{"id":1336,"date":"2019-03-15T22:49:19","date_gmt":"2019-03-16T01:49:19","guid":{"rendered":"https:\/\/www.estudosherculanopires.com.br\/site\/?p=1336"},"modified":"2021-10-21T01:23:10","modified_gmt":"2021-10-21T04:23:10","slug":"os-demonios-1","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estudosherculanopires.com.br\/site\/2019\/03\/os-demonios-1\/","title":{"rendered":"OS DEM\u00d4NIOS &#8211; 1"},"content":{"rendered":"\n<p><br><\/p>\n\n\n<header>\n<h1 style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-208 size-full\" src=\"https:\/\/www.estudosherculanopires.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/logmaskHerculano-2.png\" alt=\"\" width=\"652\" height=\"317\" srcset=\"https:\/\/estudosherculanopires.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/logmaskHerculano-2.png 652w, https:\/\/estudosherculanopires.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/logmaskHerculano-2-300x146.png 300w\" sizes=\"(max-width: 652px) 100vw, 652px\" \/><\/span><\/h1>\n<\/header>\n<div id=\"content\" class=\"post-single-content box mark-links\" style=\"text-align: justify;\">\n<div>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><strong>OS DEM\u00d4NIOS &#8211; 1 de 2 &#8211; <\/strong>Cap 9 ou A Justi\u00e7a Divina Segundo o Espiritismo.<\/span><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div>\u00a0<\/div>\n<div>\n<!--[if lt IE 9]><script>document.createElement('audio');<\/script><![endif]-->\n<audio class=\"wp-audio-shortcode\" id=\"audio-1336-1\" preload=\"none\" style=\"width: 100%;\" controls=\"controls\"><source type=\"audio\/mpeg\" src=\"https:\/\/www.estudosherculanopires.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/GEEHPcicapitulo1.mp3?_=1\" \/><a href=\"https:\/\/www.estudosherculanopires.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/GEEHPcicapitulo1.mp3\">https:\/\/www.estudosherculanopires.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/GEEHPcicapitulo1.mp3<\/a><\/audio>\n<\/div>\n<div id=\"content\" class=\"post-single-content box mark-links\" style=\"text-align: justify;\">\n<div>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Origem da cren\u00e7a nos Dem\u00f4nios<\/span><br \/><span style=\"color: #000000;\">1 \u2014 Os dem\u00f4nios desempenharam em todas as \u00e9pocas um papel nas diversas teogonias. Embora consideravelmente deca\u00eddos na opini\u00e3o geral, a import\u00e2ncia que ainda lhes atribuem em nossos dias d\u00e1 a esta quest\u00e3o uma certa gravidade, porque ela se refere ao pr\u00f3prio fundamento das cren\u00e7as religiosas. \u00c9 portanto conveniente que a examinemos em todos os seus aspectos.<\/span><br \/><span style=\"color: #000000;\">A cren\u00e7a na exist\u00eancia de um poder superior \u00e9 instintiva e podemos encontr\u00e1-la entre os homens sob as mais diferentes formas, em todas as \u00e9pocas. Mas se, no grau de adiantamento intelectual em que hoje se encontram, ainda discutem a natureza e os atributos dessa pot\u00eancia, quanto mais imperfeitas deviam ser suas no\u00e7\u00f5es a respeito nas fases iniciais da humanidade!<\/span><br \/><span style=\"color: #000000;\">2 \u2014 A representa\u00e7\u00e3o que hoje fazemos dos povos primitivos<\/span><br \/><span style=\"color: #000000;\">deslumbrados com as belezas da Natureza, nas quais admiram a bondade do Criador, \u00e9 sem d\u00favida muito po\u00e9tica, mas desprovida de realidade.<\/span><br \/><span style=\"color: #000000;\">Quanto mais pr\u00f3ximo se encontra o homem do estado natural, mais \u00e9 dominado pelo instinto, como ainda podemos ver entre os povos selvagens e b\u00e1rbaros dos nossos dias. O que mais o preocupa, ou melhor, o que exclusivamente o preocupa \u00e9 a satisfa\u00e7\u00e3o das suas necessidades vitais, pois na verdade n\u00e3o possui outras. O senso moral, que lhe torna poss\u00edvel gozar os prazeres dessa ordem, s\u00f3 se desenvolve aos poucos e demoradamente. A alma tem a sua inf\u00e2ncia, sua adolesc\u00eancia e sua virilidade, como acontece na vida corp\u00f3rea. Mas, para atingir a virilidade, que a torna capaz de compreender as coisas abstraias, quanto deve ainda percorrer no caminho da evolu\u00e7\u00e3o humana! Quantas exist\u00eancias ter\u00e1 ainda de cumprir!