{"id":1282,"date":"2019-01-31T23:05:59","date_gmt":"2019-02-01T01:05:59","guid":{"rendered":"https:\/\/www.estudosherculanopires.com.br\/site\/?p=1282"},"modified":"2021-10-21T01:21:52","modified_gmt":"2021-10-21T04:21:52","slug":"o-futuro-e-o-nada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estudosherculanopires.com.br\/site\/2019\/01\/o-futuro-e-o-nada\/","title":{"rendered":"O FUTURO E O NADA"},"content":{"rendered":"\n<p><a href=\"https:\/\/www.estudosherculanopires.com.br\/site\/wp-admin\/admin.php?page=wpseo_dashboard#top#dashboard\">Painel<\/a><\/p>\n\n\n<header>\n<h1 style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-208 size-full\" src=\"https:\/\/www.estudosherculanopires.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/logmaskHerculano-2.png\" alt=\"\" width=\"652\" height=\"317\" srcset=\"https:\/\/estudosherculanopires.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/logmaskHerculano-2.png 652w, https:\/\/estudosherculanopires.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/logmaskHerculano-2-300x146.png 300w\" sizes=\"(max-width: 652px) 100vw, 652px\" \/><\/h1>\n<\/header>\n<div id=\"content\" class=\"post-single-content box mark-links\">\n<div>\n<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #000000;\"><strong>O C\u00c9U E O INFERNO &#8211; <\/strong><\/span>CAP\u00cdTULO I<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #000000;\"><strong>O FUTURO E O NADA<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">1 \u2014 N\u00f3s vivemos, n\u00f3s pensamos, n\u00f3s agimos \u2014 eis o que \u00e9 positivo. E n\u00f3s morremos \u2014 o que n\u00e3o \u00e9 menos certo. Mas ao deixar a Terra para onde vamos? <strong>No que nos transformamos?<\/strong> Estaremos melhor ou pior? Seremos ainda n\u00f3s mesmos ou n\u00e3o mais o seremos? Ser ou n\u00e3o ser\u2014 essa \u00e9 a alternativa. Ser para todo o sempre ou nunca mais ser. Tudo ou nada. Viveremos eternamente ou tudo estar\u00e1 acabado para sempre. <strong>Vale a pena pensarmos em tudo isso?<\/strong><\/span><br \/><span style=\"color: #000000;\">Toda criatura humana sente a necessidade de viver, de gozar, de amar, de ser feliz. Diga-se \u00e0quele que sabe que vai morrer que ele ainda viver\u00e1 ou que a sua hora foi adiada. Diga-se sobretudo que ele ser\u00e1 mais feliz do que j\u00e1 foi \u2014 e o seu cora\u00e7\u00e3o palpitar\u00e1 de alegria. Mas de que serviriam essas aspira\u00e7\u00f5es de felicidade, se basta um sopro para dissip\u00e1-las? Haver\u00e1 alguma coisa mais desesperadora do que essa ideia de destrui\u00e7\u00e3o absoluta? (1) <strong>Sagradas afei\u00e7oes, intelig\u00eancia, progresso, saber laboriosamente adquirido, tudo seria destru\u00eddo, tudo estaria perdido!<\/strong> Que necessidade ter\u00edamos de esfor\u00e7ar-nos para ser melhores, de nos constrangermos na repress\u00e3o das paix\u00f5es, de nos fatigarmos no aprimoramento do esp\u00edrito, se de tudo isso n\u00e3o iremos colher nenhum fruto? E, sobretudo, diante da ideia de que amanh\u00e3, talvez, tudo isso n\u00e3o nos sirva para nada? <strong>Mas, se assim fosse, a sorte do homem seria cem vezes pior que a do bruto<\/strong>. Porque este vive inteiramente no presente, na plena satisfa\u00e7\u00e3o de seus apetites materiais, nada aspirando para o futuro. Uma secreta intui\u00e7\u00e3o nos diz que isso \u00e9 absurdo.