{"id":1649,"date":"2019-04-15T18:33:52","date_gmt":"2019-04-15T21:33:52","guid":{"rendered":"https:\/\/www.estudosherculanopires.com.br\/site\/?p=1649"},"modified":"2021-10-21T01:15:41","modified_gmt":"2021-10-21T04:15:41","slug":"da-proibicao-de-evocar-os-mortos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estudosherculanopires.com.br\/site\/2019\/04\/da-proibicao-de-evocar-os-mortos\/","title":{"rendered":"DA PROIBI\u00c7\u00c3O DE EVOCAR OS MORTOS"},"content":{"rendered":"\n<p><br><\/p>\n\n\n<header>\n<h1 style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-208 size-full\" src=\"https:\/\/www.estudosherculanopires.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/logmaskHerculano-2.png\" alt=\"\" width=\"652\" height=\"317\" srcset=\"https:\/\/estudosherculanopires.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/logmaskHerculano-2.png 652w, https:\/\/estudosherculanopires.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/logmaskHerculano-2-300x146.png 300w\" sizes=\"(max-width: 652px) 100vw, 652px\" \/><\/span><\/h1>\n<\/header>\n<div id=\"content\" class=\"post-single-content box mark-links\" style=\"text-align: justify;\">\n<div>\n<p><span style=\"color: #000000; font-family: arial, helvetica, sans-serif; font-size: 16px;\"><strong>DA PROIBI\u00c7\u00c3O DE EVOCAR OS MORTOS\u00a0 <\/strong>Cap. 11 ou A Justi\u00e7a Divina Segundo o Espiritismo.<\/span><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div id=\"content\" class=\"post-single-content box mark-links\" style=\"text-align: justify;\">\n<div>\n<p><br \/><span style=\"color: #000000;\">1 \u2014A Igreja n\u00e3o nega de maneira alguma a exist\u00eancia das manifesta\u00e7\u00f5es. Pelo contr\u00e1rio, ela as admite todas, como vimos nas cita\u00e7\u00f5es precedentes, mas atribuindo-as \u00e0 interven\u00e7\u00e3o exclusiva dos dem\u00f4nios. \u00c9 por engano que alguns invocam o Evangelho para as proibir, porque o Evangelho n\u00e3o diz uma s\u00f3 palavra nesse sentido. O supremo argumento que se apresenta \u00e9 a proibi\u00e7\u00e3o de Mois\u00e9s. Eis em que termos se refere ao assunto a pastoral mencionada nos cap\u00edtulos precedentes:<\/span><br \/><span style=\"color: #000000;\">N\u00e3o \u00e9 permitido entrar em rela\u00e7\u00e3o com eles (os Esp\u00edritos) seja imediatamente, seja por interm\u00e9dio dos que os invocam e os interrogam. A lei mosaica punia com a morte essas pr\u00e1ticas detest\u00e1veis, em uso entre os gentios. \u2014 N\u00e3o procureis os m\u00e1gicos, diz o livro do Lev\u00edtico, e n\u00e3o fa\u00e7ais aos adivinhos nenhuma pergunta, para n\u00e3o incorrerdes na contamina\u00e7\u00e3o de vos dirigirdes a eles. (Cap. XIX, v. 31.) \u2014 Se um homem ou uma mulher tem um Esp\u00edrito de P\u00edton ou de adivinha\u00e7\u00e3o, que sejam punidos com a morte; ser\u00e3o lapidados e o seu sangue cair\u00e1 sobre as suas cabe\u00e7as. (Cap. XX, v. 27.) E no livro do Deuteron\u00f4mio: Que n\u00e3o haja entre v\u00f3s pessoas que consultem os adivinhos, ou que observem os sonhos e os aug\u00farios, ou que usem de malef\u00edcios, de sortil\u00e9gios ou de encantamentos, ou quem consultem o Esp\u00edrito de P\u00edton e quem pratique a adivinha\u00e7\u00e3o ou interrogue os mortos para saber a verdade; porque o Senhor considera em abomina\u00e7\u00e3o todas essas coisas e destruir\u00e1 com a vossa chegada as na\u00e7\u00f5es que cometem esses crimes. (Cap. XVIII, v. 10, 11, 12.)<\/span><\/p>\n<p><br \/><span style=\"color: #000000;\">2 \u2014 \u00c9 conveniente, para compreens\u00e3o do verdadeiro sentido das palavras de Mois\u00e9s, lembrar o texto completo, que foi um tanto abreviado nessas cita\u00e7\u00f5es: N\u00e3o vos desvieis do vosso Deus para procurar os m\u00e1gicos e n\u00e3o consulteis os adivinhos para n\u00e3o vos contaminardes ao vos dirigir a eles. Eu sou o Senhor vosso Deus. (Lev\u00edtico, cap. XIX, v. 31.) Se um homem ou uma mulher tem o Esp\u00edrito de P\u00edton ou um Esp\u00edrito de adivinha\u00e7\u00e3o, que sejam punidos com a morte: eles ser\u00e3o lapidados e o seu sangue cair\u00e1 sobre as suas cabe\u00e7as. (Lev\u00edtico, cap. XX, v. 27.) <\/span><br \/><span style=\"color: #000000;\">Quando tiverdes entrado no pa\u00eds que o Senhor vosso Deus vos dar\u00e1, guardai-vos de imitar as abomina\u00e7\u00f5es daqueles povos: \u2014 E que n\u00e3o se encontre entre v\u00f3s quem pretenda purificar seu filho ou sua filha fazendo-os passar pelo fogo ou quem consulte os adivinhos ou observe os sonhos e os aug\u00farios, ou pratique malef\u00edcios, sortil\u00e9gios e encantamentos, ou quem consulte os que t\u00eam o Esp\u00edrito de P\u00edton, e quem se ponha a adivinhar ou a interrogar os mortos para saber a verdade. \u2014 Porque o Senhor considera em abomina\u00e7\u00e3o todas essas coisas e exterminar\u00e1 todos esses povos na vossa chegada, por causa dessas esp\u00e9cies de crimes que eles t\u00eam cometido. (Deuteron\u00f4mio, cap. XVIII. v. 9.10, 11 e 12.)