<\/span><br \/><span style=\"color: #000000;\">Sem remontarmos aos tempos primitivos, vejamos ao nosso redor as popula\u00e7\u00f5es camponesas e perguntemos que sentimentos de admira\u00e7\u00e3o despertam nelas o nascer do sol com seu esplendor, o c\u00e9u estrelado, o gorjeio dos p\u00e1ssaros, o marulhar das ondas, os prados verdejantes e floridos. Para elas, o sol se levanta porque isso \u00e9 habitual e \u00e9 necess\u00e1rio que d\u00ea o calor para amadurecer as <\/span><span style=\"color: #000000;\">colheitas sem as queimar. \u00c9 tudo quanto lhes interessa. Se olham o c\u00e9u \u00e9 para saber se far\u00e1 bom ou mau tempo no dia seguinte. Que os p\u00e1ssaros cantem ou n\u00e3o, isso pouco lhes interessa, desde que n\u00e3o v\u00e3o comer os gr\u00e3os das semeaduras. \u00c0s melodias do rouxinol preferem o cacarejar das galinhas e os grunhidos dos porcos. O que interessa nas ondas claras ou borbulhantes dos riachos, \u00e9 que n\u00e3o sequem e n\u00e3o produzam inunda\u00e7\u00f5es. Quanto aos prados, que lhes d\u00eaem boa pastagem, com ou sem flores. \u00c9 tudo quanto desejam, diremos mais, tudo o que compreendem da Natureza, e no entanto est\u00e3o j\u00e1 bem distantes dos homens primitivos!<\/span><br \/><span style=\"color: #000000;\">3 \u2014 Se nos reportamos aos primitivos, vemo-los ainda mais inteiramente preocupados com a satisfa\u00e7\u00e3o de seus interesses materiais. Tudo o que serve para os ajudar e tudo o que possa prejudic\u00e1-los resumem para eles o bem e o mal neste mundo. Cr\u00eaem num poder extra-humano, mas como o que acarreta preju\u00edzo material \u00e9 o que mais lhes toca, atribuem esses preju\u00edzos ao poder de que fazem, ali\u00e1s, uma ideia muito vaga. Nada podendo ainda conceber fora do mundo vis\u00edvel e tang\u00edvel, imaginam que esse poder se constitui dos seres e das coisas que lhes s\u00e3o prejudiciais.<\/span><br \/><span style=\"color: #000000;\">Os animais daninhos s\u00e3o, assim, para eles, os agentes naturais e diretos desse poder. Pela mesma raz\u00e3o, imaginam a personifica\u00e7\u00e3o do bem nas coisas \u00fateis. Vem da\u00ed o culto de certos animais, de certas plantas e mesmo de objetos inanimados. Mas o homem \u00e9 geralmente mais sens\u00edvel ao mal do que ao bem, de maneira que o bem lhe parece natural enquanto o mal lhe parece extraordin\u00e1rio. \u00c9 por isso que, em todos os cultos primitivos, as cerim\u00f4nias em honra ao poder malfazejo s\u00e3o as mais numerosas: o medo \u00e9 mais dominante que a gratid\u00e3o.<\/span><br \/><span style=\"color: #000000;\">Por muito tempo o homem s\u00f3 compreende o bem e o mal do ponto de vista f\u00edsico. O sentimento do bem moral e do mal moral assinala um progresso da alma humana. Somente ent\u00e3o o homem entrev\u00ea a espiritualidade e compreende que o poder sobre-humano est\u00e1 fora do mundo vis\u00edvel e n\u00e3o nas coisas materiais. Essa conquista pertence a algumas intelig\u00eancias privilegiadas, mas que assim mesmo n\u00e3o conseguem ir al\u00e9m de certos limites.<\/span><br \/><span style=\"color: #000000;\">4 \u2014 Vendo-se uma luta incessante entre o bem e o mal, este requentemente vencendo aquele, e n\u00e3o se podendo racionalmente admitir que o mal seja um poder benfazejo, conclui-se pela exist\u00eancia de dois poderes rivais que governam o <\/span><span style=\"color: #000000;\">mundo. Foi assim que nasceu a doutrina dos dois princ\u00edpios: o do bem e o do mal, doutrina l\u00f3gica na ocasi\u00e3o, porque o homem era ainda incapaz de conceber outra e de compreender a natureza do Ser supremo. Como poderia compreender que o mal \u00e9 uma ocorr\u00eancia passageira da qual pode sair o bem e que os males que o afligiam deviam lev\u00e1-lo \u00e0 felicidade, ajudando o seu adiantamento?<\/span><br \/><span style=\"color: #000000;\">Os limites do seu horizonte moral nada lhe permitiam ver al\u00e9m da vida presente, nem quanto ao futuro, nem quanto ao passado. Ele n\u00e3o podia compreender que havia progredido, nem que teria ainda de progredir individualmente, e menos ainda que as vicissitudes da vida resultam da imperfei\u00e7\u00e3o do seu pr\u00f3prio ser espiritual, que preexiste e sobrevive ao corpo, depurando-se numa s\u00e9rie de exist\u00eancias at\u00e9 chegar \u00e0 perfei\u00e7\u00e3o. Para compreender que o bem pode sair do mal n\u00e3o lhe bastava ver apenas uma exist\u00eancia, era necess\u00e1rio abranger o conjunto, pois s\u00f3 ent\u00e3o se tornam claras as verdadeiras causas e os seus efeitos.