<\/span><\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">(1) Cem anos depois de Kardec a Filosofia em Fran\u00e7a quase se desfez nos sofismas do nada, com Jean Paul Sartre e sua escola. Mas Simone de Beauvoir, companheira e disc\u00edpula de Sartre, confirma e ilustra as considera\u00e7\u00f5es de Kardec ao escrever&#8221;&#8230; detesto pensar no meu aniquilamento. Penso com melancolia nos livros lidos, nos lugares visitados, no saber acumulado e que n\u00e3o mais existir\u00e1. Toda a m\u00fasica, toda a pintura, tantos lugares percorridos \u2014 e de repente mais nada!&#8221; \u2014 La Force d\u00eas Choses, final do \u00faltimo cap\u00edtulo. \u2014 A aproxima\u00e7\u00e3o da morte, sob a ideia do nada, acarreta \u00e0s criaturas mais cultas essa desesperan\u00e7a amarga. (N. do T.)<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">2 \u2014 Acreditando que o fim de tudo \u00e9 o nada, o homem concentra for\u00e7osamente todo o seu pensamento na vida presente. Com efeito, n\u00e3o seria l\u00f3gico preocupar-se com um futuro que n\u00e3o se espera. Essa preocupa\u00e7\u00e3o exclusiva com o presente o leva naturalmente a pensar em si antes de tudo. <strong>\u00c9 portanto, o mais poderoso estimulante do ego\u00edsmo, e a incredulidade \u00e9 consequente consigo mesma quando chega a esta conclus\u00e3o: gozemos enquanto vivemos, gozemos o mais poss\u00edvel, desde que ap\u00f3s a morte tudo est\u00e1 acabado, gozemos logo, pois n\u00e3o sabemos quanto tempo isso vai durar<\/strong>. E tamb\u00e9m quando chega a esta outra conclus\u00e3o, bastante grave para a sociedade: gozemos de qualquer maneira, cada qual por si, que a felicidade neste mundo cabe sempre ao mais esperto. Se o respeito humano consegue deter alguns, que freio poderia segurar aqueles que nada tem? Eles dizem que a lei humana s\u00f3 protege os mal intencionados, e por isso aplicam todo o seu talento aos meios de fraud\u00e1-la. Se existe uma doutrina mals\u00e3 e antissocial \u00e9 seguramente essa do nada, pois que rompe os verdadeiros la\u00e7os da sociedade e da fraternidade, fundamentos das rela\u00e7\u00f5es sociais.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">3 \u2014 Suponhamos que, em alguma circunst\u00e2ncia, todo um povo se conven\u00e7a de que dentro de oito dias, um m\u00eas ou um ano ele ser\u00e1 aniquilado, que nenhum indiv\u00edduo sobreviver\u00e1, que n\u00e3o restar\u00e1 mais nenhum tra\u00e7o de nada um ap\u00f3s a morte. O que faria esse povo durante este tempo? Trabalharia para se melhorar, para se instruir, se esfor\u00e7aria para viver? Respeitaria os direitos, os bens, a vida de seus semelhantes? Se submeteria \u00e0s leis, a alguma autoridade, qualquer que seja, mesmo a mais leg\u00edtima: a autoridade paterna? Haveria para ele qualquer esp\u00e9cie de dever? <strong>Seguramente n\u00e3o<\/strong>.<\/span><br \/><span style=\"color: #000000;\">Pois bem: isso que n\u00e3o acontece para um povo que a doutrina do nada realiza isoladamente a cada dia. Se as consequ\u00eancias n\u00e3o s\u00e3o t\u00e3o desastrosas como poderiam ser, \u00e9 primeiro porque na maior parte dos incr\u00e9dulos h\u00e1 mais fanfarrice do que verdadeira incredulidade, mais d\u00favida do que convic\u00e7\u00e3o, e porque eles s\u00e3o mais temerosos do nada do que podem parecer. O ep\u00edteto de esp\u00edrito forte alenta-lhes o amor pr\u00f3prio. Em segundo lugar, os verdadeiros incr\u00e9dulos constituem uma \u00ednfima minoria, que sofrem a contragosto a press\u00e3o da opini\u00e3o contr\u00e1ria e s\u00e3o contidos pelas for\u00e7as sociais. <strong>Mas que a verdadeira incredulidade <\/strong><strong>se torne um dia a opini\u00e3o da maioria e a sociedade estar\u00e1 em dissolu\u00e7\u00e3o.