<\/span><\/p>\n<p><br \/><span style=\"color: #000000;\">3 \u2014 Se a lei de Mois\u00e9s deve ser rigorosamente observada nesse ponto, deve s\u00ea-lo igualmente sobre todos os outros, pois como seria ela boa no concernente \u00e0s evoca\u00e7\u00f5es e m\u00e1 no tocante a outros assuntos? \u00c9 necess\u00e1rio ser consequente: se reconhecermos que essa lei n\u00e3o est\u00e1 mais de acordo com o nosso costume e a nossa \u00e9poca por alguns motivos, n\u00e3o haver\u00e1<\/span><br \/><span style=\"color: #000000;\">raz\u00e3o para que o mesmo n\u00e3o aconte\u00e7a no tocante \u00e0 proibi\u00e7\u00e3o de que tratamos. \u00c9 necess\u00e1rio que nos reportemos aos motivos determinantes dessa proibi\u00e7\u00e3o, motivos que tinham na ocasi\u00e3o a sua raz\u00e3o de ser, mas que hoje seguramente n\u00e3o existem mais. O legislador hebreu desejava que seu povo rompesse com todos os costumes trazidos do Egito, onde as evoca\u00e7\u00f5es eram usadas de maneira abusiva como o provam estas palavras de Isa\u00edas: &#8220;O Esp\u00edrito do Egito se aniquilar\u00e1 por si mesmo e eu precipitarei o seu conselho; eles consultaram os seus \u00eddolos, os seus adivinhos, as suas pitonisas e os seus m\u00e1gicos.&#8221; (Cap. XIX, v. 3.)<\/span><br \/><span style=\"color: #000000;\">Al\u00e9m disso, os Israelitas n\u00e3o deviam contrair nenhuma alian\u00e7a com as na\u00e7\u00f5es estrangeiras. Eles iriam encontrar as mesmas pr\u00e1ticas entre esses povos a que se dirigiam e que deviam combater. Mois\u00e9s devia, assim, por motivos pol\u00edticos, inspirar ao povo hebreu a avers\u00e3o por todos os seus costumes que tivessem pontos de contato com os assimilados no Egito. Para motivar essa avers\u00e3o devia apresentar esses costumes como reprovados pelo pr\u00f3prio Deus. Eis porque ele disse: &#8220;O Senhor considera em abomina\u00e7\u00e3o todas essas coisas e destruir\u00e1, na vossa chegada, as na\u00e7\u00f5es que cometem esses crimes.&#8221;<\/span><\/p>\n<p><br \/><span style=\"color: #000000;\">4 \u2014 A defesa de Mois\u00e9s era tanto mais justificada quanto os mortos n\u00e3o eram evocados em virtude do respeito e da afei\u00e7\u00e3o por eles, nem por um sentimento de piedade, mas para fins de adivinha\u00e7\u00e3o, da mesma maneira que se consultavam os aug\u00farios e os press\u00e1gios, explorados pelo charlatanismo e a supersti\u00e7\u00e3o. Por mais que fizesse, entretanto, n\u00e3o conseguiu arrancar do povo esses costumes que se haviam transformado em objeto de com\u00e9rcio, como o atestam as seguintes passagens do mesmo profeta: E quando eles vos disserem: Consultai os m\u00e1gicos e os adivinhos que murmuram nos seus encantamentos; respondei-lhes: cada povo n\u00e3o consulta o seu Deus? E deve-se falar aos mortos do que respeita aos vivos? (Isalas, cap.VII, v. 19.)<\/span><br \/><span style=\"color: #000000;\">Sou eu que fa\u00e7o ver a falsidade dos prod\u00edgios da magia, que tornam insensatos os que se atrevem a adivinhar, que transtorna o Esp\u00edrito dos s\u00e1bios e converte em loucura a sua ci\u00eancia v\u00e3. (Cap. XLIV, v. 25.)<\/span><br \/><span style=\"color: #000000;\">Que esses adivinhos que estudam o c\u00e9u, que contemplam os astros e contam os meses para fazer predi\u00e7\u00f5es, que desejam revelar-vos o futuro, venham agora e vos salvem.\u2014 Eles se transformaram como em palha e o fogo os devorou; n\u00e3o puderam livrar suas almas das chamas ardentes; n\u00e3o restar\u00e1 do fogo em que se abrasar\u00e3o nem mesmo os carv\u00f5es com os quais algu\u00e9m se possa esquentar, nem fogo ante o qual algu\u00e9m se possa sentar. \u2014 Eis no que se transformar\u00e3o todas essas coisas, \u00e0s quais vos entregastes com tanto trabalho; esses comerciantes que negociaram convosco desde a vossa juventude se foram todos, um de um lado, outro de outro lado, sem que se encontre um s\u00f3 que vos livre dos vossos males. (Cap. XLVII, v. 13, 14, 15.)