<\/span><br \/><span style=\"color: #000000;\">5 \u2014 O duplo princ\u00edpio do bem e do mal foi, durante longos s\u00e9culos, sob diferentes nomes, a base de todas as cren\u00e7as religiosas. Foi personificado com os nomes de Ormuz e Arim\u00e3 <\/span><span style=\"color: #000000;\">entre os persas e de Jeov\u00e1 e Sat\u00e3 entre os hebreus. Mas, como todo soberano deve ter os seus ministros, todas as religi\u00f5es admitiram a exist\u00eancia de poderes secund\u00e1rios que s\u00e3o os g\u00e9nios bons ou maus. Os pag\u00e3os personificaram esses poderes numa multid\u00e3o de individualidades, tendo cada uma atribui\u00e7\u00f5es especiais no tocante ao bem e ao mal, as virtudes e aos v\u00edcios, dando-lhes a denomina\u00e7\u00e3o geral de deuses. Os Crist\u00e3os e os Mu\u00e7ulmanos herdaram dos Hebreus os anjos e os dem\u00f4nios.<\/span><br \/><span style=\"color: #000000;\">6 \u2014 A doutrina dos dem\u00f4nios tem portanto a sua origem na antiga cren\u00e7a no princ\u00edpio do bem e do mal. Vamos examin\u00e1-la aqui somente do ponto de vista crist\u00e3o, procurando ver se ela est\u00e1 em rela\u00e7\u00e3o com o conhecimento mais exato que hoje possu\u00edmos dos atributos da Divindade.<\/span><br \/><span style=\"color: #000000;\">Esses atributos s\u00e3o o ponto de partida, a base de todas as doutrinas religiosas. Os dogmas, o culto, as cerim\u00f3nias, as pr\u00e1ticas, a moral, tudo nelas se relaciona com a ideia mais ou menos justa, mais ou menos elevada que fazem de Deus, desde o fetichismo at\u00e9 o Cristianismo. Se a natureza de Deus \u00e9 ainda um mist\u00e9rio para a nossa intelig\u00eancia, entretanto j\u00e1 a\u00ed compreendemos melhor do que nunca, gra\u00e7as aos ensinamentos do Cristo. O Cristianismo, concordando nisso com os princ\u00edpios <\/span><span style=\"color: #000000;\">racionais, nos ensina que: Deus \u00e9 \u00fanico, eterno, imut\u00e1vel, imaterial, todo-poderoso, soberanamente justo e bom, e todas as suas perfei\u00e7\u00f2es s\u00e3o infinitas. <\/span><span style=\"color: #000000;\">Como dissemos atr\u00e1s (Cap. VI. Penas Eternas): &#8220;Se tirarmos a enorme parcela de um s\u00f3 dos atributos de Deus, n\u00e3o teremos mais Deus, pois poderia existir um ser mais perfeito.&#8221; Esses atributos, compreendidos na sua mais absoluta plenitude, constituem o crit\u00e9rium de todas as religi\u00f5es, a medida de verdade de cada um dos princ\u00edpios que elas ensinam. Para que um desses princ\u00edpios seja verdadeiro \u00e9 preciso que n\u00e3o atente contra nenhuma das perfei\u00e7\u00f5es de Deus. Vejamos se isso acontece no tocante \u00e0 doutrina vulgar dos dem\u00f4nios.<\/span><br \/><span style=\"color: #000000;\">Da encarna\u00e7\u00e3o e de seus m\u00e9ritos. Porque n\u00e3o h\u00e1 nenhuma propor\u00e7\u00e3o entre as obras dos Esp\u00edritos mais eminentes e essa recompensa que \u00e9 o pr\u00f3prio Deus em si mesmo. Nenhuma criatura teria podido chegar at\u00e9 esse ponto sem essa interven\u00e7\u00e3o maravilhosa e sublime de caridade. Ora, para cobrir a dist\u00e2ncia infinita que separa a ess\u00eancia divina das obras de suas pr\u00f3prias m\u00e3os, era necess\u00e1rio que ele reunisse na sua pessoa os dois extremos e associasse a sua divindade \u00e0 natureza do anjo ou \u00e0 do homem: ele preferiu a natureza humana. <\/span><span style=\"color: #000000;\">Esse plano, concebido desde toda a eternidade, foi revelado aos anjos muito tempo antes da sua realiza\u00e7\u00e3o. O Homem-Deus lhes foi mostrado no futuro como Aquele que devia confirm\u00e1-los na gra\u00e7a e introduzi-los na gl\u00f3ria, com a condi\u00e7\u00e3o de que o adorassem na Terra durante a sua miss\u00e3o, e no C\u00e9u pelos s\u00e9culos dos s\u00e9culos. Revela\u00e7\u00e3o inesperada, vis\u00e3o arrebatadora para os cora\u00e7\u00f5es generosos e reconhecidos, mas mist\u00e9rio profundo e humilhante para os Esp\u00edritos soberbos!