<\/strong> \u00c9 ao que leva a propaga\u00e7\u00e3o da doutrina do niilismo.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">(Niilismo \u00e9 uma doutrina filos\u00f3fica que indica um pessimismo e ceticismo extremos perante qualquer situa\u00e7\u00e3o ou realidade poss\u00edvel. Consiste na nega\u00e7\u00e3o de todos os princ\u00edpios religiosos, pol\u00edticos e sociais.) (2)<\/span><\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">(2) Um jovem de dezoito anos sofria de uma doen\u00e7a card\u00edaca que foi declarada incur\u00e1vel. O veredicto da ci\u00eancia havia sido: Pode morrer dentro de oito dias ou de dois anos, mas n\u00e3o passar\u00e1 disso. O jovem ficou sabendo e logo abandonou todo o estudo e se entregou aos excessos de toda a esp\u00e9cie. Quando lhe mostravam quanto essa vida era perniciosa para a sua situa\u00e7\u00e3o, ele respondia: &#8220;Que me importa, desde que s\u00f3 tenho dois anos de vida? De que me valeria cansar a mente? Gozo o tempo que me resta e quero me divertir at\u00e9 o fim.&#8221;<strong> Eis a consequ\u00eancia l\u00f3gica no niilismo.<\/strong> Mas se esse jovem fosse esp\u00edrita poderia responder: &#8220;A morte s\u00f3 destruir\u00e1 o meu corpo que abandonarei como uma roupa usada, mas meu esp\u00edrito continuar\u00e1 a viver. Eu serei, numa vida futura, o que fizer de mim mesmo nesta vida. <strong>Nada do que tenha adquirido em qualidades morais e intelectuais se perder\u00e1, porque isso representa uma conquista para o meu adiantamento.<\/strong> Toda a imperfei\u00e7\u00e3o de que me houver livrado ser\u00e1 um passo no caminho da felicidade, minha ventura ou minha desgra\u00e7a futura dependem da utiliza\u00e7\u00e3o de minha exist\u00eancia presente. \u00c9 pois de meu interesse aproveitar o pouco tempo que me resta, evitando tudo o que pudesse diminuir as minhas for\u00e7as.&#8221; Qual dessas duas doutrinas ser\u00e1 prefer\u00edvel? (Nota de Kardec).<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Seja quais forem as consequ\u00eancias, se o niilismo fosse uma doutrina verdadeira ter\u00edamos de aceit\u00e1-la, e n\u00e3o seriam os sistemas contr\u00e1rios, nem a ideia do mal que ela pudesse produzir, que poderiam elimin\u00e1-la. Ora, n\u00e3o se pode negar que o ceticismo, a d\u00favida, a indiferen\u00e7a ganham terreno cada dia, apesar dos esfor\u00e7os da religi\u00e3o em contr\u00e1rio. Isso, \u00e9 positivo. Se a religi\u00e3o \u00e9 impotente contra a incredulidade \u00e9 que lhe falta alguma coisa para combat\u00ea-la, de tal maneira que, se ela se imobilizasse, em pouco tempo estaria inevitavelmente superada. O que lhe falta neste s\u00e9culo de positivismo, onde se quer compreender para crer, \u00e9 a san\u00e7\u00e3o das suas doutrinas pelos fatos positivos. E \u00e9 tamb\u00e9m a concord\u00e2ncia de algumas doutrinas com os dados positivos da ci\u00eancia. Se ela diz branco e os fatos dizem negro, temos for\u00e7osamente de optar entre a evid\u00eancia e a f\u00e9 cega (3).