<\/span><br \/><span style=\"color: #000000;\">Nesse cap\u00edtulo Isa\u00edas se dirige aos babil\u00f3nios, usando a figura aleg\u00f3rica da Virgem filha da Babil\u00f3nia, filha dos Caldeus. (Vers. l.) Diz que os encantamentos n\u00e3o impedir\u00e3o a ru\u00edna da sua monarquia. No cap\u00edtulo seguinte ele se dirige diretamente aos Israelitas:<\/span><br \/><span style=\"color: #000000;\">Vinde aqui, v\u00f3s outros, filhos de uma feiticeira, ra\u00e7a de um homem ad\u00faltero e de uma mulher prostitu\u00edda. \u2014 Com quem divertistes? Contra quem abristes a boca e lan\u00e7astes as vossas l\u00ednguas perfurantes. N\u00e3o sois os filhos p\u00e9rfidos e os bastardos rejeitados, v\u00f3s que procurais vossa consola\u00e7\u00e3o nos vossos deuses sob todas as \u00e1rvores frondosas em que sacrificais os vossos filhos pequenos, nas torrentes, ante a rochas elevadas? \u2014 Pusestes a vossa confian\u00e7a nas pedras da torrente; derramastes licores em sua honra; oferecestes sacrif\u00edcios a ela.<\/span><br \/><span style=\"color: #000000;\">Depois disso a minha indigna\u00e7\u00e3o n\u00e3o devia explodir? (Cap. LVII, 3, 4, 5, 6.)<\/span><br \/><span style=\"color: #000000;\">E<span style=\"background-color: #ffff00;\">stas palavras s\u00e3o inequ\u00edvocas. Elas provam claramente que naquele tempo as evoca\u00e7\u00f5es tinham por fim a adivinha\u00e7\u00e3o, fazendo-se delas um com\u00e9rcio<\/span>. <strong>Estavam associadas \u00e0s pr\u00e1ticas m\u00e1gicas e supersticiosas sendo at\u00e9 mesmo acompanhadas de sacrif\u00edcios humanos.<\/strong><\/span><br \/><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"background-color: #ffff00;\">Mois\u00e9s, portanto, tinha raz\u00e3o de proibir estas pr\u00e1ticas, dizendo que Deus as considerava abomin\u00e1veis.<\/span> Ali\u00e1s, essas pr\u00e1ticas supersticiosas sobreviveram at\u00e9 a Idade M\u00e9dia, mas hoje a raz\u00e3o as afugentou e o Espiritismo veio demonstrar que as rela\u00e7\u00f5es com o al\u00e9m-t\u00famulo <span style=\"background-color: #ffff00;\">t\u00eam um sentido exclusivamente moral, consolador e portanto religioso<\/span>. D<span style=\"background-color: #ffff00;\">esde que os esp\u00edritas n\u00e3o fazem sacrif\u00edcios de crian\u00e7as e n\u00e3o derramam licores em homenagem aos deuses, desde que n\u00e3o interrogam os astros, nem os mortos, nem os adivinhos para conhecer o futuro que Deus prudentemente ocultou aos homens, e desde que eles repudiam toda a forma de com\u00e9rcio da faculdade que alguns possuem, de comunicar-se com os Esp\u00edritos, n\u00e3o sendo movidos por curiosidade nem por cupidez, mas por um sentimento de piedade e pelo desejo \u00fanico de se instru\u00edrem e se melhorarem e de<\/span><\/span><br \/><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"background-color: #ffff00;\">aliviarem as almas sofredoras<\/span>, \u2014<strong> a proibi\u00e7\u00e3o de Mois\u00e9s n\u00e3o se refere a eles de maneira alguma.<\/strong> Para isso \u00e9 que deviam atentar os que invocam essa proibi\u00e7\u00e3o contra os esp\u00edritas. Se eles aprofundassem melhor o sentido dessas palavras b\u00edblicas, teriam reconhecido que n\u00e3o existe nenhuma analogia entre o que se passava com os hebreus e os princ\u00edpios atuais do Espiritismo, tanto mais que <strong>o Espiritismo condena precisamente tudo o que dera motivo \u00e0 proibi\u00e7\u00e3o de Mois\u00e9s.<\/strong> Mas, cegos pelo desejo de encontrar argumentos contra as ideias novas, n\u00e3o chegam a perceber que essas acusa\u00e7\u00f5es soam de maneira completamente falsa.<\/span><br \/><span style=\"color: #000000;\">A lei civil dos nossos dias pune os abusos que Mois\u00e9s queria reprimir. Quando Mois\u00e9s estabeleceu a pena de morte contra os delinquentes, era porque necessitava de meios rigorosos para governar um povo indisciplinado. Ali\u00e1s, essa pena figurava constantemente na sua legisla\u00e7\u00e3o, porque n\u00e3o havia muito que escolher no tocante aos meios de repress\u00e3o. N\u00e3o existiam pris\u00f5es nem casas de corre\u00e7\u00e3o no deserto e seu povo n\u00e3o era de natureza a se atemorizar somente com as penas disciplinares. Ele n\u00e3o podia estabelecer as gradua\u00e7\u00f5es penais, como fazemos em nossos dias.<\/span><br \/><span style=\"color: #000000;\">\u00c9 err\u00f4neo querer-se apoiar na severidade daquele castigo para provar o grau de culpabilidade da evoca\u00e7\u00e3o dos mortos. Dever\u00edamos, simplesmente por respeito \u00e0 lei de Mois\u00e9s, manter a pena capital para todos os casos em que ela a aplicava? Nesse caso, porque reviver com tanta insist\u00eancia apenas esse artigo, passando em sil\u00eancio o come\u00e7o do cap\u00edtulo que pro\u00edbe: aos padres possuir bens terrenos e participar de qualquer heran\u00e7a,porque o Senhor \u00e9 em si mesmo a sua heran\u00e7a? (Ver. Deuteron\u00f4mio, cap. XXVIII, v. 1 e 2.)