<\/span><br \/><span style=\"color: #000000;\">Este destino sobrenatural, o peso imenso dessa gl\u00f3ria que lhes era proposta n\u00e3o seria unicamente a recompensa de seus m\u00e9ritos pessoais! Jamais se poderiam atribuir, por si mesmos, os t\u00edtulos da sua posse! Um mediador entre eles e Deus, que ofensa feita \u00e0 sua dignidade! A prefer\u00eancia gratuita pela natureza humana, que injusti\u00e7a! Que atentado aos seus direitos! Essa humanidade que lhes era t\u00e3o inferior, teriam de v\u00ea-la um dia endeusada pela sua uni\u00e3o com o Verbo e assentada \u00e0 direita de Deus, sobre um trono resplandecente? Concordar\u00e3o eles a prestar-lhe eternamente as suas homenagens e a sua adora\u00e7\u00e3o? <\/span><span style=\"color: #000000;\">L\u00facifer e a terceira parte dos anjos sucumbiram a esses pensamentos de inveja e de orgulho. S\u00e3o Miguel, e com ele a maioria, exclamaram: quem \u00e9 semelhante a Deus? Ele \u00e9 o senhor <\/span><span style=\"color: #000000;\">de seus dons e o soberano Senhor de todas as coisas. Gl\u00f3ria a Deus e ao Cordeiro que ser\u00e1 imolado para a salva\u00e7\u00e3o do mundo! Mas o chefe dos rebeldes, esquecendo que devia ao seu criador a sua pr\u00f3pria nobreza e as suas prerrogativas, preferiu escutar a sua pr\u00f3pria temeridade e respondeu: eu mesmo subirei ao c\u00e9u, estabelecerei a minha morada acima dos astros, me assentarei sobre a montanha da Alian\u00e7a, nos flancos do Arquil\u00e3o, dominarei as nuvens mais elevadas e serei semelhante ao Alt\u00edssimo. \u2014 Os que partilhavam os seus sentimentos acolheram essas palavras com um murmurar de aprova\u00e7\u00e3o, e eles estavam em todas as ordens da hierarquia, mas a sua multid\u00e3o n\u00e3o os livrou do castigo.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">9 \u2014 Essa doutrina provoca numerosas obje\u00e7\u00f5es:<\/span><br \/><span style=\"color: #000000;\">1a) Se Sat\u00e3 e os dem\u00f4nios eram anjos, \u00e9 que eram perfeitos; como, sendo perfeitos, puderam falir, desconhecendo dessa maneira a autoridade de Deus em cuja presen\u00e7a se encontravam? Poder-se-ia ainda conceber que, se tivessem chegado \u00e0 esta emin\u00eancia de maneira gradual, ap\u00f3s haver passado pelos planos da imperfei\u00e7\u00e3o, pudessem ter sofrido uma queda dolorosa. Mas o que torna o problema mais <\/span><span style=\"color: #000000;\">incompreens\u00edvel \u00e9 que s\u00e3o apresentados como tendo sido criados perfeitos (1).<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000080; font-size: 12px;\">(1) Essa doutrina monstruosa foi dada por Mois\u00e9s quando disse (G\u00e9nese, Cap, VI, v. 6,7): &#8220;Ele se arrependeu de haver criado o homem na Terra. E, tocado de dor at\u00e9 o mais fundo do cora\u00e7\u00e3o, disse: exterminarei da Terra o homem que criei, exterminarei tudo, desde o homem at\u00e9 os animais, desde os que rastejam no solo at\u00e9 os p\u00e1ssaros do c\u00e9u, porque eu me arrependo de os haver feito.&#8221; Um Deus que se arrepende daquilo que fez n\u00e3o \u00e9 perfeito nem infal\u00edvel: portanto, n\u00e3o \u00e9 Deus. Essas s\u00e3o, n\u00e3o obstante, as palavras que a Igreja proclama como verdades sagradas. Por outro lado, n\u00e3o se percebe, de maneira alguma, o que havia de comum entre os animais e a perversidade dos homens, para merecerem aqueles a sua extermina\u00e7\u00e3o. (N. de Kardec).<br \/><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">A consequ\u00eancia dessa teoria \u00e9 a seguinte: Deus quiz faz\u00ea-los seres perfeitos, desde que os cumulou de todos os dons, mas se enganou. Assim, segundo a Igreja, Deus n\u00e3o \u00e9 infal\u00edvel (2).<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000080; font-size: 12px;\">(2) A revolu\u00e7\u00e3o teol\u00f3gica atualmente em curso d\u00e1 pouca import\u00e2ncia ao problema dos anjos, preocupada quase exclusivamente com o homem. No Catecismo Holand\u00eas, que apresenta a f\u00e9 para adultos, a distin\u00e7\u00e3o entre os anjos e os homens permanece a mesma do tempo de Kardec. Definindo-os, diz o Catecismo: &#8220;S\u00e3o mensageiros ou virtudes que prov\u00eam de Deus, esp\u00edritos servidores (Hebreus 1,14) frequentemente apresentados na B\u00edblia em forma humana. D\u00e3o forma \u00e0 bondade de Deus e constituem as grandes virtudes boas que colaboram conosco nesta cria\u00e7\u00e3o. Seria a exist\u00eancia deles hip\u00f3tese pertencente \u00e0 concep\u00e7\u00e3o do mundo que reina na Sagrada Escritura? Ou faz esta exist\u00eancia parte integrante da revela\u00e7\u00e3o de Deus?&#8221; \u2014 Como se v\u00ea, os anjos s\u00e3o um mist\u00e9rio. (N. do T.)