<\/span><\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">(3) Muitos esfor\u00e7os se fazem ainda hoje, particularmente no campo da Cibern\u00e9tica e do Estruturalismo, para demonstrar que o homem n\u00e3o tem liberdade. <strong>O Espiritismo \u00e9, por excel\u00eancia, a doutrina da liberdade e da responsabilidade individuais.<\/strong> Mas o conceito de liberdade, no Espiritismo, n\u00e3o \u00e9 absoluto. A liberdade humana \u00e9 condicionada pelas condi\u00e7\u00f5es corporais (hereditariedade, constitui\u00e7\u00e3o etc.) pelo meio f\u00edsico pelas caracter\u00edsticas raciais, pela cultura e pelas normas sociais e morais, bem como pela constitui\u00e7\u00e3o ps\u00edquica de cada indiv\u00edduo e pelo determinismo do seu passado espiritual, do seu karma. <strong>Dentro de todas essas limita\u00e7\u00f5es, entretanto, subsiste a capacidade de optar, de escolher e de agir segundo a vontade.<\/strong> Essa capacidade permite mesmo \u00e0 criatura abrandar ou romper algumas das limita\u00e7\u00f5es que lhe s\u00e3o impostas, at\u00e9 mesmo no plano k\u00e1rmico, onde a lei do amor lhe serve de instrumento para remover ou atenuar consequ\u00eancias nefastas. Assim, o determinismo est\u00e1 na facticidade (no conjunto de condi\u00e7\u00f5es com que o homem apareceu feito no mundo) e a liberdade ou livre-arb\u00edtrio est\u00e1 na ipseidade (na individualiza\u00e7\u00e3o ou na ess\u00eancia do ser condicionado pela forma). <strong>\u00c9 bom lembrar que n\u00e3o estamos no absoluto, mas no relativo, e que neste n\u00e3o existe liberdade onde n\u00e3o houver condi\u00e7\u00f5es para que ela se exer\u00e7a.<\/strong> Para melhor compreens\u00e3o deste problema ler O Ser e a Serenidade, de J. H. Pires, edi\u00e7\u00e3o &#8220;Paid\u00e9ia&#8221;. (N. do T.)<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">4 \u2014 Em face desta situa\u00e7\u00e3o o Espiritismo vem opor um dique \u00e0 inven\u00e7\u00e3o da incredulidade, servindo-se n\u00e3o somente da raz\u00e3o e da perspectiva dos perigos a que ela arrasta, mas tamb\u00e9m dos fatos materiais, ao permitir que se toque com o dedo e se veja com o olho a alma e a vida futura. Cada qual \u00e9 livre sem d\u00favida no tocante \u00e0 cren\u00e7a, podendo crer em alguma coisa ou n\u00e3o crer em nada. Mas os que procuram fazer prevalecer no esp\u00edrito das massas, e sobretudo da juventude, a nega\u00e7\u00e3o do futuro, apoiando-se na autoridade, seu saber e na ascend\u00eancia da sua posi\u00e7\u00e3o, <strong>semeiam na sociedade os germes da perturba\u00e7\u00e3o e da dissolu\u00e7\u00e3o, incorrendo numa grande responsabilidade.<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">5 \u2014 H\u00e1 uma outra doutrina que se defende da acusa\u00e7\u00e3o de materialista porque admite a exist\u00eancia de um princ\u00edpio inteligente al\u00e9m da mat\u00e9ria. \u00c9 a doutrina da absor\u00e7\u00e3o no todo universal. Segundo esta doutrina cada indiv\u00edduo absorve ao nascer uma parcela do princ\u00edpio que lhe d\u00e1 a vida, constituindo a sua alma, a sua intelig\u00eancia e os seus sentimentos. <strong>Com a morte, essa alma retorna ao elemento comum e se perde no infinito como uma gota d&#8217;\u00e1gua no oceano.