{"id":1288,"date":"2019-02-07T00:23:17","date_gmt":"2019-02-07T02:23:17","guid":{"rendered":"https:\/\/www.estudosherculanopires.com.br\/site\/?p=1288"},"modified":"2021-10-21T01:22:07","modified_gmt":"2021-10-21T04:22:07","slug":"a-preocupacao-com-a-morte","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estudosherculanopires.com.br\/site\/2019\/02\/a-preocupacao-com-a-morte\/","title":{"rendered":"A PREOCUPA\u00c7\u00c2O COM A MORTE"},"content":{"rendered":"\n<p><br><\/p>\n\n\n<header>\n<h1 style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-208 size-full\" src=\"https:\/\/www.estudosherculanopires.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/logmaskHerculano-2.png\" alt=\"\" width=\"652\" height=\"317\" srcset=\"https:\/\/estudosherculanopires.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/logmaskHerculano-2.png 652w, https:\/\/estudosherculanopires.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/logmaskHerculano-2-300x146.png 300w\" sizes=\"(max-width: 652px) 100vw, 652px\" \/><\/h1>\n<\/header>\n<div id=\"content\" class=\"post-single-content box mark-links\">\n<div>\n<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #000000;\"><strong>O C\u00c9U E O INFERNO &#8211; <\/strong><\/span>CAP\u00cdTULO 2<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Causas da preocupa\u00e7\u00e3o com a morte<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">1 \u2014 O homem, em qualquer situa\u00e7\u00e3o social, desde o estado de selvageria, tem o pressentimento inato do futuro. Sua intui\u00e7\u00e3o lhe diz que a morte n\u00e3o \u00e9 a \u00faltima fase da exist\u00eancia e que aqueles que choramos n\u00e3o est\u00e3o perdidos para sempre. A cren\u00e7a no futuro \u00e9 intuitiva e infinitamente mais generalizada que a ideia do nada. Como se explica, entretanto, que entre os que acreditam na imortalidade da alma ainda se encontre tamanho apego \u00e0s coisas terrenas e t\u00e3o grande preocupa\u00e7\u00e3o com a morte? (1)<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">(1) A intui\u00e7\u00e3o inata da vida futura \u00e9 um dos fatores b\u00e1sicos da origem das religi\u00f5es. (N. do T.)<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">2 \u2014 A preocupa\u00e7\u00e3o com a morte \u00e9 determinada pela sabedoria da Provid\u00eancia e uma consequ\u00eancia do instinto de conserva\u00e7\u00e3o comum a todos os seres vivos. \u00c9 necess\u00e1ria, enquanto o homem n\u00e3o estiver esclarecido a respeito da vida futura, como um contrapeso ao arrastamento que, sem esse freio o levaria a deixar prematuramente a vida terrena e a negligenciar o seu trabalho neste mundo, que deve servir para o seu pr\u00f3prio adiantamento. \u00c9 por isso que, entre os povos primitivos, o futuro aparece apenas como vaga intui\u00e7\u00e3o, tornando-se mais tarde uma simples esperan\u00e7a, e finalmente se transformando em certeza, mas ainda assim contrabalan\u00e7ada por um secreto apego \u00e0 vida corporal.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">3 \u2014 \u00c0 medida em que o homem compreende melhor a vida futura a preocupa\u00e7\u00e3o com a morte diminui. Mas, ao mesmo tempo, compreendendo melhor a sua miss\u00e3o na Terra ele espera o seu fim com mais calma, resigna\u00e7\u00e3o e sem medo. A certeza da vida futura d\u00e1 novo curso \u00e0s suas ideias e outra finalidade aos seus trabalhos. Antes de ter essa certeza ele s\u00f3 trabalha com vistas \u00e0 vida presente. Com essa certeza ele trabalha com vistas ao futuro sem negligenciar o presente, porque sabe que seu futuro depende da orienta\u00e7\u00e3o mais ou menos boa que der ao presente. A certeza de reencontrar seus amigos ap\u00f3s a morte, de continuar as rela\u00e7\u00f5es que tinha na Terra, de n\u00e3o perder o fruto de nenhum de seus trabalhos, de crescer sem cessar em intelig\u00eancia e perfei\u00e7\u00e3o, lhe d\u00e1 a paci\u00eancia de esperar e a coragem de suportar as fadigas passageiras da vida terrena. A solidariedade que ele descobre entre os vivos e os mortos lhe faz compreender a que deve existir entre os vivos e desde ent\u00e3o a fraternidade revela a sua raz\u00e3o de ser e a caridade o seu objetivo no presente e no futuro.