<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">2a) Desde que nem a Igreja nem os anais da Hist\u00f3ria Sagrada explicam a causa da revolta dos anjos contra Deus, que somente parece certo que foi a recusa de reconhecer a miss\u00e3o futura do Cristo, que valor pode ter o quadro t\u00e3o preciso e detalhado da cena que ent\u00e3o se passou? Em que fonte encontrou ela as express\u00f5es t\u00e3o precisas que reproduziu, como tendo sido pronunciadas na ocasi\u00e3o e at\u00e9 mesmo os simples murm\u00farios? De duas, uma: ou a cena \u00e9 verdadeira ou n\u00e3o \u00e9. Se \u00e9 verdadeira, n\u00e3o h\u00e1 qualquer incerteza. Ent\u00e3o, porque a Igreja n\u00e3o decidiu a quest\u00e3o? Se a Igreja e a Hist\u00f3ria se calam, a causa apenas parece certa, tudo n\u00e3o passa de suposi\u00e7\u00e3o e a descri\u00e7\u00e3o da cena \u00e9 simples obra de imagina\u00e7\u00e3o (3,4).<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000080; font-size: 12px;\">(3) Encontra-se em Isaias, cap. XVI, v. 11 e seguintes: &#8220;Teu orgulho foi precipitado nos infernos, teu corpo morto tombou na Terra, tua cama ser\u00e1 a podrid\u00e3o e tua vestimenta ser\u00e1 de vermes. Como tombaste do c\u00e9u, L\u00facifer, tu que parecias t\u00e3o brilhante como o sol ao meio-dia?<\/span><br \/><span style=\"color: #000080; font-size: 12px;\">Como foste lan\u00e7ado sobre a Terra, tu que golpeavas e ferias as na\u00e7\u00f5es, que dizias no teu cora\u00e7\u00e3o: eu subirei ao c\u00e9u e estabelecerei meu trono sobre os astros de Deus, e me assentarei sobre a montanha da Alian\u00e7a, nos flancos do Aquil\u00e3o, me colocarei sobre as nuvens mais elevadas e serei semelhante ao Alt\u00edssimo? \u2014 E no entanto foste precipitado desta gl\u00f3ria para o inferno, at\u00e9 os mais fundos dos abismos. \u2014 Os que puderem ver-te, aproximando-se de ti, depois de te encararem, dir\u00e3o: \u00e9 este o homem que atemorizou a Terra, que encheu de terror os reinos e transformou o mundo num deserto, destruiu as cidades e prendeu em cadeias os que fez prisioneiros?&#8221; Essas palavras do profeta n\u00e3o se referem \u00e0 revolta dos anjos, mas aludiam ao orgulho e \u00e0 queda do rei de Babil\u00f4nia que mantinha os judeus no cativeiro, como o provam os \u00faltimos vers\u00edculos. O Rei de Babil\u00f4nia \u00e9 designado, por alegoria, sob o nome de L\u00facifer, mas n\u00e3o se faz nenhuma refer\u00eancia \u00e0 cena acima descrita. Essas palavras s\u00e3o do Rei, que as dizia no seu cora\u00e7\u00e3o e se colocava, pelo seu orgulho, acima de Deus, cujo povo retinha cativo. A predi\u00e7\u00e3o da liberta\u00e7\u00e3o dos judeus, da ru\u00edna de Babil\u00f4nia e da derrota dos ass\u00edrios \u00e9, ali\u00e1s, o objeto exclusivo desse cap\u00edtulo. (N. de Kardec)<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000080;\"><span style=\"font-size: 12px;\">(4) Tratando de Satan\u00e1s, diz o Catecismo Holand\u00eas simplesmente que ele pode ser considerado da mesma maneira que os anjos&#8221; &#8230;mas em dire\u00e7\u00e3o oposta: ele \u00e9 a for\u00e7a reacion\u00e1ria. N\u00e3o em p\u00e9 de igualdade, n\u00e3o t\u00e3o original nem t\u00e3o poderoso quanto Deus, como bem nos revela expressamente a Escritura. \u00c9 ele a mal\u00edcia tremenda que vemos agir eficazmente na Humanidade. Ultrapassa de t\u00e3o longe a mal\u00edcia individual que nos perguntamos: qual \u00e9 a for\u00e7a que est\u00e1 agindo aqui? Uma for\u00e7a meramente humana?&#8221; \u2014 Como se v\u00ea, a posi\u00e7\u00e3o teol\u00f3gica dos nossos dias continua amb\u00edgua em refer\u00eancia ao problema dos anjos e dem\u00f4nios. A Igreja ainda n\u00e3o conseguiu escapar da dualidade mazdeista, considerando Deus como sendo ao mesmo tempo o Poder Supremo e a sua pr\u00f3pria oposi\u00e7\u00e3o. A cr\u00edtica de Kardec, portanto, continua v\u00e1lida. \u2014 (O Novo Catecismo, Editora Herder, S\u00e3o Paulo, 1969, com parecer para o Nihil Obstai e Imprimatur, do Cardeal Arcebispo, por Mons. Dr. Roberto Mascarenhas Roxo. O parecer lembraque o Concilio Vaticano reafirmou a tese do IV Conc\u00edlio de Latr\u00e3o e esclarece: &#8220;A f\u00e9 n\u00e3o define a natureza &#8220;filos\u00f3fica&#8221; desses seres. Afirma-os &#8220;esp\u00edritos&#8221;, i. e., de natureza diversa, do homem enquanto simultaneamente espiritual e material&#8221;), (N. do T.)