<\/strong> Essa doutrina \u00e9 sem d\u00favida um passo adiante em rela\u00e7\u00e3o ao puro materialismo, pois admite alguma coisa, enquanto o outro n\u00e3o admite nada. Mas as consequ\u00eancias de ambas s\u00e3o exatamente as mesmas. <strong>Que o homem seja mergulhado no nada ou num reservat\u00f3rio comum, \u00e9 a mesma coisa<\/strong>. Se no primeiro caso ele \u00e9 transformado em nada, no segundo perde a sua individualidade, o que equivale a perder a sua exist\u00eancia. As rela\u00e7\u00f5es sociais s\u00e3o igualmente rompidas. <strong>O essencial para o homem \u00e9 a conserva\u00e7\u00e3o do seu eu.<\/strong> Sem isso, que lhe importa ser ou n\u00e3o ser? O futuro para ele n\u00e3o existe, num e noutro caso, e a vida presente \u00e9 a \u00fanica coisa que lhe interessa e o preocupa. Do ponto de vista das consequ\u00eancias morais essas duas doutrinas s\u00e3o perniciosas, igualmente desesperadoras, esta \u00faltima, excitando o ego\u00edsmo da mesma maneira que o materialismo.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">6 \u2014 Al\u00e9m disso, pode-se fazer a essa doutrina a seguinte obje\u00e7\u00e3o: todas as gotas d&#8217;\u00e1gua de um oceano se assemelham e t\u00eam as mesmas propriedades, como partes que s\u00e3o de um mesmo todo. Porque as almas, se foram tiradas de um grande oceano de intelig\u00eancia universal se assemelham t\u00e3o pouco entre si? Como explicar a presen\u00e7a do g\u00eanio ao lado do idiota? As mais sublimes virtudes junto aos v\u00edcios mais ign\u00f3beis? A bondade, a do\u00e7ura, a mansid\u00e3o ao lado da maldade, da crueldade e da barb\u00e1rie? <strong>Como as partes de um todo homog\u00eaneo podem ser diferentes umas das outras?<\/strong> Poder\u00e3o dizer que \u00e9 a educa\u00e7\u00e3o que as modifica? <strong>Mas ent\u00e3o de onde procedem as qualidades inatas, as intelig\u00eancias precoces, os bons e os maus instintos que independem de qualquer educa\u00e7\u00e3o e frequentemente n\u00e3o est\u00e3o em harmonia com o meio em que as criaturas se desenvolvem?<\/strong><\/span><br \/><span style=\"color: #000000;\">A educa\u00e7\u00e3o, n\u00e3o h\u00e1 d\u00favida, modifica as qualidades intelectuais e morais da alma, mas neste ponto outra dificuldade se apresenta. Quem deu \u00e0 alma a educa\u00e7\u00e3o que a fez progredir? Outras almas que por sua origem comum n\u00e3o devem ser mais adiantadas? Por outro lado, a alma, voltando ao todo universal de que sair\u00e1, ap\u00f3s haver progredido durante a vida, leva a ele um elemento de perfei\u00e7\u00e3o, de onde se segue que esse todo deve ser profundamente modificado e melhorado com o tempo. Como se explica que dele saiam incessantemente almas ignorantes e perversas?<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">7 \u2014 Nessa doutrina a fonte universal da intelig\u00eancia que produz as almas humanas \u00e9 independente da Divindade. <strong>N\u00e3o se trata, pois, do pante\u00edsmo.<\/strong> A doutrina pante\u00edsta propriamente dita difere dela ao considerar o princ\u00edpio universal da vida e da intelig\u00eancia como integrando a Divindade. Assim, Deus \u00e9 ao mesmo tempo esp\u00edrito e mat\u00e9ria. Todos os seres, todos os corpos da natureza constituem a Divindade, da qual representam as mol\u00e9culas e demais elementos componentes. Deus \u00e9 o conjunto de todas as intelig\u00eancias reunidas. Cada indiv\u00edduo, sendo uma parte do todo \u00e9 em si mesmo Deus. Nenhum ser superior e independente comanda o conjunto, O universo \u00e9 uma imensa rep\u00fablica sem presidente, onde todos ou cada um \u00e9 o seu pr\u00f3prio chefe com poder absoluto.