<\/span><br \/><span style=\"color: #000000;\">5 \u2014 H\u00e1 duas partes distintas na lei de Mois\u00e9s: a lei de Deus propriamente dita, promulgada no Monte Sinai, e a lei civil ou disciplinar apropriada aos costumes e ao car\u00e1ter do povo. Uma \u00e9 invari\u00e1vel, a outra se modifica segundo os tempos e n\u00e3o pode passar pelo pensamento de ningu\u00e9m que tenhamos de ser governados hoje da mesma maneira que os hebreus em sua caminhada atrav\u00e9s do deserto. Assim tamb\u00e9m os capitulares de Carlos Magno n\u00e3o poderiam aplicar-se \u00e0 Fran\u00e7a do nosso s\u00e9culo. Quem pensaria, por exemplo, em reviver hoje este artigo da lei Mosaica: Se um boi chifrar um homem e uma mulher, que venham a morrer disso, o boi ser\u00e1 lapidado e ningu\u00e9m comer\u00e1 da sua carne, mas o dono do boi ser\u00e1 julgado inocente. (\u00caxodo, cap. XXI, v. 28 e seguintes.)<\/span><br \/><span style=\"color: #000000;\">Este artigo que nos parece t\u00e3o absurdo n\u00e3o tinha por objetivo punir o boi e inocentar o seu dono, pois equivalia praticamente \u00e0 confisca\u00e7\u00e3o do animal causador do acidente para obrigar o propriet\u00e1rio a ter maior cuidado. A perda do boi representava a puni\u00e7\u00e3o do dono, que devia ser bastante grave num povo de pastores, impedindo os descuidados de ca\u00edrem em outra falta. Mas como ela n\u00e3o devia aproveitar a ningu\u00e9m, era proibido comer a carne. Outros artigos estipulam penalidades para os donos respons\u00e1veis.<\/span><br \/><span style=\"color: #000000;\">Tudo tinha a sua raz\u00e3o de ser na legisla\u00e7\u00e3o de Mois\u00e9s, porque tudo nela estava previsto, at\u00e9 os menores detalhes. Mas a forma e o fundo estavam de acordo com as circunst\u00e2ncias em que os hebreus se encontravam. Claro que se Mois\u00e9s voltasse hoje e tivesse de dar um novo c\u00f3digo a uma na\u00e7\u00e3o civilizada da Europa, n\u00e3o recorreria mais \u00e0quele dos hebreus.<\/span><\/p>\n<p><br \/><span style=\"color: #000000;\">6 \u2014 Objeta-se a isso que todas as leis de Mois\u00e9s foram ditadas em nome de Deus, como as recebidas no Sinai. Mas se considerarmos todas de origem divina, porque os mandamentos de Deus formam apenas o dec\u00e1logo? \u00c9 que se faz a distin\u00e7\u00e3o. Se todas emanassem de Deus, todas seriam igualmente obrigat\u00f3rias. Porque, pois, n\u00e3o observar a todas? Porque, por exemplo, n\u00e3o foi observada a circunscri\u00e7\u00e3o que o pr\u00f3prio Jesus sofreu e n\u00e3o aboliu? Esquecem-se de que todos os legisladores antigos, para darem maior autoridade \u00e0s suas leis, diziam t\u00ea-las recebido de uma divindade. Mois\u00e9s, mais do que qualquer outro, necessitava desse apoio em virtude do car\u00e1ter do seu povo. Se apesar disso lhe foi t\u00e3o dif\u00edcil fazer-se obedecer, quanto pior n\u00e3o seria se tivesse promulgado essas leis em seu pr\u00f3prio nome.<\/span><br \/><span style=\"color: #000000;\">Jesus n\u00e3o veio modificar a lei mosaica, mas a sua lei n\u00e3o \u00e9 hoje o c\u00f3digo dos crist\u00e3os? N\u00e3o disse ele: &#8220;Sabeis que foi dito aos antigos tal e tal coisa, mas eu vos digo esta outra coisa? Mas, assim dizendo, tocou ele na lei do Sinai? De maneira alguma, pois a sancionou e toda a sua doutrina moral n\u00e3o \u00e9 mais do que o desenvolvimento daquela. Ora, em nenhum momento ele se refere \u00e0 proibi\u00e7\u00e3o de evocar os mortos, entretanto era essa uma quest\u00e3o bastante grave para que ele a tivesse omitido nas suas instru\u00e7\u00f5es, quando tratou de outros assuntos de natureza secund\u00e1ria.