INTERVENÇÃO DOS DEMÔNIOS NAS MANIFESTAÇÕES MODERNAS – 2


INTERVENÇÃO DOS DEMÔNIOS NAS MANIFESTAÇÕES MODERNAS – 2 de 2 – Cap. 10 ou A Justiça Divina Segundo o Espiritismo.

18 — Dizem que Deus enviou o Cristo para salvar os homens, provando assim o seu amor pelas suas criaturas. Como, então, as teria deixado sem proteção? Não há dúvida que o Cristo é o divino Messias, enviado para ensinar aos homens a verdade e lhes mostrar o bom caminho. Mas contai, somente depois da sua vinda, quantos homens não puderam ouvir a sua palavra, quantos morreram e quantos morrem ainda hoje sem a conhecer, e entre mesmo os que a conhecem, quantos são os que a põem em prática! Por que Deus, na sua solicitude pela salvação dos filhos, não lhes enviaria outros mensageiros, abrangendo toda a terra, penetrando nos mais humildes lugares, entre grandes e pequenos, entre sábios e ignorantes, entre incrédulos e crentes para ensinar a verdade aos que não a conhecem, para torná-la compreensível aos que não a podem compreender, suprindo pelo seu ensino direto e múltiplo a insuficiência da propagação do Evangelho, abreviando assim o advento do Reino de Deus?
E quando esses mensageiros chegam em falanges inumeráveis, abrindo os olhos aos cegos, convertendo os ímpios, curando os doentes, consolando os aflitos como fazia Jesus, vós os repelis, repudiais o bem que eles fazem chamando-os de demônios! Essa era também a linguagem dos fariseus a respeito de Jesus, porque eles também diziam que Jesus fazia o bem pelo poder do diabo. E o que lhes respondeu Jesus? — Reconhecei a árvore pelos frutos; uma árvore má não pode dar bons frutos.
Para eles, os frutos produzidos por Jesus eram maus porque vinham destruir os seus abusos e proclamar a liberdade que devia arruinar a sua autoridade. Se ele tivesse vindo para lisongear o seu orgulho, aprovar as suas prevaricações e sustentar o seu poder, então sim, seria aos seus olhos o Messias tão esperado pelos Judeus. Ele estava só, era pobre e fraco, e eles o fizeram perecer acreditando que matavam também as suas palavras. Mas as suas palavras eram divinas e sobreviveram a ele. Não obstante propagou-se de maneira lenta e após dezoito séculos é conhecida apenas por uma décima parte do género humano. Numerosos cismas eclodiram entre os seus próprios discípulos. Foi então que Deus, na sua misericórdia, enviou os Espíritos para confirmarem, completarem e colocarem ao alcance de todos as suas palavras, expandindo-as por sobre toda a Terra.
Mas os Espíritos não se encarnaram num único homem, cuja voz seria de alcance limitado. Eles são inumeráveis, vão por toda parte e ninguém os pode deter. Eis porque o seu ensino se expande com a rapidez do raio. Eles falam ao coração e à razão e por isso são compreendidos pelos mais humildes.


19 —”Não é indigno de mensageiro celeste, dizei, transmitir as suas instruções por um meio tão vulgar como os das mesas falantes? Não é um ultraje supor que eles se divirtam com trivialidades, deixando a sua morada de luz para se porem à disposição do primeiro interessado?” Jesus não deixou a morada do Pai para nascer num estábulo? Mas onde ouvistes que o Espiritismo atribua práticas triviais a espíritos superiores? Pelo contrário, ele ensina que as práticas vulgares são produzidas por espíritos vulgares. Mas, pela sua própria vulgaridade, elas excitam as imaginações, servem para provar a existência do mundo espiritual e mostrar que esse mundo é muito diferente da pintura que dele haviam feito. Era apenas o princípio, e esse princípio era tão simples como todos os demais Mas a árvore que surge de uma pequena semente estende mais tarde os seus ramos a grande distância. Quem poderia crer que da miserável manjedoura de Belém sairia um dia a palavra que devia transformar o mundo” Sim, o Cristo é o Messias divino e a sua palavra é a da verdade. Sim, a religião fundada sobre a sua palavra será inabalável, mas com a condição de se seguir e praticar os seus sublimes ensinamentos e de não fazer de Deus justo e bom que ele nos deu a conhecer um Deus parcial, vingativo e impiedoso (3).