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">8 \u2014 <strong>Podemos opor numerosas obje\u00e7\u00f5es a esses sistemas<\/strong>. As principais s\u00e3o as seguintes: N\u00e3o se podendo conceber a Divindade sem perfei\u00e7\u00f5es infinitas, pergunta-se como um todo perfeito pode ser formado de parcelas t\u00e3o imperfeitas que necessitam de progredir? Cada parcela estando submetida \u00e0 lei do progresso, disso resulta que o pr\u00f3prio Deus deve progredir, e se ele progride sem cessar, deve ter sido muito imperfeito na origem dos tempos. Como um ser imperfeito, formado de vontades e ideias t\u00e3o divergentes, pode conceber as leis harmoniosas, t\u00e3o admir\u00e1veis, de unidade, de sabedoria e de previd\u00eancia que regem o universo? <strong>Se todas as almas s\u00e3o parcelas da divindade, todas concorreram para a cria\u00e7\u00e3o das leis da natureza, como se explica que elas mesmas protestem continuamente contra essas leis, que s\u00e3o a sua pr\u00f3pria obra?<\/strong> Uma teoria s\u00f3 pode ser aceita como verdadeira sob a condi\u00e7\u00e3o de satisfazer \u00e0 raz\u00e3o e explicar todos os fen\u00f4menos que abrange. Se um s\u00f3 fato puder desmenti-la \u00e9 que ela n\u00e3o possui a verdade absoluta.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">9 \u2014 Do ponto de vista moral as consequ\u00eancias s\u00e3o tamb\u00e9m inteiramente il\u00f3gicas. A princ\u00edpio, temos para as almas, como no sistema precedente, a absor\u00e7\u00e3o num todo e a perda da individualidade. Se admitirmos, segundo a opini\u00e3o de alguns pante\u00edstas. que elas conservem a sua individualidade, <strong>Deus n\u00e3o ter\u00e1 mais uma vontade \u00fanica, pois ser\u00e1 um composto de mir\u00edades de vontades divergentes<\/strong>. Depois, sendo cada alma parte integrante da divindade, nenhuma ser\u00e1 dominada por um poder superior. Em consequ\u00eancia, n\u00e3o haver\u00e1 nenhuma responsabilidade individual pelos atos bons ou maus, como nenhum interesse em fazer o bem, podendo fazer impunemente o mal, desde que ela \u00e9 o soberano senhor de si mesma.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">10 \u2014 Al\u00e9m desses sistemas n\u00e3o satisfazerem \u00e0 raz\u00e3o nem \u00e0s aspira\u00e7\u00f5es do homem, apresentam-se, como se v\u00ea, <strong>cheios de dificuldades insuper\u00e1veis<\/strong>, de maneira que s\u00e3o incapazes de resolver todas as quest\u00f5es de fato que levantamos. O homem tem, portanto, tr\u00eas alternativas: <strong>o nada<\/strong>, <strong>a absor\u00e7\u00e3o ou a individualidade da alma antes e ap\u00f3s a morte<\/strong>. <strong>\u00c9 a esta \u00faltima <\/strong><strong>cren\u00e7a que a l\u00f3gica nos leva invencivelmente<\/strong>. \u00c9 ela tamb\u00e9m que constitui o fundo de todas as religi\u00f5es desde que o mundo existe. <strong>Se a l\u00f3gica nos leva \u00e0 individualidade da alma, nos leva tamb\u00e9m a outra consequ\u00eancia, a de que a sorte de cada alma deve depender de suas qualidades pessoais, pois seria irracional admitir que a alma atrasada do selvagem e a do homem perverso estivessem no mesmo n\u00edvel que o do homem de bem e do s\u00e1bio.<\/strong> Segundo a justi\u00e7a, as almas devem ter a responsabilidade dos seus atos, mas para que sejam respons\u00e1veis \u00e9 necess\u00e1rio que sejam livres para escolher entre o bem e o mal. Sem o livre-arb\u00edtrio haver\u00e1 fatalidade e com esta a alma n\u00e3o poderia ter responsabilidade.