<\/span><\/p>\n<p><br \/><span style=\"color: #000000;\">7 \u2014 Em resumo: trata-se de saber se a Igreja coloca a lei mosaica acima da lei evang\u00e9lica, ou melhor dito, se ela \u00e9 mais Judia do que Crist\u00e3. \u00c9 mesmo de se notar que de todas as religi\u00f5es a que menos se op\u00f4s ao Espiritismo foi a Judia, que n\u00e3o<\/span><br \/><span style=\"color: #000000;\">invocou contra as rela\u00e7\u00f5es com os mortos a lei de Mois\u00e9s, sobre a qual entretanto se apoiam as seitas Crist\u00e3s. (1)<br \/><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000080; font-size: 13px;\">(1) Esta observa\u00e7\u00e3o de Kardec \u00e9 das mais significativas e tem a sua explica\u00e7\u00e3o na pr\u00f3pria Hist\u00f3ria da religi\u00e3o judaica, toda ela, como se v\u00ea na B\u00edblia, na Kabala, no Taimud e na Literatura do povo hebreu, antiga e moderna, \u2014 fundada nas manifesta\u00e7\u00f5es espirituais. O teatro e a fic\u00e7\u00e3o modernas de Israel, como a antiga literatura hebraica e a moderna literatura \u00eddiche n\u00e3o escapam \u00e0 tradi\u00e7\u00e3o das vis\u00f5es, das apari\u00e7\u00f5es e at\u00e9 mesmo das materializa\u00e7\u00f5es, que marcam toda a cultura judaica. No pr\u00f3prio texto b\u00edblico encontramos passagens em que Mois\u00e9s, como no caso t\u00edpico de Eldad e Medad (N\u00fameros, cap.13 v 24 a 29) se declara francamente favor\u00e1vel \u00e0 mediunidade. Al\u00e9m disso, sabe-se que a tenda de Mois\u00e9s era uma c\u00e2mara medi\u00fanica em que o Esp\u00edrito de Jeov\u00e1 chegava a materializar-se. (N. do T.)<\/span><\/p>\n<p>8 \u2014 H\u00e1 outra contradi\u00e7\u00e3o. Se Mois\u00e9s proibiu a evoca\u00e7\u00e3o dos Esp\u00edritos dos mortos, \u00e9 que esses Esp\u00edritos podem manifestar-se, pois de outra maneira a sua proibi\u00e7\u00e3o seria in\u00fatil. Se eles podiam manifestar-se no seu tempo, \u00e9 claro que o podem ainda hoje. Se se trata dos Esp\u00edritos dos mortos, n\u00e3o s\u00e3o exclusivamente os dem\u00f4nios que se manifestam. De resto, Mois\u00e9s n\u00e3o faz nenhuma refer\u00eancia a esses \u00faltimos.<br \/>\u00c9 pois evidente que n\u00e3o se poderia apoiar logicamente na lei de Mois\u00e9s nesta circunst\u00e2ncia, pelo duplo motivo de que ela n\u00e3o rege o Cristianismo e n\u00e3o \u00e9 apropriada aos costumes da nossa \u00e9poca. Mas, mesmo supondo-se que tenha toda a autoridade que alguns lhe d\u00e3o, ela n\u00e3o pode, como acabamos de ver, aplicar-se ao Espiritismo (2)<\/p>\n<p><span style=\"color: #000080; font-size: 13px;\">(2)As leis civis de Mois\u00e9s pertencem a uma \u00e9poca bem definida da Hist\u00f3ria, que \u00e9 a das civiliza\u00e7\u00f5es agr\u00e1rias. O pr\u00f3prio dec\u00e1logo traz as marcas dessa fase hist\u00f3rica e em nossos dias \u00e9 divulgado com a supress\u00e3o dos pormenores que o tornariam rid\u00edculo aos nossos olhos. Trata-se, pois, de legisla\u00e7\u00e3o anacr\u00f4nica. (N. do T.)<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000; font-size: 16px;\"> Mois\u00e9s, \u00e9 verdade, abrange na sua proibi\u00e7\u00e3o a interroga\u00e7\u00e3o dos mortos. Mas isso apenas de maneira secund\u00e1ria, como um acess\u00f3rio das pr\u00e1ticas de feiti\u00e7aria. A palavra interrogar, colocada ao lado das palavras adivinhos e augures, prova que entre os hebreus as evoca\u00e7\u00f5es constituiam um meio de adivinha\u00e7\u00e3o. Ora, os esp\u00edritas n\u00e3o evocam os mortos para obter revela\u00e7\u00f5es il\u00edcitas, mas para receberem os seus conselhos e procurar o al\u00edvio dos que sofrem. \u00c9 claro que se os hebreus n\u00e3o se tivessem servido das comunica\u00e7\u00f5es de al\u00e9m-t\u00famulo com esse fim, longe de as proibir, Mois\u00e9s as encorajaria, porque elas teriam tornado melhor o seu povo.<\/span><\/p>\n<p>9 \u2014 Se alguns cr\u00edticos ir\u00f3nicos ou mal intencionados t\u00eam apresentado as reuni\u00f5es esp\u00edritas como assembleias de feiticeiros e necromantes, e os m\u00e9diuns como ledores da sorte; se, por outro lado, alguns charlat\u00e3es misturam o nome do Espiritismo a pr\u00e1ticas rid\u00edculas que ele desaprova, entretanto muita gente sabe como considerar o car\u00e1ter essencialmente moral e s\u00e9rio das reuni\u00f5es esp\u00edritas. Ali\u00e1s, a doutrina escrita e divulgada por todo o mundo protesta suficientemente contra os abusos de toda esp\u00e9cie para que a cal\u00fania possa recair sobre quem realmente a merece.<br \/>10 \u2014 Dizem que a evoca\u00e7\u00e3o \u00e9 uma falta de respeito para com os mortos, cujas cinzas n\u00e3o devemos perturbar. Quem diz isso? Os advers\u00e1rios dos dois campos opostos, que nesse momento se d\u00e3o as m\u00e3os: os incr\u00e9dulos que n\u00e3o cr\u00eaem nas almas e os que, embora crendo, pretendem que elas n\u00e3o podem manifestar-se e que o dem\u00f4nio \u00e9 quem se manifesta.<br \/>Quando a evoca\u00e7\u00e3o \u00e9 feita religiosamente, com o devido recolhimento; quando os Esp\u00edritos s\u00e3o chamados com afeto e simpatia, pelo desejo sincero de instru\u00e7\u00e3o e de aperfei\u00e7oamento moral, e n\u00e3o por curiosidade, n\u00e3o se percebe o que haveria de falta de respeito, e isso tanto ao chamar as pessoas depois de mortas como durante a vida.