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">4 \u2014 Para escapar \u00e0s preocupa\u00e7\u00f5es com a morte ele precisava encarar a esta no seu verdadeiro sentido, quer dizer, penetrar pelo pensamento no mundo espiritual e fazer sobre ele uma ideia t\u00e3o exata quanto poss\u00edvel, o que denota no esp\u00edrito encarnado um certo desenvolvimento e uma certa aptid\u00e3o para se libertar da mat\u00e9ria. Para os que n\u00e3o est\u00e3o suficientemente adiantados a vida material ainda se sobrep\u00f5e \u00e0 vida espiritual. Apegando-se ao exterior, o homem s\u00f3 v\u00ea a vida do corpo, quando a vida real \u00e9 a da alma. O corpo estando privado de vida, tudo lhe parece perdido e ele se desespera. Se, em lugar de concentrar o seu pensamento nas vestes exteriores, ele o dirigisse para a verdadeira fonte da vida, para a alma, ser real que sobrevive a tudo, lamentaria menos o corpo, fonte de tantas mis\u00e9rias e dores. Mas para isso necessita de uma for\u00e7a que o Esp\u00edrito s\u00f3 adquire amadurecendo. A preocupa\u00e7\u00e3o com a morte est\u00e1 ligada \u00e0 insufici\u00eancia de no\u00e7\u00f5es sobre a vida futura. Por isso, quanto mais ela se liga \u00e0 necessidade de viver, mais aumenta o temor da destrui\u00e7\u00e3o do corpo como o fim de tudo. Ela \u00e9 assim provocada pelo secreto desejo de sobreviv\u00eancia da alma, ainda velada pela incerteza. A preocupa\u00e7\u00e3o se enfraquece \u00e0 medida que se desenvolve a certeza e desaparece por completo quando esta se firma.<\/span><br><span style=\"color: #000000;\">Eis o lado providencial da quest\u00e3o. Seria prudente n\u00e3o perturbar o homem cuja raz\u00e3o ainda n\u00e3o esteja suficientemente forte para suportar a perspectiva demasiado positiva e sedutora de um futuro que poderia lev\u00e1-lo a negligenciar o presente, necess\u00e1rio ao seu progresso material e intelectual (2)<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">(2) A advert\u00eancia de Kardec, neste pequeno trecho, exige a maior aten\u00e7\u00e3o do leitor. Muitas pessoas t\u00eam o anseio, justo mas imprudente, de converter todo mundo \u00e0s suas cren\u00e7as. O Espiritismo n\u00e3o tem necessidade de proselitismo. Kardec sempre acentuou que ele n\u00e3o veio para os que est\u00e3o satisfeitos em sua cren\u00e7a ou descren\u00e7a, mas para os que n\u00e3o o est\u00e3o e procuram algo mais. H\u00e1 pessoas que n\u00e3o se acham em condi\u00e7\u00f5es de compreender os princ\u00edpios esp\u00edritas.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">5 \u2014 Esta situa\u00e7\u00e3o \u00e9 mantida e prolongada por causas puramente humanas que desaparecer\u00e3o com o progresso. A primeira \u00e9 o aspecto sobre o qual se apresenta a vida futura, aspecto que poderia bastar para as intelig\u00eancias pouco avan\u00e7adas, mas n\u00e3o poderia satisfazer \u00e0s exig\u00eancias racionais de homens de reflex\u00e3o. Desde que nos apresentam, dizem estes, como verdades absolutas, princ\u00edpios contraditados pela l\u00f3gica e pelos dados positivos da Ci\u00eancia, \u00e9 que n\u00e3o s\u00e3o verdadeiras. Da\u00ed resulta a incredulidade de alguns e para grande n\u00famero a cren\u00e7a duvidosa. A vida futura \u00e9 para eles uma vaga ideia, antes uma probabilidade do que uma certeza. Eles desejariam crer, quereriam que fosse verdade e malgrado isso dizem a si mesmos: &#8220;Mas se n\u00e3o for assim? O presente \u00e9 positivo. Ocupemo-nos primeiro dele, o futuro vir\u00e1 por acr\u00e9scimo.