancia corp\u00f3rea uma oportunidade de progresso, lan\u00e7a-o a um novo meio, pois que, caso tenha progredido, encontra-se entre Esp\u00edritos de outra ordem, cujos pensamentos e h\u00e1bitos s\u00e3o completamente diferentes. Acrescente-se que tal depura\u00e7\u00e3o lhe permite, sempre como Es-p\u00edrito, penetrar nesses mundos inacess\u00edveis aos Esp\u00edritos inferiores, do mesmo modo que nos sal\u00f5es da alta sociedade n\u00e3o t\u00eam acesso as pessoas deseducadas. Quanto menos esclarecido, tanto mais limitado lhe \u00e9 o horizonte; \u00e0 medida que se eleva e se depura, esse horizonte se amplia e, com este, o circulo de suas ideias e percep\u00e7\u00f5es. <\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">A compara\u00e7\u00e3o, que se segue permite compreend\u00ea-lo. Suponhamos um campon\u00eas bruto ignorante, vindo a Paris pela primeira vez. Poder\u00e1 conhecer e compreender a Paris dos meios s\u00e1bios e elegantes? N\u00e3o; porque frequentar\u00e1 apenas as pessoas de sua classe e os bairros por estas habitados. Mas se, no intervalo de uma segunda viagem, esse campon\u00eas se desenvolveu e adquiriu instru\u00e7\u00e3o e boas maneiras, outros ser\u00e3o os seus h\u00e1bitos e as suas rela\u00e7\u00f5es. Ent\u00e3o ver\u00e1 um mundo novo, em nada semelhante \u00e0 Paris de outrora.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">D\u00e1-se o mesmo com os Esp\u00edritos. Mas nem todos experimentam o mesmo grau de incerteza. A medida que progridem desenvolvem-se-lhes as ideias e a mem\u00f3ria \u00e9 mais pronta; familiarizaram-se previamente com a sua nova situa\u00e7\u00e3o; seu regresso entre os Esp\u00edritos j\u00e1 nada possui que lhes cause admira\u00e7\u00e3o; encontram-se em seu meio normal e, passado o primeiro momento de perturba\u00e7\u00e3o, se reconhecem quase que imediata-mente. <\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Tal \u00e9 a situa\u00e7\u00e3o geral dos Esp\u00edritos, naquele estado chamado de erraticidade. Mas, que \u00e9 o que fazem neste estado? Como passam o tempo? S\u00e3o perguntas de interesse capital. S\u00e3o eles mesmos que no-lo respondem, como foram os pr\u00f3prios a dar as explica\u00e7\u00f5es que acabamos de transmitir, de vez que nada disto \u00e9 fruto de nossa imagina\u00e7\u00e3o; n\u00e3o se trata de um sistema sa\u00eddo de nosso c\u00e9rebro: julgamos pelo que vemos e ouvimos. Posta de lado qualquer opini\u00e3o relativamente ao Espiritismo, h\u00e3o de convir que esta teoria da vida de al\u00e9m-t\u00famulo nada cont\u00e9m de irracional; ela apresenta uma senci\u00eancia e um encadeamento perfeitamente l\u00f3gicos e que fariam honra a qualquer fil\u00f3sofo. <\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Seria erro pensar que a vida esp\u00edrita seja uma vida ociosa. Ao contr\u00e1rio, ela \u00e9 essencialmente ativa e todos nos falam de suas ocupa\u00e7\u00f5es. Tais ocupa\u00e7\u00f5es necessariamente diferem, conforme seja o Esp\u00edrito errante ou encarnado. No estado de encarnados, s\u00e3o elas relativas \u00e0 natureza dos mundos que habitam, \u00e0s necessidades que dependem do estado f\u00edsico e moral desses mundos, bem como da organiza\u00e7\u00e3o dos seres vivos. E n\u00e3o \u00e9 de tal coisa que devemos aqui tratar. Falaremos apenas dos Esp\u00edritos errantes.