<br \/>Mas h\u00e1 uma outra resposta decisiva a essa obje\u00e7\u00e3o. \u00c9 que os Esp\u00edritos se manifestam livremente e n\u00e3o de maneira for\u00e7ada. Eles costumam vir espontaneamente at\u00e9 n\u00f3s, sem serem chamados, e revelam a satisfa\u00e7\u00e3o de poderem comunicar-se com os homens, lamentando frequentemente o esquecimento em que \u00e0s vezes os deixam. Se eles fossem perturbados na sua paz ou n\u00e3o gostassem de ser chamados, declarariam isso ou n\u00e3o nos atenderiam. Desde que s\u00e3o livres, quando nos atendem \u00e9 porque isso lhes conv\u00e9m.<\/p>\n<p><br \/>11 \u2014 Alega-se ainda: &#8220;As almas moram no lugar que a justi\u00e7a de Deus lhes determinou, seja no Inferno ou no Para\u00edso.&#8221; Assim, as que est\u00e3o no Inferno n\u00e3o podem sair, embora toda liberdade seja dada aos dem\u00f4nios nesse sentido. As que est\u00e3o no Para\u00edso acham-se inteiramente entregues \u00e0 beatitude e est\u00e3o muito acima dos mortais para se preocuparem conosco, sendo muito felizes para voltar a esta Terra de mis\u00e9rias, interessando-se pelos parentes e amigos que aqui deixaram. Essas almas seriam como os ricos que desviam a vista dos pobres, com receio de que eles lhes perturbem a digest\u00e3o? Se assim fosse, elas seriam bem pouco dignas da felicidade suprema, que seria, por sua vez, o pr\u00e9mio do ego\u00edsmo.<br \/>Restam aquelas que est\u00e3o no Purgat\u00f3rio. Mas essas s\u00e3o almas sofredoras e t\u00eam de pensar antes de tudo na pr\u00f3pria salva\u00e7\u00e3o. Dessa maneira, nenhuma delas podendo nos atender, \u00e9 somente o diabo que se apresenta. Mas se elas n\u00e3o podem vir, n\u00e3o h\u00e1 nenhum motivo para temermos perturbar o seu repouso.<\/p>\n<p>12 \u2014 Aqui se apresenta outra dificuldade. Se as almas que est\u00e3o na beatitude n\u00e3o podem abandonar a sua morada feliz para socorrer os mortais, porque a Igreja invoca a assist\u00eancia dos santos, que devem gozar da maior soma poss\u00edvel de beatitude? Por que aconselha ela aos fi\u00e9is que os invoquem nas doen\u00e7as, afli\u00e7\u00f5es e para se preservarem dos flagelos? Por que, segundo ela, os santos, a pr\u00f3pria Virgem mostram-se aos homens atrav\u00e9s de vis\u00f5es e fazem milagres? Eles deixam, ent\u00e3o, o c\u00e9u para vir \u00e0 Terra. Se esses Esp\u00edritos que se encontram no mais alto dos c\u00e9us podem deix\u00e1-lo, por que motivo os que est\u00e3o mais em baixo n\u00e3o o poderiam?<br \/>13 \u2014Que os incr\u00e9dulos neguem a manifesta\u00e7\u00e3o das almas, isso se concebe em raz\u00e3o da sua pr\u00f3pria descren\u00e7a. Mas o que estranha \u00e9 ver aqueles cuja cren\u00e7a repousa precisamente na exist\u00eancia da alma e no seu futuro, se encarni\u00e7arem contra os meios de se provar que ela existe, esfor\u00e7ando-se por demonstrar<br \/>que isso \u00e9 imposs\u00edvel. Pareceria natural, ao contr\u00e1rio, que os que t\u00eam maior interesse na sua exist\u00eancia aceitassem com alegria e como uma gra\u00e7a da Provid\u00eancia o aparecimento dos meios de confundir os negadores por provas irrecus\u00e1veis, desde que s\u00e3o eles os negadores da pr\u00f3pria religi\u00e3o.<br \/>Deploram essas pessoas, incessantemente, a propaga\u00e7\u00e3o da incredulidade que aniquila o rebanho de fi\u00e9is, mas quando se lhes apresenta o mais poderoso meio de combat\u00ea-la, repelem-no com mais obstina\u00e7\u00e3o do que os pr\u00f3prios incr\u00e9dulos. Depois, quando as provas se multiplicam a ponto de n\u00e3o deixarem nenhuma d\u00favida, recorrem como argumento supremo \u00e0 proibi\u00e7\u00e3o de tratar do assunto, e procuram para justific\u00e1-la um artigo da lei de Mois\u00e9s de que ningu\u00e9m se lembrava e ao qual pretendem dar, de qualquer maneira, uma aplica\u00e7\u00e3o que n\u00e3o pode ter. E ficam muito felizes com essa descoberta, sem perceberem que esse mesmo artigo constitui uma justifica\u00e7\u00e3o da Doutrina Esp\u00edrita.<br \/>14 \u2014Todos os motivos alegados contra as rela\u00e7\u00f5es com os Esp\u00edritos n\u00e3o podem suportar um exame s\u00e9rio. Do pr\u00f3prio empenho com que se entregam a essa luta pode-se deduzir que a quest\u00e3o envolve grandes interesses, pois do contr\u00e1rio n\u00e3o haveria tamanha insist\u00eancia. Ao ver esta cruzada de todos os<br \/>cultos contra as manifesta\u00e7\u00f5es, poder\u00edamos dizer que eles est\u00e3o atemorizados. O verdadeiro motivo poderia ser o temor de que os Esp\u00edritos, demasiado clarividentes, viessem esclarecer os homens sobre os pontos que eles tentam manter na obscuridade, fazendo os homens conhecerem de maneira precisa o que se refere ao outro mundo e \u00e1s verdadeiras condi\u00e7\u00f5es para nele serem felizes ou infelizes.