&#8221;<\/span><br><span style=\"color: #000000;\">&#8220;E depois, dizem ainda, o que \u00e9 na verdade a alma? Um ponto, um \u00e1tomo, uma centelha, uma flama? Como ela ouve, como v\u00ea, como percebe?&#8221; A alma n\u00e3o \u00e9 para eles uma realidade positiva. \u00c9 uma abstra\u00e7\u00e3o. Os seus seres queridos, reduzidos \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de \u00e1tomos no seu pensamento, est\u00e3o por assim dizer perdidos para eles, n\u00e3o tendo mais aos seus olhos as qualidades que os faziam amados. N\u00e3o podem compreender o amor de uma centelha, nem o que se pudesse ter por ela, e eles mesmos n\u00e3o se sentem satisfeitos de ser transformados em m\u00f4nadas. Da\u00ed o seu retorno ao positivismo da vida terrena, que lhes oferece alguma coisa mais substancial. \u00c9 consider\u00e1vel o n\u00famero dos que s\u00e3o dominados por esses pensamentos.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">6 \u2014 Outra raz\u00e3o que amarra \u00e0s coisas terrenas at\u00e9 mesmo as pessoas que acreditam firmemente na vida futura, liga-se \u00e0 impress\u00e3o que conservam de ensinamentos recebidos na inf\u00e2ncia.(8)<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">(8) Faz\u00ea-las aceitar esses princ\u00edpios pode ser prejudicial. Ao se convencerem, por exemplo, de que a vida espiritual \u00e9 superior \u00e0 material, elas poder\u00e3o desprezar esta \u00faltima e negligenciar as oportunidades que a atual encarna\u00e7\u00e3o lhes oferece para o progresso e a repara\u00e7\u00e3o do passado. E isto n\u00e3o se refere apenas \u00e0s pessoas incultas ou de intelig\u00eancia reduzida. Tamb\u00e9m pessoas inteligentes e cultas podem n\u00e3o estar em condi\u00e7\u00f5es de compreender o problema, em virtude de longos est\u00e1gios do passado em que insistiram no materialismo e na descren\u00e7a. (N. do T.)<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">O quadro apresentado pela Religi\u00e3o, a esse respeito, temos de convir que n\u00e3o \u00e9 muito sedutor nem consolador. De um lado vemos as contor\u00e7\u00f5es dos danados que expiam nas torturas e nas chamas sem fim os seus erros passageiros. Para eles os s\u00e9culos sucedem aos s\u00e9culos sem esperan\u00e7a de abrandamento nem de piedade. E o que \u00e9 ainda mais impiedoso, para eles o arrependimento \u00e9 ineficaz. De outro lado, as almas sofredoras e exaustas do purgat\u00f3rio esperando a sua liberta\u00e7\u00e3o da boa vontade dos vivos que devem orar ou mandar orar por elas, e n\u00e3o dos seus pr\u00f3prios esfor\u00e7os para progredir. Essas duas categorias constituem a imensa maioria da popula\u00e7\u00e3o do outro mundo. Acima dela paira a restrita classe dos eleitos, gozando pela eternidade de uma beatitude contemplativa. Essa inutilidade eterna, sem d\u00favida prefer\u00edvel ao nada, nem por isso \u00e9 menos fastidiosa. \u00c9 por isso que vemos nas pinturas que retratam os bem-aventurados, as figuras ang\u00e9licas que respiram mais o t\u00e9dio do que a verdadeira felicidade. Essa situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o satisfaz \u00e0s aspira\u00e7\u00f5es nem \u00e0 ideia instintiva de progresso que \u00e9 a \u00fanica compat\u00edvel com a felicidade absoluta. \u00c9 dif\u00edcil conceber que o selvagem e o ignorante de senso obtuso, somente por haverem recebido o batismo, sejam colocados no mesmo n\u00edvel daquele que chegou ao mais elevado grau da sabedoria e da moral, ap\u00f3s longos anos de trabalho. \u00c9 ainda menos conceb\u00edvel que a crian\u00e7a morta em tenra idade, antes de ter consci\u00eancia de si mesma e de seus atos, goze dos mesmos privil\u00e9gios, somente por efeito de uma cerim\u00f4nia a que foi submetida sem nenhuma participa\u00e7\u00e3o da sua vontade. Esses pensamentos n\u00e3o deixariam de perturbar os mais fervorosos, por pouco que refletissem \u00e0 respeito.