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">11 \u2014 Todas as religi\u00f5es admitiram igualmente o princ\u00edpio do destino feliz ou infeliz das almas ap\u00f3s a morte, ou seja, das penas e dos gozos futuros <strong>que se resumem na doutrina do c\u00e9u e do inferno<\/strong>, que encontramos por toda a parte. Mas no que elas diferem essencialmente \u00e9 quanto \u00e0 natureza das penas e dos gozos e sobretudo quanto \u00e0s condi\u00e7\u00f5es que podem levar as almas a merecerem umas e outros. Da\u00ed resultam os pontos de f\u00e9 contradit\u00f3rios que deram origem aos diferentes cultos e os deveres particulares impostos por todos eles para reverenciar a Deus, por meio dos quais se pode ganhar o c\u00e9u e escapar ao inferno.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">12 \u2014Todas as religi\u00f5es deviam estar, em sua origem, em rela\u00e7\u00e3o com o grau de adiantamento moral e intelectual dos homens. Estes, ainda muito materiais para compreender o valor das coisas puramente espirituais, fizeram consistir a maioria dos deveres religiosos na pr\u00e1tica de f\u00f3rmulas exteriores. Durante algum tempo essas f\u00f3rmulas satisfizeram \u00e0 sua raz\u00e3o. Mais tarde, esclarecendo-se os seus esp\u00edritos, sentiram o vazio dessas f\u00f3rmulas, e como a religi\u00e3o n\u00e3o mais os satisfazem eles a abandonam e se tornam fil\u00f3sofos.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">13 \u2014 Se a religi\u00e3o, a princ\u00edpio apropriada aos conhecimentos limitados dos homens, tivesse sempre seguido o desenvolvimento progressivo do esp\u00edrito humano, n\u00e3o haveria incr\u00e9dulos porque a necessidade de crer est\u00e1 na pr\u00f3pria natureza do homem e ele sempre crer\u00e1 desde que lhe d<strong>eem o alimento espiritual em harmonia com as suas exig\u00eancias intelectuais.<\/strong> Ele quer saber de onde vem e para onde vai. Se lhe mostrarem um alvo que n\u00e3o<\/span><br \/><span style=\"color: #000000;\">corresponde \u00e0s suas aspira\u00e7\u00f5es nem \u00e0 ideia que ele faz de Deus, nem aos dados positivos que a ci\u00eancia lhe fornece, se al\u00e9m disso lhe imp\u00f5em, para atingira Deus,<strong> condi\u00e7\u00f5es que a sua raz\u00e3o considera in\u00fateis, ele repele a tudo<\/strong>. Ent\u00e3o o materialismo e o pante\u00edsmo lhe parecem mais racionais, porque neles se discute e raciocina, e embora o racioc\u00ednio seja falso, ele prefere raciocinar falso a ser impedido de faz\u00ea- lo (4).<\/span><\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">(4) O materialismo e a descren\u00e7a s\u00e3o flores de estufa, cria\u00e7\u00f5es artificiais das fases de desenvolvimento cultural. Nessas fases, o desequil\u00edbrio entre as estruturas religiosas, que v\u00eam do passado, e as exig\u00eancias novas da evolu\u00e7\u00e3o cultural provoca a defec\u00e7\u00e3o religiosa. Por isso os ateus e materialistas constituem sempre minorias. Essas minorias correspondem ao n\u00famero de pessoas que puderam acompanhar a evolu\u00e7\u00e3o cultural. <strong>A massa da popula\u00e7\u00e3o permanece apegada \u00e0s f\u00f3rmulas religiosas tradicionais, mas, na propor\u00e7\u00e3o em que a cultura se divulga, &#8230;..lenta e confusa, a descren\u00e7a e o materialismo florescem.<\/strong> Kardec colocou o problema numa s\u00edntese admir\u00e1vel, como se v\u00ea na parte grifada do per\u00edodo acima. (N. do T.)