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"> Entre os que j\u00e1 atingiram certo grau de desenvolvimento, uns velam pela realiza\u00e7\u00e3o dos des\u00edgnios de Deus nos grandes destinos do Universo; dirigem a marcha dos acontecimentos e concorrem ao progresso de cada mundo. Outros tomam os indiv\u00edduos sob sua prote\u00e7\u00e3o, constituindo-se seus g\u00eanios tutelares e anjos de guarda e os acompanhando desde o nascimento at\u00e9 \u00e0 morte, buscando encaminh\u00e1-los pela via do bem. E sentem-se felizes quando seus esfor\u00e7os s\u00e3o coroados pelo sucesso. Alguns encarnam-se em mundos inferiores, para neles realizarem miss\u00f5es de progresso; pelo trabalho, pelo exemplo, pelos conselhos e pelos ensinamentos procuram fazer que uns progridam nas ci\u00eancias e nas artes, outros na moral. Ent\u00e3o se submetem voluntariamente \u00e0s vicissitudes de uma vida corp\u00f3rea por vezes penosa, com o objetivo de fazer o bem; e o bem que fazem lhes \u00e9 contado. Muitos, enfim, n\u00e3o t\u00eam qualquer atribui\u00e7\u00e3o especial: v\u00e3o a todo lugar onde sua presen\u00e7a \u00e9 \u00fatil, dar conrelhos, inspirar boas ideias, animar os desanimados, fortificar os fracos e castigar os presun\u00e7osos. Se se considerar o n\u00famero infinito de mundos que povoam o universo e o n\u00famero incalcul\u00e1vel de seres que os habitam, compreender-se-\u00e1 que os Esp\u00edritos t\u00eam muito com que se ocupar. Tais ocupa\u00e7\u00f5es, entretanto, nada lhes t\u00eam de penosas: exercem-nas com alegria, voluntariamente, sem constrangimento, e sua felicidade \u00e9 triunfar naquilo que empreendem; ningu\u00e9m pensa numa ociosidade eterna, que seria um verdadeiro supl\u00edcio. Quando as circunst\u00e2ncias o exigem, re\u00fanem-se em conselho, deliberam sobre a marcha a seguir, conforme os acontecimentos, d\u00e3o ordens aos Esp\u00edritos que lhes s\u00e3o subordinados e, a seguir, v\u00e3o para onde lhes chama o dever.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"> Estas assembleias s\u00e3o mais gerais ou mais particulares, conforme a import\u00e2ncia do assunto; nenhum lugar especial ou circunscrito \u00e9 afetado por tais reunidos. O espa\u00e7o \u00e9 o dom\u00ednio dos Esp\u00edritos. Contudo \u00eales ficam de prefer\u00eancia nos mundos onde est\u00e3o os seus objetivos. Os Esp\u00edritos encarnados, que a\u00ed est\u00e3o em miss\u00e3o, delas participam, conforme a sua eleva\u00e7\u00e3o: enquanto o corpo repousa, v\u00e3o eles beber conselhos entre os outros Esp\u00edritos e, por vezes, receber ordens relacionadas com a conduta que devem ter, como homens. \u00c9 verdade que ao despertar n\u00e3o guardam lembran\u00e7a muito n\u00edtida daquilo que se passou, mas t\u00eam intui\u00e7\u00e3o, que os leva a um procedimento como que espont\u00e2neo. <\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Descendo na hierarquia, encontramos Esp\u00edritos menos elevados, menos depurados e, conseguintemente, menos esclarecidos; nem por isso s\u00e3o menos bons e, numa esfera de atividade mais restrita, desempenham fun\u00e7\u00f5es an\u00e1logas. Em vez de estender-se a diferentes mundos, sua a\u00e7\u00e3o \u00e9 antes exercitada num mundo especial e relacionado com o seu grau de desenvolvimento; sua influ\u00eancia \u00e9 mais individual e tem como objetivo coisas de menor import\u00e2ncia. Vem a seguir a multid\u00e3o de Esp\u00edritos vulgares, mais ou menos bons, mais ou menos maus, que pululam em torno de n\u00f3s. Estes se