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">7 \u2014 O trabalho que os faz progredir na Terra n\u00e3o tendo nenhuma influ\u00eancia sobre a felicidade futura, a facilidade com que pensam conquistar essa felicidade por meio de algumas pr\u00e1ticas exteriores, a possibilidade mesmo de compr\u00e1-la com dinheiro, sem uma reforma s\u00e9ria do car\u00e1ter e dos costumes, fazem que os gozos do mundo conservem todo o seu valor. Muitos crentes dizem para si mesmos que, se o seu futuro est\u00e1 assegurado pelo cumprimento de certas obriga\u00e7\u00f5es formais ou pelas gra\u00e7as que os esperam ap\u00f3s a morte, seria tolice fazerem sacrif\u00edcios ou sofrerem qualquer coisa em benef\u00edcio dos outros, uma vez que se pede atingir a salva\u00e7\u00e3o trabalhando cada um para si mesmo.<\/span><br><span style=\"color: #000000;\">Certamente nem todos pensam dessa maneira, pois h\u00e1 grandes e belas exce\u00e7\u00f5es. Mas n\u00e3o se pode negar que n\u00e3o seja esta a atitude da maioria, sobretudo das massas pouco esclarecidas, e que a ideia que comumente se faz das condi\u00e7\u00f5es para a felicidade no outro mundo n\u00e3o entret\u00e9m o apego aos bens terrenos e por conseguinte o ego\u00edsmo.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">8 \u2014 Acrescentemos que tudo, nos nossos costumes, concorre para fazer que lamentemos a perda da vida terrena e temamos a passagem da Terra para o C\u00e9u. A morte \u00e9 cercada de cerim\u00f4nias l\u00fagubres que servem mais para aterrorizar do que para despertar a esperan\u00e7a. Sempre se representa a morte sob um aspecto repulsivo e jamais como um sono de transi\u00e7\u00e3o. Todos os seus s\u00edmbolos lembram a destrui\u00e7\u00e3o do corpo, mostrando-o hediondo e descarnado. Nenhum nos apresenta a alma se desprendendo radiosa dos la\u00e7os terrenos (3)<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">(3)&nbsp;&nbsp; Essa impress\u00e3o negativa da morte foi intencional. O objetivo era atemorizar as criaturas a fim de se portarem bem na vida. H\u00e1 uma rela\u00e7\u00e3o evidente entre essa amea\u00e7a da morte e as amea\u00e7as de castigos nas escolas, para garantir o bom comportamento dos alunos. Mas esse recurso, que produziu resultados entre homens ignorantes e brutais, perderia o seu efeito na propor\u00e7\u00e3o em que a Civiliza\u00e7\u00e3o se desenvolvesse. Aconteceu com ele o que ensina uma lei da Dial\u00e9tica: o que hoje serve ao progresso, amanh\u00e3 se torna obst\u00e1culo e deve ser removido. Mas, por outro lado, essas cerim\u00f4nias l\u00fagubres e toda essa amea\u00e7a passou para o plano dos costumes, criou ra\u00edzes populares e se tornou ainda uma das fontes de renda para as organiza\u00e7\u00f5es eclesi\u00e1sticas. Tudo isso impediu, at\u00e9 mais da metade do s\u00e9culo XIX, que as religi\u00f5es organizadas, chamadas positivas, fizessem alguma coisa para acompanhar o progresso cultural. Ainda hoje, apesar das reformas em curso, o problema da morte continua na mesma situa\u00e7\u00e3o analisada por Kardec. (N. do T.)