<br \/>\u00c9 por isso que, da mesma maneira que se diz a uma crian\u00e7a: n\u00e3o v\u00e1 l\u00e1 porque existe um lobisomem, dizem aos homens: n\u00e3o evoqueis os Esp\u00edritos, pois quem atende \u00e9 o Diabo. Mas n\u00e3o haver\u00e1 dificuldade: se proibirem aos homens de evocar os Esp\u00edritos, n\u00e3o poder\u00e3o impedir os Esp\u00edritos de virem at\u00e9 os homens para tirara l\u00e2mpada debaixo do alqueire.<br \/>O culto religioso que estiver de posse da verdade absoluta nada ter\u00e1 a temer da luz, porque a luz far\u00e1 ressaltar a verdade e o dem\u00f4nio n\u00e3o poderia prevalecer contra a verdade.<br \/>15 \u2014 Repelir as comunica\u00e7\u00f5es de al\u00e9m-t\u00famulo seria rejeitar o poderoso meio de instru\u00e7\u00e3o que resulta da inicia\u00e7\u00e3o no conhecimento da vida futura e dos exemplos que elas nos fornecem. A experi\u00eancia nos ensina, al\u00e9m disso, como podemos fazer o bem desviando do mal os Esp\u00edritos imperfeitos, ajudando<br \/>os sofredores a se libertarem da mat\u00e9ria e a se melhorarem, e proibir isso seria privar as almas infelizes da assist\u00eancia que lhes podemos dar. A seguinte comunica\u00e7\u00e3o de um Esp\u00edrito resume admiravelmente os efeitos da evoca\u00e7\u00e3o, quando praticada com uma finalidade caridosa:<br \/>Cada Esp\u00edrito sofredor e desesperado vos contar\u00e1 a causa de sua queda, os arrastamentos a que n\u00e3o resistiu, e vos dir\u00e1 das suas esperan\u00e7as, das suas lutas, dos seus terrores. Ele vos dir\u00e1 tamb\u00e9m dos seus remorsos, das suas dores, dos seus desesperos, e vos mostrar\u00e1 Deus, justamente irritado, punindo o culpado com toda a severidade da sua justi\u00e7a.<br \/>Ao escut\u00e1-lo, sereis movidos de compaix\u00e3o por ele e de temor por v\u00f3s mesmos. Ao seguir os seus lamentos, vereis Deus n\u00e3o o perdendo de vista, esperando o pecador arrependido, abrindo os bra\u00e7os t\u00e3o logo ele comece a avan\u00e7ar em sua dire\u00e7\u00e3o. Vereis os progressos do culpado, para os quais tereis a felicidade e a gl\u00f3ria de haver contribu\u00eddo. Acompanhareis com solicitude a sua reforma; como o cirurgi\u00e3o acompanha a cicatriza\u00e7\u00e3o da ferida de que cuida diariamente. (Bord\u00e9us, 1861) (3).<\/p>\n<p><span style=\"color: #000080; font-size: 13px;\">(3) Proibir as rela\u00e7\u00f5es do homem com o mundo invis\u00edvel \u00e9 um contra-senso e revela ignor\u00e2ncia da natureza humana e da pr\u00f3pria Hist\u00f3ria Universal. Em todos os tempos, desde os primitivos, como o atestam de <\/span><span style=\"color: #000080; font-size: 13px;\">maneira ineg\u00e1vel as pesquisas paleontol\u00f3gicas, arqueol\u00f3gicas, antropol\u00f3gicas, etnol\u00f3gicas e hist\u00f3ricas, os homens mantiveram rela\u00e7\u00f5es com entidades espirituais, sempre considerando-as humanas, diab\u00f3licas e divinas. O que s\u00e3o as religi\u00f5es sen\u00e3o as formas institucionalizadas dessas rela\u00e7\u00f5es? O que \u00e9 a B\u00edblia, no seu conjunto e em cada um dos seus livros, sen\u00e3o um testemunho maci\u00e7o e imponente dessa realidade ineg\u00e1vel? E poderemos acaso negar que os pr\u00f3prios Evangelhos testemunham esse fato e nos instruem a respeito da maneira por que devemos proceder nessas rela\u00e7\u00f5es? (Veja-se l Cor\u00edntios, cap. 12 e l Jo\u00e3o 4:1-6).<\/span><br \/><span style=\"color: #000080; font-size: 13px;\">O Prof. Ernesto Bozzano, apoiado especialmente em pesquisas etnol\u00f3gicas de Adrew Lang e Max Freedon Long. em seu livro Popoli primitivi e manifestazione supernormale, formulou a tese da origem medi\u00fanica das religi\u00f5es. Os fundamentos dessa tese s\u00e3o cient\u00edficos e filos\u00f3ficos. As pesquisas metaps\u00edquicas e arapsicol\u00f3gicas v\u00eam confirmando a sua validade ao provarem que as fun\u00e7\u00f5es psi (ou medi\u00fanicas) s\u00e3o uma faculdade humana natural. Os avan\u00e7os da Ci\u00eancia em nosso tempo, e particularmente os da F\u00edsica \u2014 revela\u00e7\u00e3o da estrutura at\u00f3mica da mat\u00e9ria, descoberta da antimat\u00e9ria e aceita\u00e7\u00e3o te\u00f3rica da exist\u00eancia do antiuniverso \u2014 ampliam no plano f\u00edsico as consequ\u00eancias das investiga\u00e7\u00f5es psicofisiol\u00f3gicas, \u00c9 hoje ineg\u00e1vel que vivemos num Universo fechado pelas limita\u00e7\u00f5es de nossas percep\u00e7\u00f5es sensoriais. mas que se abre ante as possibilidades da percep\u00e7\u00e3o extra-sensorial e dos novos recursos da Ci\u00eancia para penetrar nos arcanos da Natureza.