elevam pouco a pouco acima da humanidade, cujas nuan\u00e7as representam, e como que refletem, pois que t\u00eam todos os v\u00edcios e virtudes dessa humanidade. <\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Em muitos deles encontramos os gostos, ideias e inclina\u00e7\u00f5es que possu\u00edam em vida; suas faculdades s\u00e3o limitadas, seu julgamento fal\u00edvel, como o dos homens e, por vezes, mesmo, err\u00f3neo e imbu\u00eddo de preconceitos. Noutros \u00e9 mais desenvolvido o senso moral: mesmo sem grande superioridade nem grande profundidade, julgam com mais crit\u00e9rio, por vezes, mesmo, condenando aquilo que fizeram, disseram ou pensaram em vida. Ali\u00e1s h\u00e1 uma coisa not\u00e1vel: \u00e9 que, mesmo entre os Esp\u00edritos mais comuns, de um modo geral, os sentimentos s\u00e3o mais puros como Esp\u00edritos do que como homens. A vida espirita os esclarece quanto aos seus defeitos e, salvo muito poucas exce\u00e7\u00f5es, arrependem-se amargamente e lamentam o mal que fizeram, pois lhe sofrem mais ou menos cruelmente as consequ\u00eancias.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"> Vimos alguns destes que eram melhores do que tinham sido em vida; nunca, por\u00e9m, os vimos piores. O endurecimento absoluto \u00e9 muito raro e apenas tempor\u00e1rio: mais cedo ou mais tarde acabam lamentando a sua posi\u00e7\u00e3o. Pode, pois, dizer-se que todos aspiram o aperfei\u00e7oamento, porque todos compreedem que \u00e9 este o \u00fanico meio de sair da inferioridade. Instruir-se, esclarecer-se \u2014 eis a sua grande preocupa\u00e7\u00e3o e eles se sentem felizes quando podem a isto acrescentar pequenas miss\u00f5es de confian\u00e7a, que os elevam aos seus pr\u00f3prios olhos. <\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Tamb\u00e9m eles t\u00eam as suas assembleias, de maior ou menor import\u00e2ncia, conforme a natureza de seus pensamentos. Falam-nos, veem e observam aquilo que se passa; participam de nossas reuni\u00f5es, de nossos jogos, de nossas festas e de nossos espet\u00e1culos, assim como de nossas ocupa\u00e7\u00f5es s\u00e9rias; escutam as nossas conversas \u2014 os mais levianos, como divertimento ou para rirem-se \u00e0 nossa custa, ou ainda para nos pregarem uma pe\u00e7a, desde que o possam; os outros, a fim de instruir-se. Observam os homens, analisam o seu car\u00e1ter e fazem aquilo que se costuma chamar estudo de costumes, com o fito de escolherem a sua exist\u00eancia fatura. <\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Vimos o Esp\u00edrito no momento em que, deixando o corpo, entra em sua vida nova. Analisamos as suas sensa\u00e7\u00f5es e seguimos-lhe o desenvolvimento das ideias. Os primeiros momentos s\u00e3o empregados em reconhecer-se e dar-se conta do que se passa em si. Numa palavra, ele, por assim dizer, experimenta as pr\u00f3prias faculdades, como a crian\u00e7a que, pouco a pouco, v\u00ea crescerem-lhe as for\u00e7as e os pensamentos. Falamos dos Esp\u00edritos vulgares, pois os outros, como j\u00e1 dissemos, est\u00e3o de certo modo, e previamente, identificados com o estado esp\u00edrita, que nenhuma surpresa lhe causa, sen\u00e3o a alegria de se encontrarem livres dos entraves e dos sofrimentos f\u00edsicos.