<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">9\u2014 A cren\u00e7a vulgar, por outro lado, coloca as almas em regi\u00f5es que s\u00e3o acess\u00edveis apenas ao pensamento, onde elas se tornam de qualquer maneira estranhas aos que continuam vivos na Terra. A pr\u00f3pria igreja coloca entre elas e estes \u00faltimos uma barreira intranspon\u00edvel: declara que toda rela\u00e7\u00e3o est\u00e1 rompida e que toda comunica\u00e7\u00e3o \u00e9 imposs\u00edvel (4)<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">(4) &#8220;Na cren\u00e7a vulgar&#8221;, diz Kardec, porque a Teologia cat\u00f3lica j\u00e1 no seu tempo colocava o problema em termos de estado de consci\u00eancia. N\u00e3o obstante, os cl\u00e9rigos continuavam a pregar dos p\u00falpitos em termos de cren\u00e7a vulgar. A compara\u00e7\u00e3o que Kardec faz, mais adiante, entre o Inferno pag\u00e3o e o Inferno crist\u00e3o, esclarecer\u00e1 bem este assunto. Quanto ao rompimento absoluto de rela\u00e7\u00f5es entre vivos e mortos, devemos acentuar que havia e ainda subsiste uma atitude contradit\u00f3ria: a rela\u00e7\u00e3o pode ser permitida por Deus, em casos excepcionais, mas somente no seio da Igreja. Assim, as comunica\u00e7\u00f5es esp\u00edritas s\u00e3o condenadas como demon\u00edacas, mas as comunica\u00e7\u00f5es cat\u00f3licas, sejam de santos e anjos ou mesmo de almas sofredoras, s\u00e3o consideradas leg\u00edtimas e at\u00e9 mesmo divulgadas em livros. (N. Do T.)<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Se as almas se encontram no inferno, toda esperan\u00e7a de rev\u00ea-las est\u00e1 perdida para sempre, a menos que a gente tamb\u00e9m v\u00e1 para l\u00e1. Se elas se encontram entre os eleitos, est\u00e3o inteiramente absorvidas pela beatitude contemplativa. Tudo isso coloca entre os mortos e os vivos uma dist\u00e2ncia imensa que nos faz considerar a separa\u00e7\u00e3o como eterna. Eis porque preferimos ter junto a n\u00f3s, sofrendo na Terra, os seres que amamos, a v\u00ea-los partir mesmo que seja para o c\u00e9u. Al\u00e9m disso, a alma que se encontra no c\u00e9u ser\u00e1 realmente feliz ao ver, por exemplo seu filho, seu pai, sua m\u00e3e ou seus amigos queimando eternamente?<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Porque os esp\u00edritas n\u00e3o se preocupam com a morte?<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">10 \u2014 A doutrina esp\u00edrita muda completamente a maneira de ver-se o futuro. A vida futura n\u00e3o \u00e9 mais uma hip\u00f3tese, mas uma realidade. A situa\u00e7\u00e3o das almas ap\u00f3s a morte n\u00e3o se explica por meio de um sistema, mas com o resultado da observa\u00e7\u00e3o. O v\u00e9u \u00e9 levantado. O mundo espiritual nos aparece em toda a sua realidade viva. N\u00e3o foram os homens que o descobriram atrav\u00e9s de uma concep\u00e7\u00e3o engenhosa, mas os pr\u00f3prios habitantes desse mundo que nos vieram descrever a sua situa\u00e7\u00e3o. Vemo-los ali em todos os graus da escala espiritual, em todas as fases da ventura e da desgra\u00e7a, assistimos a todas as perip\u00e9cias da vida de al\u00e9m-t\u00famulo. Est\u00e1 nisso a causa da seriedade com que os esp\u00edritas encaram a morte, da calma dos seus derradeiros instantes na Terra. O que os sustenta n\u00e3o \u00e9 somente a esperan\u00e7a, mas a certeza. Sabem que a vida futura n\u00e3o \u00e9 mais do que a continua\u00e7\u00e3o da vida presente em melhores condi\u00e7\u00f5es, e esperam com a mesma confian\u00e7a com que aguardam o nascimento do sol depois de uma noite tempestuosa. Os motivos desta confian\u00e7a est\u00e3o nos fatos que testemunharam e na concord\u00e2ncia desses fatos com a l\u00f3gica, com a justi\u00e7a e a bondade de Deus e com as aspira\u00e7\u00f5es mais profundas do homem. Para os esp\u00edritas a alma n\u00e3o \u00e9 mais uma abstra\u00e7\u00e3o. Ela possui um corpo et\u00e9reo que a torna um ser definido, que podemos conceber pelo pensamento. Isso \u00e9 o suficiente para nos esclarecer quanto \u00e0 sua individualidade, suas aptid\u00f5es e suas percep\u00e7\u00f5es. A lembran\u00e7a daqueles que nos s\u00e3o caros repousa, assim, sobre algo real. N\u00e3o os representamos mais como chamas fugitivas que nada dizem ao nosso pensamento, mas como formas concretas que no-los apresentam melhor como seres vivos.