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PÁSCOA

PÁSCOA

Páscoa cristã e páscoa judaica. Passagem da vida material para a vida espiritual. A ressurreição de Cristo.

Chegou o dia dos pães ázimos em que se devia imolar a páscoa. E Jesus enviou a Pedro e a João, dizendo: ide preparar-nos a páscoa para comermos. Eles lhe perguntaram: onde queres que a preparemos? Respondeu-lhes: ao entrardes na cidade, encontrareis um homem trazendo um cântaro de água. Segui-o até a casa em que ele entrar e dizei ao dono da casa: o mestre manda perguntar-te onde é o aposento onde hei de comer a páscoa com meus discípulos? Ele vos mostrará um espaçoso cenáculo mobiliado. Ali fazei os preparativos. Eles foram e acharam como ele lhes dissera e prepararam a páscoa. (Lc, 22:07-13)

Esse trecho do Evangelho de Lucas nos apresenta um episódio bastante significativo na história do cristianismo, mostrando que Jesus não se desligou completamente de suas raízes judaicas no desenvolvimento de seus ensinos cristãos.

E por que ele fez isto? Por que ele continuou, por exemplo, a celebrar a páscoa judaica? Nós sabemos que a páscoa do judaísmo correspondia ao momento de libertação do Egito, quando os judeus se libertaram da escravidão do Egito. Ao atravessar o Mar Vermelho e penetrar no deserto do Sinai, os judeus celebraram a sua libertação, comendo os pães ázimos, que eram pães sem sal, e com o cordeiro pascal, um cordeiro especial para comemoração do fato em homenagem a Deus, sacrificado para esse fim. Ora, Jesus não se afastou disso. Ele, sendo judeu, os apóstolos judeus, ele funcionando, por assim dizer, como um rabi

judeu, um mestre judeu, ele tinha de se sujeitar às condições legais do tempo da sua religião. E muita gente confunde essas coisas, procurando levar para o lado do judaísmo certas questões que são puramente cristãs, e devem ser colocadas em termos de cristianismo e não de judaísmo. Ele celebrou a páscoa, porque ele tinha de integrar-se, de manter-se integrado na sua religião e no seu povo a fim de comunicar a esse povo as renovações que ele vinha fazer. Ele não vinha fundar uma nova religião. Ele vinha renovar, vinha refundir o judaísmo, alargar as perspectivas do judaísmo.

É preciso compreendermos bem isto. Toda a cultura humana se processa assim. A ciência se renova continuamente. A física de Newton, por exemplo, está hoje totalmente reformada a partir do todo trabalho de Einstein e de seus colaboradores, de seus similares, de seus concorrentes no campo das pesquisas. E depois de Einstein nós tivemos ainda a revolução nova da física que se apresenta em nossos dias como a abertura de perspectivas para o mundo espiritual de maneira decisiva, quer dizer, a própria física, ciência da matéria, penetrando no mundo espiritual. Tudo

é uma sequência, como diz O Livro dos Espíritos, tudo se encadeia no universo. Uma coisa provém da outra, tem raízes. Este episódio da páscoa nos mostra as raízes judaicas do cristianismo, a sua ligação íntima com o cristianismo, Jesus se comportando como um mestre judeu que comemorava a páscoa. Depois de Jesus, depois de seu ensino, depois de sua morte, havendo se criado uma espécie de cisão entre o judaísmo e o cristianismo com o sacrifício do mestre pelos judeus – embora a responsabilidade legal da morte de Jesus fosse dos romanos,

mas através dos judeus – então nós vemos o cristianismo se libertar do judaísmo como um filho que se emancipou e se liberta do pai. Mas as raízes do cristianismo são judaicas. Então, nós vemos também o seguinte: a páscoa, que era comemorada de maneira judaica, passou a ser comemorada de maneira cristã. E foi o apóstolo Paulo o primeiro a proclamar isto: que a páscoa dos cristãos não era a mesma páscoa dos judeus. A páscoa dos cristãos devia ser comemorada no dia da ressurreição do Senhor. A palavra páscoa quer dizer passagem. Se os judeus comemoravam a sua libertação na passagem do Mar Vermelho, os cristãos, entretanto, deviam comemorar a sua libertação na passagem de Jesus através da morte, passagem essa que foi feita do mundo material para o mundo espiritual.

Quando morremos, nós passamos para a outra vida. A morte é uma passagem, como dizemos. E, então, no cristianismo se considerou assim: a morte é uma páscoa. A páscoa dos cristãos é a páscoa da ressurreição, mas está ligada simbólica e historicamente à páscoa judaica. Assim, no processo sequente disto, nós vamos para a concepção espírita que nos mostra a necessidade não de comemorarmos a páscoa, mas de compreendermos a páscoa, de compreendermos o problema da ressurreição como problema mais importante, fundamental do cristianismo.

Enquanto se admitiu até hoje nas igrejas que o problema fundamental foi o do sacrifício de Jesus, no espiritismo consideramos de outro ponto de vista: que o fundamental foi a ressurreição de Jesus.

J. Herculano Pires –  O Evangelho de Jesus em Espírito e Verdade

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