<\/span><br \/><span style=\"color: #000080; font-size: 13px;\">Quando Pasteur descobriu o mundo invis\u00edvel dos micr\u00f3bios teve de lutar contra a ignor\u00e2ncia dos doutos e s\u00e1bios do tempo. Kardec \u00e9 o Pasteur do Esp\u00edrito \u2014 descobriu o mundo invis\u00edvel dos esp\u00edritos e demonstrou que estes, \u00e0 maneira das bact\u00e9rias, dividem-se em ben\u00e9ficos e mal\u00e9ficos, podendo produzir infesta\u00e7\u00f5es (que s\u00e3o infec\u00e7\u00f5es espirituais) ocasionando doen\u00e7as mentais e org\u00e2nicas. Contra ele se levantaram da mesma maneira os doutos e os s\u00e1bios do tempo, mas ainda mais fortemente apoiados pelos cl\u00e9rigos e te\u00f3logos das religi\u00f5es dominantes do que no caso de Pasteur. A luta era mais dif\u00edcil, porque contra Kardec se conjugavam preconceitos, supersti\u00e7\u00f5es e interesses materiais muito <\/span><span style=\"color: #000080; font-size: 13px;\">maiores e mais arraigados. Mas mesmo assim a verdade n\u00e3o pode ser obscurecida.<\/span><br \/><span style=\"color: #000080; font-size: 13px;\">Mas deixando de lado a quest\u00e3o cient\u00edfica \u2014 e tamb\u00e9m a quest\u00e3o filos\u00f3fica, a que nem nos referimos aqui \u2014 para tratar da quest\u00e3o religiosa, que \u00e9 o assunto deste livro, podemos assegurar que a condena\u00e7\u00e3o de Mois\u00e9s, erroneamente aplicada ao Espiritismo, redundaria na elimina\u00e7\u00e3o pura e simples de todas as religi\u00f5es. Porque todas elas desde as primitivas at\u00e9 as mais culturalmente refinadas, apoiam-se na rela\u00e7\u00e3o do ho mem com o mundo invis\u00edvel e dela se alimentam. Os fatos esp\u00edritas est\u00e3o na raiz e na seiva da Religi\u00e3o, que tem sua origem na Revela\u00e7\u00e3o e se desenvolve gra\u00e7as \u00e0 seiva medi\u00fanica da permanente comunica\u00e7\u00e3o dos homens com os esp\u00edritos, A evoca\u00e7\u00e3o \u2014 contra a qual se levantam os maiores protestos \u2014 \u00e9 tamb\u00e9m uma constante na hist\u00f3ria, na teoria e na pr\u00e1tica das religi\u00f5es. Como Kardec explica, basta pensarmos num esp\u00edrito para o evocarmos. Mas isso n\u00e3o o obriga a atender-nos. Os esp\u00edritos s\u00e3o mais livres do que n\u00f3s, os encarnados, e a evoca\u00e7\u00e3o \u00e9 um simples apelo nunca uma tentativa m\u00e1gica de sujeitar o esp\u00edrito ao homem. Ao contr\u00e1rio disso, h\u00e1 pr\u00e1ticas religiosas em nosso tempo que pretendem sujeitar o pr\u00f3prio Deus \u00e0s exig\u00eancias formalistas e convencionais de um sacerdote. Proibir essas pr\u00e1ticas seria mais f\u00e1cil, porque s\u00e3o cria\u00e7\u00f5es humanas e dependem apenas dos homens, mas proibiras evoca\u00e7\u00f5es esp\u00edritas e as manifesta\u00e7\u00f5es espont\u00e2neas que se d\u00e3o por toda parte atrav\u00e9s da mediunidade \u00e9 imposs\u00edvel, porque estas dependem dos esp\u00edritos, que n\u00e3o est\u00e3o ao alcance das determina\u00e7\u00f5es humanas.<\/span><br \/><span style=\"color: #000080; font-size: 13px;\">Al\u00e9m disso \u00e9 preciso considerar o problema da evolu\u00e7\u00e3o espiritual do homem, que cada dia mais o aproxima dos esp\u00edritos, abrindo-lhe as possibilidades da percep\u00e7\u00e3o extra-sensorial. Rompendo a clausura dos sentidos, a rede do sens\u00f3rio org\u00e2nico, o homem de hoje aumenta cada vez mais, e com evidente acelera\u00e7\u00e3o evolutiva, as suas possibilidades de comunica\u00e7\u00e3o com o mundo invis\u00edvel. Os dois planos da vida humana \u2014 o vis\u00edvel e o invis\u00edvel \u2014 tornam-se mais pr\u00f3ximos e se familiarizam na propor\u00e7\u00e3o em que a alma (esp\u00edrito encarnado) agu\u00e7a as suas faculdades para uma percep\u00e7\u00e3o mais din\u00e2mica e real do mundo em que vive. \u2014 (N. do T.)<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12px; color: #000000;\">\u00a0<\/span><\/p>\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>DA PROIBI\u00c7\u00c3O DE EVOCAR OS MORTOS\u00a0 Cap. 11 ou A Justi\u00e7a Divina Segundo o Espiritismo. 1 \u2014A Igreja n\u00e3o nega de maneira alguma a exist\u00eancia das manifesta\u00e7\u00f5es. 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