<\/span><br><span style=\"color: #000000;\">Al\u00e9m disso, em lugar de estarem perdidos nas profundezas do espa\u00e7o, est\u00e3o ao nosso redor: o mundo corp\u00f3reo e o mundo espiritual est\u00e3o em constantes rela\u00e7\u00f5es e mutuamente se assistem. A d\u00favida sobre o futuro j\u00e1 n\u00e3o tendo mais lugar, a preocupa\u00e7\u00e3o com a morte deixa de ter raz\u00e3o. Esperamo-la tranquilamente, como uma liberta\u00e7\u00e3o, como a porta da vida e n\u00e3o como a do nada. (5).<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">(5) A ideia de que as almas dos mortos se tornam chamas fugitivas penetrou fundamente na consci\u00eancia coletiva dos povos. Vemos a sua sobreviv\u00eancia at\u00e9 mesmo em pessoas esclarecidas que se tornam esp\u00edritas. Nas atas das sess\u00f5es que realizava, por ele mesmo redigidas, o escritor Monteiro Lobato refere-se constantemente aos esp\u00edritos como gases, chamas flutuantes, etc., o que levava alguns dos comunicantes a endossarem a concep\u00e7\u00e3o. Um deles lhe respondeu: Sou agora uma chamazinha errante. Referindo-se \u00e0 sua pr\u00f3pria morte, Lobato escreveu que iria passar do estado s\u00f3lido ao gasoso. O Espiritismo nos mostra que a situa\u00e7\u00e3o do homem ap\u00f3s a morte \u00e9 muito diferente disso. Conservando o corpo espiritual (de que t\u00e3o precisamente trata o ap\u00f3stolo Paulo em l Corintios) o esp\u00edrito desencarnado conserva at\u00e9 mesmo a forma corporal, as caracter\u00edsticas f\u00edsicas que o distinguem na vida terrena, e pode assim identificar-se em suas manifesta\u00e7\u00f5es pela vid\u00eancia, pelos fen\u00f4menos de apari\u00e7\u00e3o e pelos de materializa\u00e7\u00e3o. Isso permite, ainda \u2014 o que estranha \u00e0s pessoas que desconhecem o problema \u2014 que o esp\u00edrito se identifique pela sua pr\u00f3pria voz nos fen\u00f4menos de audi\u00e7\u00e3o medi\u00fanica ou de comunica\u00e7\u00e3o por voz direta. Para melhor compreens\u00e3o deste problema leia-se o livro de H. Dennis Bradiey: Rumo \u00e0s Estrelas, tradu\u00e7\u00e3o de Monteiro Lobato, reeditado pela LAKE. As teorias de Johannes s\u00e3o puramente pessoais e n\u00e3o t\u00eam valor doutrin\u00e1rio. O que importa nesse livro \u00e9 a descri\u00e7\u00e3o das sess\u00f5es de voz direta e a prova da sobreviv\u00eancia espiritual. (N. do T.)<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p><\/p>\n<p><\/p>\n<p><\/p>\n<p><\/p>\n<p><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<p><span style=\"font-size: 12px; color: #000080;\">&nbsp;<\/span><\/p>\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O C\u00c9U E O INFERNO &#8211; CAP\u00cdTULO 2 Causas da preocupa\u00e7\u00e3o com a morte 1 \u2014 O homem, em qualquer situa\u00e7\u00e3o social, desde o estado de selvageria, tem o pressentimento [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_bbp_topic_count":0,"_bbp_reply_count":0,"_bbp_total_topic_count":0,"_bbp_total_reply_count":0,"_bbp_voice_count":0,"_bbp_anonymous_reply_count":0,"_bbp_topic_count_hidden":0,"_bbp_reply_count_hidden":0,"_bbp_forum_subforum_count":0,"footnotes":""},"categories":[7],"tags":[],"blocksy_meta":{"styles_descriptor":{"styles":{"desktop":"","tablet":"","mobile":""},"google_fonts":[],"version":6}},"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v23.5 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>A PREOCUPA\u00c7\u00c2O COM A MORTE &#8211; 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