(3) As sérias conquistas da Metapsíquica, as investigações dos cientistas ingleses e alemães, ultimamente o desenvolvimento da Parapsicologia, forçaram a Igreja, nos meados do século, a mudar sua posição no tocante aos fenômenos espíritas. A intervenção dos demônios nas manifestações espíritas, por outro lado, perdeu prestigio perante o povo, diante da realidade inegável dos benefícios da prática espírita. Ao mesmo tempo a figura de Satanás esfumou-se na mente popular, diante da expansão da cultura científica e filosófica. A Igreja apelou então para a explicação científica dos fenômenos negando-lhes a condição de manifestação espiritual. O Catecismo Holandês toca no problema de maneira evasiva, enumerando alguns fenômenos e acentuando: “Tal enumeração é só pequena seleção de inúmeros fenômenos existentes, extremamente divergentes, que ainda não puderam ser suficientemente analisados e reconhecidos pela Ciência atual. Ai está diante de nós, vasto campo de experiência pré-científica, a evocar, no homem, a ideia de que a Criação, bem como a observação da mesma, é muito mais rica do que podemos controlar. Podem, entrementes, essas coisas dar a impressão de realidades particularmente misteriosas, como se o véu que cobre o mistério da vida fosse afastado por momentos.”
Várias sociedades parapsicológicas foram criadas por católicos e protestantes em todo o mundo, com a finalidade de investigar os fenômenos parapsicológicos, e vários sacerdotes saíram a campo para ensinar ao povo que esses fenômenos, que são naturais e não sobrenaturais, constituem precisamente o campo enganoso das chamadas manifestações espíritas. A Imago Mundi, por exemplo, instituição católica internacional, tem promovido pesquisas e congressos na Europa e sua posição é contrária à explicação espírita. Todos esses fenômenos, segundo elas devem ser explicados como provenientes de causas materiais. É exatamente a posição assumida pelos parapsicólogos materialistas e pela escola soviética. Na França destaca-se o trabalho de Robert Amadeu, que em seu livro Os Grandes Médiuns procura reduzir a fenomenologia espirita a uma questão de fraudes e escamoteações, enquanto no livro Parapsicologia nega qualquer relação dos fenômenos parapsicológicos com o espírito humano, afirmando que eles decorrem apenas do psiquismo inferior e animal do homem. Certos sacerdotes chegam a substituir a intervenção dos demônios pela manifestação do inconsciente, ao qual atribuem toda a esperteza, inteligência e malícia atribuída até agora àquelas entidades maléficas. Acusam o Espiritismo de desconhecer os problemas do inconsciente, como se a questão do animismo e das manifestações anímicas já não figurasse no O Livro dos Espíritos desde 1857, quando Sigmund Freud contava apenas um ano de existência.
Apesar disso, a maioria do clero continua a considerar as manifestações espiritas como demoníacas. Dessa maneira, a crítica de Kardec no capitulo acima continua válida em dois sentidos: 1°) correspondendo a uma realidade religiosa que ainda se sustenta em grandes áreas do Catolicismo, do Protestantismo e de numerosas seitas evangélicas mais recentes; 2°) correspondendo às evidentes manobras pseudo-cientificas que hoje se realizam para negar a verdadeira natureza das manifestações.
Convém assinalar que as pesquisas parapsicológicas atuais não são, de maneira alguma, um simples campo de experiência pré-científica e já demonstraram, de maneira positiva, a realidade dos fenômenos espíritas numa vasta escala, que vai desde a telepatia e da clarividência até à comunicação de espíritos (fenômenos teta) e por fim à própria reencarnação (memória extra-cerebral). Nenhuma das comprovações científicas da Parapsicologia negou até agora um só dos princípios espíritas. Pelo contrário, essa Ciência referendou até o momento todas as provas da sobrevivência dadas pelo Espiritismo, desde os trabalhos de Kardec no século passado. (N. do T.)

Fim

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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