<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">3a) As palavras atribu\u00eddas a L\u00facifer revelam uma ignor\u00e2ncia que nos assustamos de ver num arcanjo que por sua pr\u00f3pria natureza e pelo grau que havia alcan\u00e7ado, n\u00e3o devia participar, no tocante \u00e0 organiza\u00e7\u00e3o do Universo, dos erros e dos preconceitos que os homens professaram at\u00e9 o momento em que a Ci\u00eancia veio esclarec\u00ea-los. Como poderia ele dizer:<\/span><br \/><span style=\"color: #000000;\">&#8220;Estabelecerei a minha morada acima dos astros, dominarei as nuvens mais elevadas&#8221;? \u00c9 sempre a antiga cren\u00e7a que tem a Terra como centro do Universo, o c\u00e9u de nuvens que se estende at\u00e9 as estrelas, a regi\u00e3o limita da das estrelas formando a c\u00fapula que a Astronomia nos mostra aberta ao espa\u00e7o infinito, onde as estrelas se espalham. <\/span><span style=\"color: #000000;\">Como sabemos hoje as nuvens n\u00e3o se encontram al\u00e9m de duas l\u00e9guas acima da Terra, para dizer que dominaria as nuvens mais elevadas, referindo-se \u00e0s montanhas, era necess\u00e1rio que as cenas se passassem na face da Terra e que nesta, portanto, estivesse a morada dos anjos. Se essa morada estiver nas regi\u00f5es superiores, estaria claro que devia situar-se muito al\u00e9m das nuvens. Atribuir aos anjos uma linguagem tomada de empr\u00e9stimo \u00e0 ignor\u00e2ncia dos homens seria declarar que estes, hoje, sabem mais do que os anjos. A Igreja sempre cometeu o erro de n\u00e3o levar em considera\u00e7\u00e3o os progressos da ci\u00eancia.<br \/><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">10 \u2014 A resposta \u00e0 primeira obje\u00e7\u00e3o se encontra na passagem seguinte:<\/span><br \/><span style=\"color: #000000;\">A Escritura e a Tradi\u00e7\u00e3o designam o C\u00e9u como o lugar em que os anjos foram colocados no momento da sua cria\u00e7\u00e3o. Mas esse n\u00e3o \u00e9 o c\u00e9u dos c\u00e9us, o c\u00e9u da vis\u00e3o beat\u00edfica, onde Deus se mostra aos seus eleitos face a face e onde esses eleitos o contemplam sem dificuldades e sem esfor\u00e7os, porque l\u00e1 n\u00e3o existem mais perigos nem possibilidades de pecar; a tenta\u00e7\u00e3o e a fraqueza s\u00e3o ali desconhecidas; a justi\u00e7a, a alegria e a paz reinam com seguran\u00e7a absoluta; a santidade e a gl\u00f3ria s\u00e3o imperec\u00edveis. Era portanto outra regi\u00e3o celeste, uma esfera luminosa e afortunada em que essas nobres criaturas, largamente favorecidas pelas comunica\u00e7\u00f5es divinas, deviam receb\u00ea-las e aceit\u00e1-las pela humildade da f\u00e9, antes de serem admitidas \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de verem claramente a realidade na pr\u00f3pria ess\u00eancia de Deus.<\/span><br \/><span style=\"color: #000000;\">Disto resulta que os anjos falidos pertencem a uma categoria menos elevada, menos perfeita, de maneira que ainda n\u00e3o<\/span><br \/><span style=\"color: #000000;\">haviam atingido a regi\u00e3o suprema em que a falta \u00e9 imposs\u00edvel. Seja, mas ent\u00e3o h\u00e1 uma contradi\u00e7\u00e3o manifesta porque est\u00e1 dito no texto que: &#8220;Deus os havia criado em tudo semelhantes aos Esp\u00edritos sublimes; que, distribu\u00eddos em todas as ordens e misturados a todos os graus, eles tinham o mesmo objetivo e a mesma destina\u00e7\u00e3o; que o seu chefe era o mais belo dos arcanjos&#8221;. Se eles foram feitos em tudo semelhantes aos outros, n\u00e3o podiam ter uma natureza inferior, e se estavam misturados a todos os graus, n\u00e3o podiam estar num lugar especial. A obje\u00e7\u00e3o, portanto, subsiste em toda a sua inteireza.<\/span><br \/><span style=\"color: #000000;\">11 \u2014 H\u00e1 ainda outra que \u00e9, inegavelmente, a mais grave e a mais s\u00e9ria. Est\u00e1 escrito: &#8220;Esse plano (a media\u00e7\u00e3o de Cristo) concebido desde toda a eternidade, foi revelado aos anjos muito tempo antes da sua realiza\u00e7\u00e3o.&#8221; Deus sabia, portanto, desde toda a eternidade, que os anjos, tanto quanto os homens, tinham necessidade dessa media\u00e7\u00e3o. Sabia, ou n\u00e3o sabia que certos anjos falhariam, que a sua queda acarretaria para eles a condena\u00e7\u00e3o eterna e sem esperan\u00e7a de retorno; que eles seriam destinados a tentar os homens e que estes, os que se deixassem seduzir, teriam a mesma sorte.