<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Mas se lhe apresentarem um futuro em condi\u00e7\u00f5es l\u00f3gicas, digno em tudo da grandeza, da justi\u00e7a e da infinita bondade de Deus, ele abandonar\u00e1 o materialismo e o pante\u00edsmo, dos quais sente o vazio em seu pr\u00f3prio \u00edntimo e que s\u00f3 havia aceitado na falta de coisa melhor. O Espiritismo lhe oferece o melhor e \u00e9 por isso que se v\u00ea acolhido ansiosamente por todos os que se atormentam com a incerteza pungente da d\u00favida, n\u00e3o encontrando nas cren\u00e7as e nas filosofias vulgares aquilo que procuram. Ele tem a seu favor a l\u00f3gica do racioc\u00ednio e a prova dos fatos. \u00c9 por isso que inutilmente tem sido combatido.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><br \/><span style=\"color: #000000;\">14 \u2014 O homem tem a convic\u00e7\u00e3o instintiva do futuro, mas n\u00e3o tendo at\u00e9 ent\u00e3o nenhuma base certa para a sua defini\u00e7\u00e3o, criou pela imagina\u00e7\u00e3o os sistemas que o levaram \u00e0 diversidade das cren\u00e7as. A doutrina esp\u00edrita sobre o futuro, n\u00e3o sendo obra de imagina\u00e7\u00e3o concebida de maneira engenhosa, <strong>mas sim o resultado da observa\u00e7\u00e3o dos fatos materiais que hoje ocorrem aos nossos olhos, ligar\u00e1, como j\u00e1 est\u00e1 fazendo atualmente, as opini\u00f5es divergentes ou incertas, e conduzir\u00e1 pouco a pouco, pela pr\u00f3pria for\u00e7a das circunst\u00e2ncias, a cren\u00e7a a uma unidade baseada na certeza e n\u00e3o mais na hip\u00f3tese.<\/strong> Realizada a unifica\u00e7\u00e3o no tocante ao destino das almas, ser\u00e1 este o primeiro ponto de aproxima\u00e7\u00e3o dos diferentes cultos, um passo consider\u00e1vel para a toler\u00e2ncia religiosa, a princ\u00edpio, e mais tarde para a fus\u00e3o (5).<\/span><\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">(5) Foi necess\u00e1rio mais de um s\u00e9culo para que esta previs\u00e3o de Kardec, n\u00e3o prof\u00e9tica mas formulada em termos da moderna Futurologia, come\u00e7asse a realizar-se. O atual Ecumenismo, que significativamente deixa de lado o Espiritismo, \u00e9 um passo, apesar das dificuldades que o entravam, para a futura fus\u00e3o do pensamento religioso na Terra. Nos mundos superiores, segundo informam os Esp\u00edritos mais elevados, os cultos religiosos se fundem numa forma \u00fanica, simplificada e racional. As tentativas de cria\u00e7\u00e3o de teorias ecl\u00e9ticas e de constru\u00e7\u00e3o de templos comuns para diversas religi\u00f5es, em nosso tempo, s\u00e3o outros sinais da evolu\u00e7\u00e3o religiosa do planeta. Em nosso pais chegou-se a propor, no Congresso Nacional, a transforma\u00e7\u00e3o da Catedral de Bras\u00edlia num templo destinado a todas as religi\u00f5es. A proposta foi apresentada pelo deputado Campos Vergai, de S\u00e3o Paulo (esp\u00edrita) mas n\u00e3o teve o devido Andamento. (N. do T.)<\/span><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<p><span style=\"font-size: 12px; color: #000080;\">\u00a0<\/span><\/p>\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Painel O C\u00c9U E O INFERNO &#8211; CAP\u00cdTULO I O FUTURO E O NADA 1 \u2014 N\u00f3s vivemos, n\u00f3s pensamos, n\u00f3s agimos \u2014 eis o que \u00e9 positivo. 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