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"> Entre os Esp\u00edritos inferiores muitos sentem saudades da vida terrena, porque sua situa\u00e7\u00e3o como Espirito \u00e9 cem vezes pior. Eis por que buscam distrair-se com a vis\u00e3o daquilo com que outrora se deliciavam; mas essa mesma vis\u00e3o lhes \u00e9 um supl\u00edcio, porque sentem desejos, mas n\u00e3o os podem satisfazer. Entre os Esp\u00edritos \u00e9 geral a necessidade de progresso. E isto os excita ao trabalho por seu melhoramento, de vez que compreendem que \u00e9 este o pre\u00e7o de sua felicidade. Mas nem todos sentem essa necessidade no memo grau, principalmente no in\u00edcio; alguns, mesmo, chegam a comprazer-se numa esp\u00e9cie de vagabundagem, ali\u00e1s de pouca dura\u00e7\u00e3o; logo a atividade se lhes torna uma necessidade imperiosa, \u00e0 qual, ali\u00e1s, s\u00e3o arrastados por outros Esp\u00edritos, que lhes instilam os sentimentos do bem.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"> Vem a seguir a esc\u00f3ria do mundo esp\u00edrita, constitu\u00edda de todos os Esp\u00edritos impuros, cuja preocupa\u00e7\u00e3o \u00fanica \u00e9 o mal. Sofrem e desejariam que todos sofressem como eles. A inveja lhes torna odiosa toda superioridade; o \u00f3dio \u00e9 a sua ess\u00eancia. N\u00e3o podendo influir sobre os Esp\u00edritos, investem contra os homens, atacando aos que lhes parecem mais fracos. Excitar as paix\u00f5es ruins, insuflar a disc\u00f3rdia, separar os amigos, provocar rixas, pavonear o orgulho dos ambiciosos, a fim de dar-se ao prazer de os abater em seguida, espalhar o erro e a mentira, numa palavra, desviar do bem, tais s\u00e3o os seus pensamentos dominantes. <\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Mas por que permite Deus que assim seja? Deus n\u00e3o tem que nos prestar contas. Dizem-nos os Esp\u00edritos superiores que os maus s\u00e3o prova\u00e7\u00f5es para os bons e que n\u00e3o h\u00e1 virtude onde n\u00e3o h\u00e1 vit\u00f3ria a conquistar. Ali\u00e1s, se esses Esp\u00edritos malfazejos se encontram em nossa terra, \u00e9 que aqui encontram eco e simpatia. Console-nos o pensamento de que, acima deste fango (lodo) que nos cerca, existem seres puros e benevolentes, que nos amam, nos sustentam, nos encorajam e nos estendem os bra\u00e7os, atraindo-nos, a fim de nos conduzirem a mundos melhores, onde o mal n\u00e3o encontra acesso, desde que saibamos fazer aquilo que devemos para o merecer. <\/span><br \/><br \/><br \/><br \/><br \/><br \/><br \/><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<\/div>\n<\/header><\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<div class=\"td-post-header\" style=\"text-align: justify;\"><header class=\"td-post-title\">\n<div id=\"js_4\" class=\"_5pbx userContent _3576\" data-testid=\"post_message\" data-ft=\"{&quot;tn&quot;:&quot;K&quot;}\">\n<p><span style=\"color: #000000;\"><br \/><br \/><\/span><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<\/div>\n<\/header><\/div>\n<div class=\"td-post-sharing-top\" style=\"text-align: justify;\">\n<div id=\"td_social_sharing_article_top\" class=\"td-post-sharing td-ps-bg td-ps-notext td-post-sharing-style1 \">\n<div class=\"td-post-sharing-visible\">\n<div class=\"td-social-but-icon\">\u00a0<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"td-post-content\">\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<div style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n\n\n<p><\/p>\n\n\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quadro da vida Esp\u00edrita &#8211; 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