<\/span><br \/><span style=\"color: #000000;\">Se Deus sabia tudo isso, ent\u00e3o criou os anjos, em conhecimento de causa, para a perda irrevog\u00e1vel e para por a perder a maior parte do g\u00e9nero humano. Por mais que se fa\u00e7a, \u00e9 imposs\u00edvel conciliar a sua cria\u00e7\u00e3o, em face de semelhante previs\u00e3o, com a sua soberana bondade. Se, por outro lado, ele nada sabia, n\u00e3o era onisciente nem todo-poderoso. Num e noutro caso, temos a nega\u00e7\u00e3o de atributos sem a plenitude dos quais Deus n\u00e3o seria Deus.<\/span><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">12 \u2014 Se admitirmos a falibilidade dos anjos, semelhante \u00e0 dos homens, a puni\u00e7\u00e3o \u00e9 uma consequ\u00eancia natural e justa da falta cometida, desde que se admita ao mesmo tempo a possibilidade do resgate para o retorno ao bem, \u00e0 reintegra\u00e7\u00e3o na gra\u00e7a ap\u00f3s o arrependimento e a expia\u00e7\u00e3o. N\u00e3o haveria nada que ent\u00e3o desmentisse a bondade de Deus. Deus sabia que eles faliriam e seriam punidos, mas sabia tamb\u00e9m que o castigo tempor\u00e1rio seria um meio de faz\u00ea-los compreender a pr\u00f3pria falta e portanto reverteria em seu benef\u00edcio. <\/span><span style=\"color: #000000;\">Assim se cumpririam estas palavras do profeta Ezequiel: &#8220;Deus n\u00e3o quer a morte do pecador, mas a sua salva\u00e7\u00e3o.&#8221; (Ver cap. Vil, n\u00b0 20). O que seria a nega\u00e7\u00e3o da bondade de Deus \u00e9 a inutilidade do arrependimento e a impossibilidade do retorno ao bem. Nessa<\/span><br \/><span style=\"color: #000000;\">hip\u00f3tese \u00e9 rigorosamente exato dizer-se que: &#8220;Esses anjos, desde a sua cria\u00e7\u00e3o, pois que Deus n\u00e3o o podia ignorar, foram destinados ao mal pela eternidade e predestinados a se transformarem em dem\u00f4nios para arrastar os homens ao mal&#8221;.<\/span><br \/><span style=\"color: #000000;\">13 \u2014 Vejamos agora qual \u00e9 a sorte destes anjos e o que eles fazem:<\/span><br \/><span style=\"color: #000000;\">Mal eclodira a revolta na linguagem dos Esp\u00edritos, quer dizer, nos impulsos dos seus pensamentos, foram eles banidos irrevogavelmente da cidade celeste e precipitados no abismo. <\/span><span style=\"color: #000000;\">Por essas palavras entendemos que eles foram relegados a um lugar de supl\u00edcios onde tivessem de sofrer a penalidade do fogo, conforme o que diz o texto do Evangelho, que procede das pr\u00f3prias palavras do Salvador: &#8220;Ide, malditos, ao fogo eterno que foi preparado para o dem\u00f4nio e seus anjos.&#8221; S\u00e3o Pedro diz expressamente: &#8220;Que Deus os enviou \u00e0s cadeias e \u00e0s torturas do inferno; mas nem todos ficam ali perpetuamente; somente no fim do mundo \u00e9 que ser\u00e3o encerrados para sempre com os condenados. Atualmente Deus ainda permite que eles ocupem um lugar na cria\u00e7\u00e3o a que pertencem, ordem das coisas \u00e0 qual se liga a sua exist\u00eancia, nas rela\u00e7\u00f5es enfim que eles devem ter com os homens e das quais abusam da maneira mais perniciosa.<\/span><br \/><span style=\"color: #000000;\">Enquanto uns permanecem na sua morada tenebrosa, servindo de instrumento \u00e0 justi\u00e7a divina, contra as almas infortunadas que seduziram, numerosos outros, formando legi\u00f5es infinitas e invis\u00edveis, sob a conduta de seus chefes, moram nas camadas inferiores da nossa atmosfera e percorrem todas as partes do globo. Est\u00e3o infiltrados em tudo que se passa neste mundo e na maioria das vezes desempenham o papel mais ativo.&#8221;<\/span><br \/><span style=\"color: #000000;\">No que concerne \u00e0s palavras do Cristo sobre o supl\u00edcio do fogo eterno, ver o cap\u00edtulo IV, intitulado O Inferno.<\/span><br \/><span style=\"color: #000000;\">14 \u2014 Segundo esta doutrina, uma parte dos dem\u00f4nios fica somente no inferno enquanto a outra erra em liberdade, intrometendo-se em tudo que se passa neste mundo, divertindo-se em praticar o mal, e isso at\u00e9 o fim do mundo, cuja data indeterminada n\u00e3o chegar\u00e1 provavelmente t\u00e3o cedo. Mas porque essa diversidade? S\u00e3o estes menos culpados? Seguramente n\u00e3o. A menos que se revezem nos seus pap\u00e9is, o que parece resultar desta passagem: &#8220;Enquanto uns permanecem na sua morada tenebrosa e servem de instrumento \u00e0 justi\u00e7a divina contra as almas infortunadas que seduziram&#8221;.<\/span><br \/><span style=\"color: #000000;\">Suas fun\u00e7\u00f5es consistem, pois, em atormentar as almas que seduziram. Assim, n\u00e3o est\u00e3o encarregados de punir as que s\u00e3o <\/span><span style=\"color: #000000;\">culpadas de faltas livre e involuntariamente cometidas, mas aquelas que ca\u00edram pelas suas pr\u00f3prias provoca\u00e7\u00f5es. S\u00e3o, ao mesmo tempo, a causa da falta, e o instrumento do castigo. E, coisa que a justi\u00e7a humana por mais imperfeita n\u00e3o admitiria, a v\u00edtima que sucumbe por fraqueza, na ocasi\u00e3o preparada para isso, \u00e9 punida t\u00e3o severamente como o agente provocador que empregou contra ela a artimanha e a ast\u00facia. A puni\u00e7\u00e3o \u00e9 at\u00e9 mais severa, porque ela vai ao inferno ao deixar a Terra, para dali nunca mais sair, sofrendo sem tr\u00e9gua nem perd\u00e3o pela eternidade, enquanto aquele que foi a causa da sua queda goza de uma dila\u00e7\u00e3o de prazo, em liberdade at\u00e9 o fim do mundo! A justi\u00e7a de Deus n\u00e3o seria ent\u00e3o mais perfeita que a dos homens?<\/span><br \/><span style=\"color: #000000;\">15 \u2014 Isso n\u00e3o \u00e9 tudo. &#8220;Deus permite que eles ocupem ainda um lugar na cria\u00e7\u00e3o, nas rela\u00e7\u00f5es que devem ter com os homens e das quais abusam da maneira mais perniciosa.&#8221; Deus poderia ignorar que eles iam abusar da liberdade que lhes concedia? Ent\u00e3o porque a concedeu? Foi pois em conhecimento de causa que deixou as suas criaturas \u00e0 merc\u00ea dos dem\u00f4nios, sabendo, em virtude da sua infinita presci\u00eancia, que elas sucumbiriam e teriam a mesma sorte dos tentadores. N\u00e3o tinham elas a sua pr\u00f3pria fraqueza, sem a necessidade de que fossem excitadas ao mal por um inimigo tanto mais perigoso, quanto invis\u00edvel? Ainda<\/span><br \/><span style=\"color: #000000;\">se o castigo fosse apenas tempor\u00e1rio e o culpado pudesse salvar-se pela repara\u00e7\u00e3o! Mas n\u00e3o: ele \u00e9 condenado pela eternidade. Seu arrependimento, seu retorno ao bem, suas lamenta\u00e7\u00f5es, tudo \u00e9 sem valor.<\/span><br \/><span style=\"color: #000000;\">Os dem\u00f4nios s\u00e3o assim agentes provocadores predestinados a recrutar almas para o inferno, e isso com a permiss\u00e3o de Deus, que sabia, ao criar essas almas, a sorte que lhes estava reservada. Que se diria, aqui na Terra, de um juiz que usasse semelhantes meios para encher as pris\u00f5es? Estranha ideia que nos d\u00e3o da Divindade de um Deus cujos atributos essenciais s\u00e3o a soberana justi\u00e7a e a soberana bondade!<\/span><br \/><span style=\"color: #000000;\">E \u00e9 em nome de Jesus Cristo, daquele que s\u00f3 pregou o amor, a caridade e o perd\u00e3o, que se ensinam semelhantes doutrinas! Houve um tempo em que esses absurdos passavam despercebidos. N\u00e3o podiam ser compreendidos, n\u00e3o chocavam os sentimentos. O homem, arcado ao jugo do despotismo, submetia a sua raz\u00e3o de maneira cega, ou melhor, abdicava da raz\u00e3o. Mas hoje a hora da emancipa\u00e7\u00e3o j\u00e1 soou. Ele compreende a justi\u00e7a e deseja t\u00ea-la durante a sua vida e ap\u00f3s a sua morte. Eis porque ele clama: isso n\u00e3o \u00e9 assim, n\u00e3o pode ser assim ou Deus n\u00e3o \u00e9 Deus!<\/span><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<div id=\"content\" class=\"post-single-content box mark-links\" style=\"text-align: justify;\">\n<div>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Continua&#8230;&#8230;no cap\u00edtulo final OS DEM\u00d4NIOS 2 de 2<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12px; color: #000000;\">\u00a0<\/span><\/p>\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>OS DEM\u00d4NIOS &#8211; 1 de 2 &#8211; Cap 9 ou A Justi\u00e7a Divina Segundo o Espiritismo. \u00a0 Origem da cren\u00e7a nos Dem\u00f4nios1 \u2014 Os dem\u00f4nios desempenharam em todas as \u00e9pocas [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_bbp_topic_count":0,"_bbp_reply_count":0,"_bbp_total_topic_count":0,"_bbp_total_reply_count":0,"_bbp_voice_count":0,"_bbp_anonymous_reply_count":0,"_bbp_topic_count_hidden":0,"_bbp_reply_count_hidden":0,"_bbp_forum_subforum_count":0,"footnotes":""},"categories":[7],"tags":[],"blocksy_meta":{"styles_descriptor":{"styles":{"desktop":"","tablet":"","mobile":""},"google_fonts":[],"version":6}},"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v23.5 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>OS DEM\u00d4NIOS - 1 &#8211; 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